Acidente vascular cerebral (AVC): a importância de reconhecer os sintomas

Sabia que segundo a Sociedade Portuguesa do Acidente Vascular, o acidente vascular cerebral (AVC) é a principal causa de morte e incapacidade em Portugal e é responsável todos os anos por 5 milhões de mortes em todo o mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde? Neste artigo abordamos os sintomas, os fatores de risco e o que fazer em caso de um AVC.

O que é um acidente vascular cerebral (AVC)?

Um AVC é um evento agudo, que acontece devido à morte de células cerebrais. Pode ser caracterizado como isquémico ou hemorrágico. Um AVC isquémico ocorre quando há deposição de um trombo que obstrói as artérias cerebrais, limitando o aporte de sangue para um território cerebral. É o mais frequente, sendo responsável por 4 em cada 5 AVCs.

Por seu lado, um AVC hemorrágico implica a “inundação” de sangue de um território cerebral. Em ambos os casos há diminuição do oxigénio e nutrientes que chegam aos tecidos cerebrais, o que leva à morte destes. Consoante o tecido afetado teremos os diferentes sintomas.

É crucial atuar o mais rapidamente possível na presença de um possível AVC já que se trata da principal causa de morte em Portugal, segundo a Sociedade Portuguesa de Acidente Vascular (SPAVC). É responsável a nível global, anualmente, por 5 milhões de mortes e, a cada 6 segundos, uma pessoa morre vítima de um AVC.

Acidente Isquémico Transitório (AIT)

Existe ainda outra entidade denominada AIT (Acidente Isquémico Transitório), em que a paragem do fluxo sanguíneo é, como o nome indica, transitória (tipicamente <2 horas), sendo os sintomas de curta duração.

Ainda que seja um evento menos grave deve motivar uma ida ao Serviço de Urgência, já que pode evoluir para um AVC. 1 em cada 5 AITs evolui para um AVC ao fim de três meses. Ao ir ao Serviço de Urgência garante não só que se trata de um evento transitório, como pode iniciar terapêutica para evitar a progressão para algo devastador.

Como reconhecer um AVC?

Existem três grandes alterações num indivíduo que nos devem fazer pensar nesta patologia:

  • Desvio da face com um dos lados dormente ou descaído – pode ser mais fácil de avaliar ao pedir à pessoa para sorrir;
  • Diminuição da força de um dos lados do corpo – com possível diminuição da sensibilidade desse lado. Ao pedir para a pessoa estender os braços no ar, o afetado irá cair;
  • Dificuldade na fala – quer por dificuldade em se expressar ou dificuldade na compreensão. O indivíduo poderá não conseguir enumerar coisas simples, como caneta ou relógio, ou ter uma linguagem não compreensível.

Além destes três grandes sinais, muitos outros podem aparecer de forma súbita, nomeadamente: desequilíbrio e tonturas, com dificuldade em caminhar; alterações na visão (como a cegueira súbita e transitória num ou em ambos os olhos, ou visão dupla); náuseas e vómitos e dores de cabeça súbitas e intensas.

Seja qual for o sintoma, tem como característica aparecer repentinamente e irá depender do território cerebral afetado.

Quais os fatores de risco para um AVC?

Tal como muitas outras patologias, existem alguns fatores de risco conhecidos para os AVCs. Ao controlá-los conseguimos também diminuir a probabilidade destes eventos.

Existem fatores de risco que não conseguimos modificar, como o gênero (mais comum nos homens), a história de AVC prévio no próprio ou história familiar de AVCs e idade avançada (no entanto 25% ocorrem em idades jovens).

Por outro lado, entre fatores de risco que conseguimos controlar encontram-se a dieta (rica em sal e gorduras), falta de atividade física, obesidade, stress, tabagismo e alcoolismo, hipertensão, diabetes e dislipidemia (colesterol alto).

A adoção de um estilo de vida saudável, sem hábitos nefastos irá ajudar sobremaneira a diminuir o risco de um AVC.

O que fazer perante a suspeita de um AVC?

Em primeiro lugar é essencial ligar para o 112, explicando onde se encontra e os sintomas e sinais que está a ver na pessoa à sua frente. Será então encaminhado para um Serviço de Urgência onde se irá dar continuação ao diagnóstico e tratamento.

É importante reter que, em caso de dúvida, se deve contactar de imediato os Serviços de Saúde, já que quanto mais rápido for o tratamento melhor será a recuperação e o prognóstico, as primeiras horas são cruciais. Ao ligar para o 112 irá ser ativada a Via Verde do AVC, que permitirá uma resposta mais rápida à chegada do Hospital.

É possível recuperar de um AVC?

A resposta é sim, mas nem sempre isso acontece e nem sempre é uma recuperação total, com vários déficits iniciais a poderem persistir. A recuperação de um AVC é um processo demorado, irá depender do tamanho do AVC, dos territórios que atingiu e do tempo que passou entre o início dos sintomas e o início do tratamento. Depende também do estadio prévio do doente. A fisioterapia, a terapia da fala, o apoio familiar, entre outros irão ter um papel crucial nesta recuperação, que será, sempre, individualizada.

Devido à fisiopatologia dos AVCs os fármacos que se podem instituir são principalmente importantes para evitar novos eventos.

Em tom de conclusão, o AVC continua a ser a principal causa de morte em Portugal, sendo prevenível com mudanças de comportamentos alimentares e comportamentais. Em caso de suspeita de um AVC é crucial ligar para o 112, já que irá garantir um encadeamento de cuidados de saúde mais imediatos.

Lúcia Ribeiro Dias

Desde muito cedo que a possibilidade de tratar o outro a cativou. Assim se tornou Mestre em Medicina. Do percurso já feito, considera que há sempre algo a aprender com o doente, seja clinica ou pessoalmente. Além da Medicina gosta de se aventurar em viagens longínquas, de preferência sem planos. A literatura é outro dos grandes gostos, tendo sempre um livro por perto.

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