Anel vaginal: o que é, como usar e quais as vantagens?

Atualmente, existem no mercado diversos métodos contracetivos que visam a proteção e o bem-estar da mulher. Entre estes métodos, está o anel vaginal, um pequeno anel flexível de superfície lisa, não porosa e não absorvente, que contém progestina e estrogénio, hormonas que são gradualmente libertadas pelo dispositivo e que evitam a ovulação e, consequentemente, uma gravidez indesejada.

O anel vaginal, também conhecido por anel contracetivo, é bastante confortável, visto ser fabricado num material que se adapta aos contornos da região. Por ser bastante prático, tem ganho cada vez mais adeptas em todo o mundo.

Se ficou interessada neste assunto, então continue a leitura deste artigo, no qual encontrará informações úteis acerca do anel vaginal, nomeadamente o que é, as suas vantagens e desvantagens, como o colocar e retirar. Boa leitura!

Como funciona o anel vaginal?

O anel vaginal pode ser colocado pela própria mulher no interior da vagina, e uma vez colocado, liberta progestina e estrogénio no corpo, hormonas que bloqueiam a libertação de óvulos pelo ovário e deixam o muco cervical mais espesso, dificultando assim a movimentação dos espermatozoides.

O anel fica acomodado na parede da vagina, e deve ser colocado tal e qual um absorvente interno. Quando colocado corretamente, no 5.° dia da menstruação, permanece no local, sem causar desconforto, durante 3 semanas; depois deste período, deve ser retirado para uma pausa de uma semana – momento em que a menstruação deverá começar. Depois de uma semana sem o utilizar, a rotina deve recomeçar com um novo anel.

Como colocar o anel vaginal?

Muitas mulheres têm dúvidas de como colocar o anel vaginal, contudo, trata-se de um procedimento relativamente simples, que se assemelha à colocação de um absorvente interno, basta que siga os seguintes passos:

  1. Antes de colocar o anel, verifique o prazo de validade na embalagem. Produtos fora do prazo de validade devem ser descartados, uma vez que a sua eficácia estará certamente comprometida;
  2. Antes de abrir a embalagem e segurar o anel, é fundamental que higienize bem as mãos;
  3. Escolha uma posição confortável, pode ser de pé com uma perna mais elevada e o pé repousado numa cadeira, ou deitada, por exemplo;
  4. Segure o anel vaginal entre o indicador e o polegar, apertando-o até que a sua forma se assemelhe a um “8”;
  5. Introduza-o delicadamente na vagina, empurrando-o ligeiramente com o indicador.

É importante referir que o local exato do anel não é fundamental para o seu bom funcionamento, desta forma, a mulher tem a liberdade de o posicionar da forma que se sinta mais confortável.

Quando substituir o anel vaginal?

Após 3 semanas de uso contínuo, deve-se respeitar a pausa de uma semana para descanso. Depois, basta colocar um novo anel vaginal para recomeçar a rotina.

Por exemplo: se o anel for colocado numa segunda-feira, por volta das 20h00, então deve ser retirado 3 semanas depois, isto é, também numa segunda às 20h00. O novo anel deve ser colocado exatamente uma semana depois da retirada do velho, ou seja, na próxima segunda, às 20h00s. É importante referir que, caso a mulher demore mais de 3 horas a colocar um novo anel, ou caso este saia do lugar, deverá ser utilizado um outro método contracetivo durante 7 dias, pois o efeito do anel pode estar comprometido. Depois de o anel estar no local por 7 dias seguidos, será eficiente novamente.

Quais as vantagens e desvantagens?

Assim como boa parte dos métodos contracetivos, o anel vaginal possui um conjunto de vantagens e desvantagens, que devem ser levados em consideração pela mulher e pelo médico ginecologista. Conheça agora os pontos positivos e negativos associados ao anel:

Pontos positivos:

  • Não é desconfortável e não atrapalha as relações sexuais;
  • Só precisa de ser colocado uma vez por mês, por isso é ideal para mulheres que têm dificuldade em se lembrar de tomar a pílula;
  • Caso esqueça de o colocar após a pausa, existe uma janela de até 3 horas de tolerância para o substituir por outro anel;
  • Ajuda a regular o ciclo menstrual e a reduzir as dores menstruais e o fluxo.

Pontos negativos:

  • O uso do anel vaginal pode provocar efeitos colaterais como aumento do peso, náuseas, dor de cabeça ou acne;
  • Não protege a mulher contra doenças sexualmente transmissíveis (DST);
  • O seu efeito pode ser prejudicado caso a mulher esqueça de o colocar no horário correto após a pausa;
  • Pode sair durante as relações sexuais (neste caso, deve ser introduzido em até 3 horas, caso contrário, deverão ser utilizados outros métodos contracetivos durante uma semana);
  • Não é indicado para pessoas com problemas de fígado ou hipertensas;
  • Apesar de raro, pode aumentar o risco de trombose.

Quais os possíveis efeitos colaterais?

Assim como qualquer outro remédio/medicamento que possui hormonas na sua composição, o anel vaginal pode provocar efeitos colaterais em algumas mulheres. Entre os principais relatados estão:

  • Dor de barriga e náuseas;
  • Corrimento vaginal;
  • Alterações de humor;
  • Interrupções no ciclo menstrual;
  • Infeções vaginais frequentes;
  • Dor de cabeça ou enxaqueca;
  • Diminuição do desejo sexual;
  • Aumento do peso corporal;
  • Períodos menstruais dolorosos.

Existe ainda um risco aumentado de surgimento de problemas como hipertensão, infeção urinária, retenção de líquidos e formação de coágulos. Por esse motivo, é fundamental que a mulher procure aconselhamento profissional antes de dar início ao tratamento contracetivo.

Quem não deve utilizar o anel?

Além das mulheres hipertensas e com condições hepáticas, o anel vaginal tem o seu uso proibido em casos de mulheres que sofram com doenças que afetam a coagulação do sangue, que tenham diabetes grave, colesterol elevado, algum tipo de enxaqueca, pancreatite, cancro de mama, hemorragia vaginal sem causa ou alergia às hormonas presentes no anel vaginal. Por isso, jamais comece o tratamento por conta própria, visto que o método pode causar grandes transtornos à sua saúde. Ademais, o anel vaginal somente é vendido com prescrição médica.

É possível engravidar utilizando o anel?

O anel vaginal é um método contracetivo bastante confiável, por isso, quando utilizado corretamente, apresenta probabilidades de gravidez inferiores a 1% – eficácia que se assemelha à do preservativo. Todavia, caso a mulher se esqueça de o colocar por mais de 3 horas, ou não o substitua da forma certa, existem chances de ovulação. Assim, se tiver relações desprotegidas nos 7 dias antes ou depois, existe sim a possibilidade de engravidar.

O que acontece caso se esqueça de o tirar?

Caso o anel fique na vagina por até 4 semanas, a mulher estará protegida da gravidez. Todavia, assim que se lembrar, deverá remover o anel imediatamente e substitui-lo por um novo anel depois de 7 dias.

Caso o anel permaneça na vagina por mais de 4 semanas, deverá remove-lo imediatamente e fazer um teste de gravidez para se certificar de que não está grávida. Feito isto, substitua-o por um novo anel e use um outro método contracetivo pelos próximos 7 dias. Caso apresente sangramento irregular, o ideal é que procure o seu médico ginecologista.

O anel pode-se perder no corpo da mulher?

Esta é uma dúvida bastante comum, mas é importante mencionar que não existe a possibilidade de o anel ser empurrado para cima e assim  “perder-se”. Não obstante, caso sinta dores após a colocação ou durante o uso do anel vaginal, ou caso não consiga encontrá-lo na sua vagina, recomendamos que consulte o médico ginecologista imediatamente.

Importante: caso ainda tenha dúvidas sobre a utilização do anel vaginal, aconselhamos que procure a orientação do seu médico. Apenas um profissional especializado estará apto para avaliar se este método contracetivo é o mais adequado para si. Ademais, em razão das suas restrições de uso, é fundamental que sejam descartadas as contraindicações referidas neste artigo, visando salvaguardar a sua saúde e o seu bem-estar. Cuide-se!

Luana Castro Alves

Licenciada em Letras e Pedagogia, redatora e revisora, entusiasta do universo da literatura, sempre à procura das palavras. "Não se pode escrever nada com indiferença." (Simone de Beauvoir)