Ataque de pânico: o que é, causas, sintomas e tratamento

Já dizia o escritor brasileiro Guimarães Rosa, na sua obra prima “Grande Sertão: Veredas”: “Viver é perigoso”. Nenhum de nós está imune às situações difíceis, que nos colocam sob enormes níveis de tensão e stress e que exigem habilidade para manter a nossa saúde física e mental a salvo.

Com um mundo cada vez mais movimentado, que nem sempre nos concede o tempo necessário para as tão bem-vindas pausas, é normal que alguns males psicológicos nos afetem, entre eles, o ataque de pânico.

Talvez já tenha sido vítima de um ataque de pânico, mas não tenha conseguido identificar os seus sintomas e formas de minimizar os impactos provocados por este.

Por isso, redigimos o presente artigo, no qual abordamos os principais aspetos do ataque de pânico, nomeadamente em que consiste, quais os seus sintomas, como é feito o seu diagnóstico e, não menos importante, como minimizar as suas consequências.

Cuide da sua saúde mental, pois esta não deve ser subestimada. Boa leitura!

O que é o ataque de pânico?

Quando a ansiedade ultrapassa os limites do tolerável, esta manifesta-se sob a forma de um ataque de pânico. Nesta situação, nosso corpo sofre uma enorme descarga de hormonas, que por sua vez, provoca uma série de sintomas por todo o corpo. Entre os sintomas mais comuns estão uma sensação intensa e irracional de medo.

Esta situação limite ocorre, geralmente, quando somos submetidos a um grande stress, mas pode também surgir em qualquer outro momento do nosso dia, até mesmo naqueles em que estamos supostamente relaxados, como durante o sono.

Como consequência do ataque de pânico, a pessoa afetada deixa de ter prazer em realizar a atividade que desencadeou aquele momento de crise, constituindo o que chamamos de transtorno do pânico.

Por exemplo: se o ataque de pânico aconteceu durante um evento social com os amigos, provavelmente a pessoa evitará uma nova situação parecida. Se ocorreu durante o dia de trabalho, a ideia de voltar àquele ambiente poderá ser insuportável, fazendo com que a pessoa queira até mesmo trocar de emprego. Ou seja, o ataque de pânico pode trazer consequências drásticas para a vida de quem dele sofre, devendo, pois, ser devidamente tratado para que se evite a evolução clínica no caso.

Quais os sintomas do ataque de pânico?

  • Sensação de perigo iminente;
  • Sensação de alheamento;
  • Dormência e formingueiro nas mãos, nos pés ou no rosto;
  • Medo irracional de perder o controlo;
  • Medo da morte ou de uma possível tragédia;
  • Sentimentos de indiferença;
  • Ondas de calor;
  • Náuseas;
  • Dores abdominais;
  • Dores no peito e desconforto;
  • Dores de cabeça;
  • Tonturas;
  • Desmaio;
  • Dificuldades para engolir.
  • Palpitações, ritmo cardíaco acelerado e taquicardia;
  • Transpiração excessiva;
  • Tremores;
  • Dificuldade em respirar, falta de ar e sufocamento;
  • Hiperventilação (acréscimo anormal da quantidade de ar que ventila os pulmões);
  • Calafrios.

O ataque de pânico pode durar de 10 a 20 minutos, contudo, poderá variar de pessoa para pessoa. Além disso, mesmo depois de terminada a crise, alguns sintomas poderão continuar a serem sentidos.

Como é feito o diagnóstico do ataque de pânico?

O ataque de pânico geralmente é diagnosticado quando pelo menos dois sintomas (dos descritos anteriormente), estiverem a manifestar-se simultaneamente. Em seguida, deixamos algumas perguntas que o médico especialista lhe poderá fazer para diagnosticar a condição:

  • O ataque de pânico é inesperado e frequente?
  • Provoca um sentimento insuportável de angústia e dor?
  • Perda de controlo e mudanças repentinas de comportamento também acontecem durante o ataque de pânico?
  • Relembrar a situação ou retornar ao ambiente em que o ataque aconteceu são circunstâncias que lhe causam sofrimento?

Se as suas respostas forem positivas, pode ser que esteja a sofrer desta condição, e que precise ser acompanhado por um médico especialista.

Quais as consequências do ataque de pânico?

Como referimos anteriormente, a pessoa que passou por um ataque de pânico dificilmente se colocará novamente na situação que desencadeou a crise. Este comportamento poderá trazer prejuízos à sua vida social e profissional. Não obstante, é possível tratar o ataque de pânico com orientação psicológica adequada.

O profissional fará uma análise do caso, procurando determinar a origem do sentimento de medo e angústia. Identificado o “gatilho” da crise, poderá prescrever desde técnicas de relaxamento, como meditação e massagens, a medicamentos antidepressivos, em função da gravidade do problema.

Importante: quando devidamente tratado, o ataque de pânico pode ter os seus efeitos minimizados, o que devolverá qualidade de vida ao paciente. Em alguns casos, poderá até mesmo ser erradicado, fazendo com que mantenha o controlo em situações de stress.

Ataque de pânico ou síndrome do pânico?

É importante que isto seja discutido. O ataque de pânico pode ser um evento isolado, enquanto a síndrome de pânico provoca ataques repetidos, sendo considerada um distúrbio psicológico.

A pessoa que sofre com a síndrome do pânico desenvolve os mesmos sintomas descritos neste artigo, contudo, a duração e frequência dos episódios são maiores.

Além disso, o sentimento de alívio demora a chegar, submetendo o paciente a um enorme sofrimento e desconforto, mantendo-o “preso” ao medo de vivenciar novamente aquela situação. Se não for devidamente tratada, a síndrome pode provocar mudanças profundas no indivíduo.

Como ajudar uma pessoa com ataque de pânico?

Esta nem sempre é uma tarefa fácil, contudo, é possível oferecer amparo, mostrando à pessoa que ela não está sozinha. Outra maneira interessante de ajudar é mantê-la distraída, atitude que pode trazer bons resultados. Alerte-a sobre a necessidade de procurar orientação psicológica e encoraje-a a adotar alguns hábitos simples, nomeadamente:

  • Evitar consumo de bebidas alcoólicas e drogas, pois estes são agentes que podem estimular a ocorrência do ataque de pânico;
  • Evitar o consumo de café, note-se que a cafeína atua no nosso organismo de maneira a nos deixar ligados, agitados e ansiosos. Substitua a bebida por um chá, por exemplo;
  • Praticar atividades que proporcionem relaxamento, como o yoga, a meditação e as caminhadas no parque, já que estes hábitos podem quebrar a rotina de stress e tensão, colaborando para a qualidade de vida do paciente;
  • Praticar exercício físico, especialmente, atividades aeróbicas, pois estas ajudam a baixar a pressão arterial;
  • Dormir bem é também fundamental para que o seu corpo descanse o suficiente das situações difíceis que possa vir a enfrentar no dia a dia.

Se sofre com o ataque de pânico ou conhece alguém que passa por este problema, então compartilhe este artigo! Não obstante, é fundamental procurar apoio médico, pois apenas um especialista lhe poderá indicar o tratamento ideal para a sua condição. Cuide-se!

Luana Castro Alves

Licenciada em Letras e Pedagogia, redatora e revisora, entusiasta do universo da literatura, sempre à procura das palavras. "Não se pode escrever nada com indiferença." (Simone de Beauvoir)