Candidíase vaginal: o que é, causas e tratamento

Ainda considerada por alguns um tabu, a candidíase vaginal afeta cerca de 75% das mulheres, pelo menos uma vez ao longo da vida, principalmente em mulheres em idade fértil, podendo também afetar, em alguns casos, mulheres no período pós-menopausa.

Neste artigo abordamos a candidíase vaginal, procurando dar resposta às perguntas mais frequentes, nomeadamente quais os sintomas, como prevenir e como tratar este problema.

O que é a candidíase vaginal?

A candidíase vaginal trata-se de uma infeção fúngica bastante comum nas mulheres em idade fértil (dos 15 aos 45 anos), podendo ocorrer também em outras idades, nomeadamente no período pós-menopausa. Neste artigo abordamos a candidíase vaginal, procurando dar resposta a uma das perguntas mais frequentes, nomeadamente quais os sintomas, como prevenir e como tratar este problema.

A candidíase é mais comum durante o verão e na fase pré-menstrual, durante o verão e na fase pré-menstrual, quando o pH da vagina está com maior acidez. Por ser quente e húmida, a região genital feminina é um local propício para a proliferação deste fungo, contribuindo para o crescimento da infeção.

É importante referir que, apesar da transmissão ocorrer muitas vezes através da relação sexual, a candidíase vaginal não é considerada uma doença sexualmente transmissível (DST), uma vez que este fungo é encontrado naturalmente no corpo humano.

Quais as causas da candidíase vaginal?

Todas as mulheres nascem com o fungo Candida albicans. Este vive naturalmente na flora vaginal e pode ser encontrado no organismo. O problema surge quando este fungo prolifera de maneira descontrolada, causando a sua multiplicação na flora vaginal. Isto poderá acontecer devido a fatores não ginecológicos como são a baixa imunidade, stress, maus hábitos alimentares, por exemplo.

Entre as principais causas da candidíase vaginal, destaque para:

Quais os sintomas da candidíase vaginal?

Os sintomas da candidíase vaginal poderão variar de caso para caso. Queremos com isto dizer que não é necessário apresentar todos os sintomas para estar perante um quadro de candidíase vaginal.

Entre os principais sintomas da candidíase vaginal, destaque para:

  • Prurido e irritação na zona da vagina;
  • Secreção de corrimento branco, semelhante a requeijão;
  • Vermelhidão;
  • Dor durante as relações sexuais;
  • Ardor ao urinar.

Como prevenir a candidíase vaginal?

O primeiro passo para prevenir a candidíase vaginal, bem como de outros tipos de candidíase, passa pelo fortalecimento do sistema imunitário. Um organismo fortalecido fica protegido contra as mais diversas infeções, inclusive as vaginais.

Para isso pode seguir algumas dicas abaixo:

  • Evite alimentos ricos em hidratos de carbono e açúcares. Opte uma dieta equilibrada e alimentos ricos em vitaminas A e D;
  • Utilize sabonetes íntimos neutros;
  • Evite usar roupas apertadas, biquínis húmidos e tecidos sintéticos;
  • Evite o uso de tampões;
  • Não descuide a sua higiene íntima;
  • Prefira papel higiénico neutro, sem cor e sem perfume;
  • Use preservativo durante as relações sexuais;
  • Evite o consumo de bebidas alcóolicas e o tabaco.

Diagnóstico e tratamento da candidíase

Apenas um médico ginecologista poderá diagnosticar candidíase vaginal, uma vez que os sintomas desta condição são muito semelhantes aos de outras infeções vaginais, como tricomoníase e a vaginose bacteriana.

O médico irá realizar exames clínicos, como o Papanicolau, onde é feita uma raspagem do canal vaginal e colo do útero para posterior análise laboratorial. Durante o tratamento, é recomendado o uso de antifúngicos, além da utilização de uma pomada vaginal.

Fique atenta. Assim que surgirem os primeiros sintomas da candidíase vaginal, procure um médico ginecologista.

A candidíase pode afetar outras zonas do corpo?

Sim. Embora não muito comum, a candidíase pode também afetar outras regiões do corpo, uma vez que o fungo está presente em diversas partes do nosso organismo, podendo ocorrer proliferar e infetar vários órgãos.

Entre os vários tipos de candidíase, destacamos:

  • Candidíase oral – Pode afetar pessoas que não apresentam doenças do sistema imunitário e em crianças. Surge na região da boca, causando, entre outros, ardência, manchas brancas na língua, aftas na língua ou nas bochechas e feridas nos cantos da boca.
  • Candidíase esofágica – Ao contrário da candidíase oral que, regra geral, afeta pessoas com um sistema imunitário saudável, a candidíase do esófago afeta pessoas com um sistema imunitário débil, como por exemplo portadores de HIV/SIDA e doentes oncológicos. Esta patologia causa dor ao engolir, náuseas, perda de apetite e dor abdominal. É uma das mais raras formas de candidíase.
  • Candidíase na pele (intertrigo) – Geralmente esta infecção surge nas dobras da pele, principalmente nas axilas, abdómen e coxas. Entre outros, causa comichão e pequenas lesões na pele.
  • Candidíase disseminada (invasiva) – Esta patologia pode alastrar-se de forma descontrolada aos órgãos vitais do corpo, como o coração, os pulmões, o fígado e os ossos. É mais comum em indivíduos imunocomprometidos (pessoas que possuem sistema imunitário comprometido), bem como pessoas recentemente sujeitas a cirurgia. Principais sintomas: febre, dor de cabeça, vómitos e inflamação nas articulações.

Existe candidíase masculina?

Sim. Apesar desta infeção ser predominantemente uma doença feminina, pode também afetar homens. Estima-se que, em cada dez homens, dois podem ser afetados pela candidíase em algum momento da sua vida.

A candidíase masculina, é habitualmente designada por candidíase balânica e afeta normalmente a cabeça do pénis (glande). Entre os principais sintomas da candidíase masculina, destacamos:

  • Pele avermelhada e inchaço do prepúcio;
  • Comichão acompanhada de uma sensação de ardor, sobretudo ao urinar e durante o ato sexual;
  • Poderá surgir um corrimento branco por debaixo do prepúcio;
  • Poderá sentir alguma dor e dificuldade ao puxar o prepúcio para trás.

As causas da candidíase balânica são muito semelhantes às da candidíase feminina (candidíase vaginal), surgindo principalmente quando o indivíduo está com o sistema imunitário em baixo.

Tal como a candidíase vaginal, a candidíase balânica poderá ser tratada com pomadas antifúngicas ou medicamentos via oral.

As crianças podem ter candidíase?

A resposta é sim. Muitas vezes as pessoas associam a candidíase às relações sexuais ou a uma vida sexualmente ativa (e bem!), não obstante, como já mencionamos, a candidíase não é classificada como uma doença sexualmente transmissível (DST), portanto o seu surgimento pode ocorrer também em crianças.

Entre as principais causas da candidíase infantil poderá estar o uso de fraldas, principalmente durante períodos mais quentes do ano, o que contribui para a proliferação da doença.

Esperamos que o presente artigo tenha sido útil para entender os principais aspetos da candidíase vaginal. Por fim, referir que o presente artigo não substitui o aconselhamento médico.

A redação do trabalhador.pt