Castas de vinho: o que são e quais as principais em Portugal?

Geralmente, o tipo de uva é um fator primordial na hora de escolher um vinho. Muitas pessoas apreciam o cabernet sauvignon, chardonnay, pinot noir entre outros bastante conhecidos por seus sabores e aromas especiais. Todavia, entende exatamente o que estes nomes significam? Conseguiria explicar o que são castas de vinho e como se classificam?

Se quer entender um pouco mais sobre vinho, nomeadamente sobre as suas diversas castas, então o presente artigo é para si. Boa leitura!

O que são as castas de vinho?

Chamamos de castas de vinho os diferentes perfis dos frutos e videiras existentes, isto é, as variedades de uvas e os seus diversificados usos, podendo estas serem específicas para o consumo de fruta ou para a produção de bebidas.

Em todo mundo, a Vitis Vinífera é a variedade mais utilizada na produção de vinhos. Dentro desta estão todas as castas de uvas, as quais podemos identificar nos rótulos de cada garrafa de vinho. Estas castas podem chegar ao surpreendente número de 10 mil variações dentro de uma mesma espécie.

Cada casta tem um sabor específico, bem como as suas peculiaridades, o que influencia muito o paladar do vinho. Saber identificá-las é um talento típico dos enólogos, visto ser necessário praticar muito a degustação, bem como entender as especificidades das castas ou de uma mistura delas.

Embora se trate de uma tarefa bastante complexa, é algo que certamente vale a pena, pois este processo de aprendizagem possibilitará que escolha o vinho mais harmonioso com a sua refeição.

Como é feita a classificação das castas de vinho?

As variações morfológicas e usos comerciais determinam a classificação das castas de uvas. Existem aquelas que são específicas para a produção de vinhos tintos, enquanto outras são ideais para o fabrico de espumantes.

Existem ainda uvas que ficam melhores depois da podridão nobre, fase da fruta em que surge um fungo responsável por dar características especiais de doçura e sabor à uva. Por fim, existem uvas que funcionam como porta-enxerto (planta cuja parte de baixo é aproveitada na enxertia e a parte de cima recebe o nome de enxerto).

Os fatores acima referidos interferem na produção e classificação de vinhos, ou seja, se serão de mesa ou espumantes, tintos, brancos, secos ou doces.

Que fatores influenciam a qualidade das castas?

Existem, basicamente, três fatores – também conhecidos pelos enólogos como o triângulo de qualidade -, para que a produção seja considerada boa. São eles o clima, o solo e a casta, elementos que estão intrinsecamente ligados.

Podemos afirmar que a qualidade do solo, a temperatura ambiente e o regime de chuvas influenciarão de maneira determinante o sucesso do cultivo daquela casta específica. A essa combinação damos o nome de terroir.

Cada região tem as suas castas de vinho?

Não se pode afirmar que as castas sejam exclusivas de uma determinada região vinícola do mundo. Não obstante, é notório que alguns países são famosos por produzirem bebidas de qualidade superior num tipo específico de uva. A razão disso é o fator terroir (clima, solo e casta).

Quais as principais castas de vinho nacionais?

Os vinhos portugueses desfrutam de um grande prestígio exterior. O nosso país é reconhecido, há séculos, por bebidas de muita qualidade, elaboradas através de métodos complexos e diferenciados. Conheça agora as principais castas de vinho.

Alfrocheiro

Trata-se de uma variedade de vinho tinto cultivado principalmente na Denominação de Origem Controlada (D.O.C) do Dão, conhecida também por estar presente nos Vinhos Regionais do Alentejo. Entre os seus aromas sobressaem-se os de frutos silvestres, como o morango selvagem e a amora, além de delicados toques florais.

Antão Vaz

É uma das variedades de castas de vinho mais valorizadas do Alentejo. Proporciona vinhos vibrantes no aroma e temperados por uma acidez firme. Quando a uva é deixada na vinha, pode atingir um grau alcoólico elevado, o que faz dela uma candidata ao estágio de envelhecimento em madeira.

Arinto

Originária da região de Bucelas, a Arinto é uma das clássicas castas de vinho branco de Portugal. A uva branca Arinto produz vinhos muito frescos, de ótima acidez, com saborosos aromas de frutas cítricas. É utilizada sobretudo na produção de rótulos nobres, com maior grau de envelhecimento.

Bical

Uva branca de origem portuguesa, a Bical é utilizada na produção de vinhos brancos e espumantes de elevado teor alcoólico. Seu cultivo acontece principalmente na região de Beiras, sobretudo na Bairrada e no Dão. Esta casta de uva produz vinhos de elevada acidez, sendo melhor aproveitada em blends ou em vinhos varietais. O seu sabor frutado é marcado por notas de frutas tropicais.

Castelão

A uva Castelão está presente em áreas de cultivo de Portugal e Espanha, dando origem a castas de vinhos tintos varietais de médio corpo, sabor que se assemelha a amoras, groselhas e cereja, além de sua cor rubi. Também pode ser aproveitada na produção de vinhos rosés e blends variados.

Encruzado

A uva Encruzado é, na opinião de muitos críticos e especialistas, uma das melhores uvas brancas de Portugal, embora não tenha grande popularidade. É cultivada principalmente nas colinas de granito do Dão, dando origem a castas de vinhos encorpados, ricos e com aromas frutados que muitas vezes pendem para o floral.

Fernão Gomes

Também conhecida como Maria Gomes, a Fernão Gomes é uma variedade de uva branca amplamente cultivada em áreas vinícolas de Portugal. É bastante versátil, sendo empregada no fabrico de variadas castas de vinho, entre elas, vinhos brancos secos, vinhos espumantes e vinhos de sobremesa doce. A bebida preparada com a Fernão Gomes apresenta aroma de casca de limão, laranja e lima, podendo também ter um toque de especiarias.

Loureiro

A uva Loureiro é uma variedade branca famosa por fazer parte da composição do famoso e tradicional Vinho Verde, produzido na região do Minho. Trata-se de uma variedade extremamente fértil, que recentemente ganhou o título de casta nobre. A uva Loureiro dá origem a excelentes castas de vinhos brancos com aromas florais exuberantes, especialmente o de flor de laranjeira.

Tinta Barroca

Esta é uma das principais uvas tintas do Douro, bastante utilizada na produção do Vinho do Porto, bem como na produção de vinhos tintos de corte. Dá origem a castas de vinho em cujos aromas destacam-se notas de frutas negras, como ameixa, e nuances florais.

Touriga Franca

Uva bastante cultivada na região do Douro, a uva Touriga Franca é uma variedade utilizada principalmente no fabrico de vinhos de cortes com outras cepas, o que dá origem a vinhos tintos de grande aceitação, muito apreciados em todo mundo. É bastante aromática e tende a suavizar o sabor das bebidas de que faz parte.

Touriga Nacional

Considerada a rainha das uvas tintas portuguesas, a Touriga Nacional tem origem nas terras da região do Dão, sendo cultivada também no Alentejo e Douro. Produz diferentes castas de vinho, entre eles, o Vinho do Porto e vinhos de mesa. Apresenta um bom teor alcoólico, ótima concentração de cor, elevada complexidade, sabores intensos, taninos finos, volume entre outras características extremamente elegantes.

As castas influenciam na avaliação da bebida?

Certamente, este é um dos quesitos mais importantes ao avaliar uma bebida, visto que cada variedade de uva produzirá um rótulo de perfil diferente. Não obstante, seria injusto comparar dois tipos e classificá-los como melhor ou pior, visto que cada um expressa as suas especificidades de forma bastante distinta.

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A redação do trabalhador.pt