Cefaleia: o que é, tipos, sintomas e tratamentos

Uma dor incómoda, que chega de repente e leva embora o bom humor e a produtividade. O dia que prometia ser agradável transforma-se num dia pesado, lento, e tudo o que quer é ir para casa e trancar-se num quarto escuro para aliviar os sintomas. Caso se tenha identificado com esta situação, certamente sabe o que é conviver com a cefaleia, aquilo que habitualmente designados por dor de cabeça.

A cefaleia está entre as doenças mais comuns entre a população e pode afetar tanto homens como mulheres pelo menos uma vez por mês. Existe, aproximadamente, 150 tipos diferentes de dor de cabeça, conforme a classificação da Sociedade Internacional de Cefaleia.

Trata-se de uma condição complexa, que merece investigação, objetivo deste artigo que trará para si todas as informações a respeito da cefaleia, como os seus sintomas, causas, fatores de risco, diagnóstico e tratamento. Boa leitura!

O que é a cefaleia?

Como referido, a cefaleia significa dor de cabeça, problema de saúde frequente, cujas causas e tratamentos são variados. Os médicos apontam a existência de mais de uma centena de tipos de cefaleia, que podem ser separadas em duas categorias, nomeadamente, primárias e secundárias:

  • As cefaleias primárias são aquelas que não possuem qualquer associação externa, isto é, quando a dor de cabeça é a própria doença, como exemplo, temos a enxaqueca.
  • Nas cefaleias secundárias, as dores são provocadas por outras enfermidades, como gripes, constipações, sinusites, e outras mais graves, como tumores cerebrais e aneurismas.

Cefaleias primárias

As cefaleias primárias costumam apresentar uma intensidade de leve a moderada, comummente associadas ao stress diário, por isso, chamadas de cefaleia tensional. É importante referir que, quando estamos nervosos, ou extasiados, ocorre uma modificação da química cerebral, situação que provoca a superexcitação dos neurónios. Daí surge a contração muscular, sobretudo na região do pescoço e em redor do crânio, resultando numa dor que se instala na nuca, na testa e nos dois lados da cabeça.

A cefaleia em salvas também está no grupo de cefaleias primárias. Condição rara, apresenta sintomas que se manifestam em períodos curtos, de uma a três vezes ao dia, durante algumas semanas ou meses. As crises são intensas, extremamente dolorosas, capazes de deixar a pessoa bastante nervosa e agitada. Isto acontece porque as dores súbitas são muito desconfortáveis, causando obstrução nasal e lacrimejamento. Além disso, estas dores ficam localizadas apenas de um lado da cabeça, especialmente na região dos olhos.

A enxaqueca é outra forma de manifestação primária da cefaleia, cujos sintomas podem piorar quando a pessoa está exposta a cheiros fortes, ambientes muito iluminados e ruídos desagradáveis. Este tipo de cefaleia costuma ser mais usual nas mulheres, visto que as hormonas femininas atuam como desencadeadoras das crises. Entre os sintomas estão dor de cabeça latejante, moderada a intensa, acompanhada de alterações na visão, náuseas e vómitos.

Cefaleias secundárias

As cefaleias secundárias estão relacionadas a outras enfermidades, sendo a sinusite uma das suas principais causas. A inflamação afeta as cavidades dos ossos e da face, gerando uma acumulação de muco, que por sua vez cria uma pressão que provoca dor na região frontal da cabeça.

Além disso, existem outras causas associadas às cefaleias secundárias, nomeadamente o excesso do consumo de álcool e a privação do sono. Infelizmente, muitas doenças graves costumam manifestar-se sob a forma de cefaleia, como aneurismas intracraniais, tumores cerebrais, acidente vascular encefálico, hipóxia cerebral, lesões cranianas, distúrbios oftalmológicos e do ouvido entre outras.

Na suspeita de uma cefaleia secundária, é fundamental procurar ajuda médica, pois apenas um profissional poderá conduzir uma investigação complementar por meio de exames laboratoriais e de neuroimagem, como tomografia computadorizada ou ressonância magnética. Descoberta a causa, o tratamento será direcionado à erradicação da doença de base.

Quais os sintomas e sinais da cefaleia?

Entre os principais sintomas e sinais da cefaleia estão:

  • Dores (região da cabeça e intensidade podem variar, característica que ajudará no diagnóstico do problema);
  • Aperto ou peso na cabeça;
  • Vómitos e náuseas;
  • Olho lacrimejantes;
  • Sensibilidade à luz;
  • Distúrbios da visão: a pessoa começa a ver pontos pretos, um dos sinais da enxaqueca com aura.

Quais os fatores de risco e causas da cefaleia?

No que concerne aos fatores de riscos e causas da cefaleia, destacamos:

  • Privação do sono;
  • Sono irregular;
  • Stress;
  • Longos períodos sem comer;
  • Tabagismo;
  • Distúrbios oftalmológicos;
  • Abuso de alimentos estimulantes, como chocolate, café e energéticos;
  • Consumo excessivo de bebidas alcoólicas;
  • Cheiros fortes;
  • Abuso de analgésicos.

É possível evitar a cefaleia?

Sim, especialmente as cefaleias primárias. A melhor recomendação é “investir” numa rotina saudável, e isto significa que precisará de largar hábitos nocivos. Para afastar as crises, seja adepto de uma dieta equilibrada, evite situações de stress, pratique exercício físico e durma o tempo suficiente para que o seu corpo recupere das dificuldades impostas pelo dia a dia.

Outra maneira de prevenir a cefaleia, é estar atento a se alguns alimentos servem como “gatilho” para a crise. Em caso de suspeita, converse o com seu médico antes de eliminar qualquer alimento do seu cardápio.

Nos consultórios médicos, é comum que pacientes relatem o surgimento da dor de cabeça logo após a ingestão de alimentos como o chocolate e o vinho tinto. Isto acontece porque ambos contêm substâncias de diversas classes que interferem diretamente no cérebro, desencadeando mudanças no fluxo sanguíneo, bem como alterações na libertação de neurotransmissores, o que possibilitará a indução de uma crise.

Como é o diagnóstico de cefaleia?

Como pôde perceber, existem inúmeros fatores que levam à cefaleia. Por isso, é indispensável que procure a orientação de um médico neurologista, pois este é o profissional apto para identificar o tipo de cefaleia e assim estruturar um plano com o objetivo de atenuar o problema.

No consultório, o médico fará um exame clínico, sobretudo, baseado numa entrevista, momento em que deverá descrever a dor, as crises, a frequência em que acontecem e as situações prováveis que atuam como “gatilhos”. Feito isso, poderá ser-lhe solicitado a realização de exames físicos e complementares.

Quando o histórico é bem detalhado, o médico tem mais facilidade para “fechar” o diagnóstico, sobretudo nos casos de enxaqueca. Para eliminar a possibilidade de outras doenças, no caso das cefaleias secundárias, o médico poderá solicitará uma tomografia ou ressonância da cabeça, exames que poderão identificar enfermidades associadas, caso existam.

Como é o tratamento da cefaleia?

O tratamento adequado dependerá do diagnóstico correto do tipo de cefaleia, isto é, se esta é primária ou secundária. Na cefaleia primária, serão adotados protocolos para combater a enfermidade associada, cujo tratamento poderá ser mais demorado, necessitando de terapêuticas específicas.

No caso da cefaleia tensional, o uso de analgésicos (devidamente prescritos por um médico) combinado a práticas relaxantes, como massagem na área atingida pela dor ou até mesmo caminhadas, poderão ajudar a eliminar o incómodo, que varia de leve a moderado.

No caso da enxaqueca, poderão ser indicados analgésicos e anti-inflamatórios, sobretudo quando a crise começa, isto é, quando a dor é ainda leve. Além disso, mudanças no estilo de vida e outros tratamentos complementares podem impedir o desencadeamento de crises.

Em suma, nem toda a cefaleia tem cura, como é o caso da enxaqueca. No entanto, não precisa de se preocupar, pois, felizmente, a medicina tem avançado muito, o que influi significativamente na evolução dos tratamentos. Atualmente, existem medicações capazes de reduzir a intensidade e a frequência das crises. Todavia, é importante que não conte apenas com os fármacos: conte consigo mesmo para minimizar os efeitos da cefaleia na sua saúde.

Tenha hábitos saudáveis e evite expor-se a situações que possam desencadear a dor. Evite a automedicação e cuide-se! Afinal de conta o seu bem estar deve estar sempre em primeiro lugar.

Luana Castro Alves

Licenciada em Letras e Pedagogia, redatora e revisora, entusiasta do universo da literatura, sempre à procura das palavras. "Não se pode escrever nada com indiferença." (Simone de Beauvoir)