Como escolher um esquentador?

Ao comprar ou arrendar uma casa, uma das primeiras preocupações é a instalação de eletricidade para, entre outros, aquecer a água. Mas a verdade é que nem todos os aparelhos dependem inteiramente de eletricidade para funcionar.

Existem no mercado diversos aparelhos que cumprem eficazmente essa função, sendo dois dos mais comuns os termoacumuladores e os esquentadores. Debruçamo-nos sobre o último neste artigo.

Por ser um aparelho complexo, bem como por serem comercializados múltiplos modelos de várias marcas, a escolha de um esquentador é uma tarefa complicada para a generalidade das pessoas, acabando por suscitar muitas dúvidas (por exemplo, quanto à capacidade, tipo de ignição, consumo energético, entre outros) que, quando não são esclarecidas, acabam por ter como consequência a aquisição de aparelhos inadequados para as necessidades e expetativas dos consumidores.

Se está a pensar comprar ou trocar um esquentador para sua casa, então acreditamos que este artigo o pode ajudar. Nele, coligimos alguns dos pontos que acreditamos serem importante ao escolher um esquentador, não deixando de salientar as vantagens destes aparelhos.

Vantagens e desvantagens dos esquentadores

O esquentador é uma das soluções de aquecimento de água mais populares

De forma simples e simplicista, podemos dizer que um esquentador é aparelho composto por uma “caixa” e um sistema de tubagens no seu interior.

O seu principal ponto positivo, face a outras soluções de aquecimento, nomeadamente dos termoacumuladores, é aquecer quase de forma instantânea a água (entre os 35° e os 75°) – algo particularmente útil na hora do banho

Não obstante, existem muitas outras vantagens, designadamente:

  • É um aparelho que ocupa pouco espaço;
  • É relativamente fácil de instalar, não obstante isso deva ser feito sempre por um profissional;
  • Permite que a temperatura da água quente seja regulada, através de um controlo termostático da temperatura (nos modelos mais modernos);
  • Consome pouca energia (apenas quando a água quente está a ser usada);
  • Não é preciso trocar a resistência, como acontece nos chuveiros elétricos;
  • São aparelhos muito resistentes e com um “período de vida útil” considerável.

Porém, como qualquer outro aparelho elétrico, os esquentadores têm algumas desvantagens:

  • Os modelos mais simples e, consequentemente mais baratos, não permitem definir a temperatura exata da água;
  • Embora seja muito raro, em caso de problema, podem desligar-se enquanto utiliza a água quente, podendo ser obrigado a terminar o banho com água fria;
  • É necessária manutenção anual, feita por um técnico especializado.

O que considerar antes de comprar o esquentador?

O tipo de gás, de exaustão e de ignição são os fatores que diferenciam os esquentadores

Sem prejuízo de outros, parece-nos possível afirmar que há três aspetos fundamentais que diferenciam os modelos de esquentadores: o tipo de gás, o tipo de exaustão e o tipo de ignição. Em seguida, abordamos cada um deles:

1. Tipo de gás

Os esquentadores podem ser alimentados a três tipos de gás: propano, butano e o natural. Para escolher, é preciso saber que tipo de gás funciona na sua casa, pois se o esquentador não tiver sido concebido para o tipo de gás em questão, não será possível realizar a sua instalação. É importante ressaltar também que embora possíveis, as fugas de gás são muito raras e que se trata de um aparelho considerado seguro.

2. Tipo de exaustão

Os tipos de exaustão também podem ser de três tipos: 

  • Nos esquentadores atmosféricos o ar é captado no próprio espaço onde está o aparelho e os gases são eliminados naturalmente. Ideal para lugares com ventilação permanente;
  • Nos esquentadores ventilados, o ar é captado no próprio espaço e a eliminação dos gases é feita por meio de um ventilador na saída do aparelho;
  • E nos esquentadores estanques tanto a captação do ar, como a evacuação dos gases é realizada por uma conduta ligada ao exterior, sendo melhores opções para espaços sem ventilação.

3. Tipo de ignição

No que concerne ao tipo de ignição dos esquentadores, esta pode ser automática ou manual. No primeiro tipo, o sistema é ligado automaticamente sempre que a torneira do chuveiro é aberta. São modelos mais modernos e os mais comuns atualmente, além de terem um desempenho energético mais eficiente. 

Já nos esquentadores com sistema de ignição manual, terá de usar um fósforo para acender a chama que irá gerar o aquecimento. Estes modelos são já muito antigos e estão em extinção, especialmente por não serem tão seguros.

Dicas para escolher um esquentador

Além dos pontos anteriormente mencionados, é preciso ter atenção a algumas características que podem fazer a diferença ao escolher um esquentador.

Damos alguns exemplos:

1. Local onde será instalado

Saber o local onde o esquentador será instalado e o espaço disponível para o aparelho é um dos primeiros passos antes de avançar para a compra. Escusado será dizer que o aparelho não precisa estar na mesma divisão onde a água será utilizada.

O mais importante é que o local tenha pelo menos um pouco de ventilação – o esquentador nunca deve ficar em locais totalmente fechados, dado que isso potencializa o risco de acidentes, como também a própria saúde das pessoas – note-se que é um aparelho que funciona a gás.

2. Capacidade do esquentador

Os esquentadores não tem todos a mesma capacidade de “processamento de água”, indo dos 5/6 litros até aos 24/27 litros. A escolha deverá depender das necessidades de cada foco habitacional. Queremos com isto dizer que uma utilização simultânea do esquentador em dois pontos diferentes implica uma maior capacidade de processamento de água.

Por isso, considere este ponto, principalmente se não vive sozinho. Caso contrário arrisca-se a que, quando estiver a tomar banho, ninguém possa abrir a torneira de água quente.

3. Preço do esquentador

O custo de um esquentador vai depender um pouco de todos as características que foram sendo abordadas ao longo deste artigo (modelo, capacidade, tipo de ignição, tipo de exaustão, etc.).

Não obstante, regra geral, quanto mais moderno e eficiente energeticamente for o esquentador, maior ser o seu custo. Recomendamos que encare a compra de um esquentador como um investimento de longo prazo, afinal de contas será um aparelho que durará bastantes anos e será utilizado diariamente.

Ao preço de aquisição do esquentador deverão ser ainda somados os custos com a instalação. Como já referimos, embora se trate de uma aparelho com um instalação relativamente fácil, é importante que esta seja realizada por um técnico profissional. Optar por uma pessoa que não esteja capacitada para este tipo de serviço ou até tentar fazer por conta própria poderá acarretar riscos para a sua segurança.

Economizar energia com o esquentador

Os modelos mais recentes esquentadores são mais eficientes energeticamente

O consumo energético de um esquentador variar em função de vários fatores, designadamente do seu índice de eficiência energética. Neste âmbito, importa referir que, regra geral, os esquentadores antigos (com mais de 10 anos) são pouco eficientes face aos avanços tecnológicos que se registaram nos últimos anos.

Segundo informações disponibilizadas pela Agência para a Energia (ADENE) um esquentador com mais de 10 anos poderá implicar um gasto anual de 191€ com energia elétrica. Já um esquentador moderno, da classe energética A, deverá ter um consumo menor, em torno de 154€ por ano.

Assim, ao fazer a troca de um esquentador antigo por um esquentador moderno, terá uma economia de aproximadamente 37€ por ano. Se fizer as contas ao que poderá poupar em cinco anos, verá que só esse valor justifica o investimento num esquentador novo.

Sem prejuízo do que referimos anteriormente, existem outras dicas que podem ajudar a reduzir os gastos com energia elétrica, nomeadamente:

  • Evitar o uso de água quente para lavar as mãos ou escovar os dentes. Se o fizer, pelo menos deixe a torneira fechada enquanto não estiver a precisar da água.
  • Preferir duches a longos banhos de imersão, pois o consumo de água chega a ser quatro vezes menor.
  • Instalar reguladores de temperatura com termostato, o que reduz até 6% o consumo de energia.
  • Definir uma temperatura média em torno dos 30° aos 35°.
  • Manter os acumuladores e as tubagens bem isolados.
  • Certificar-se que as torneiras não fiquem a pingar, pois isso aumenta o consumo hídrico.
  • Estar com a manutenção do esquentador sempre em dia.

Agora que já possui mais informações, é avaliar bem todos os critérios e escolher o esquentador ideal para sua casa, garantindo bons banhos quentes!

Mariana Bueno

Brasileira, jornalista e escritora. Desde criança tem os livros como os seus grandes companheiros e, mais tarde, transformou a escrita em profissão. É formada em Comunicação e pós-graduada em Media Digitais. Gosta de transmitir informações por meio dos seus textos e adora ouvir e contar boas histórias, de preferência as que descobre ao viajar por diferentes lugares.