Como responder à pergunta “não acha que é sobrequalificado”?

Talvez tenha sido despedido e esteja à procura de uma nova (e qualquer) oportunidade no mundo do trabalho, ou talvez queira apenas mudar de ares e aceitar novos desafios… como resultado destas e outras situações, pode encontrar-se numa situação em que seja demasiado qualificado para determinado cargo.

Mas será este um problema? Normalmente, ninguém peca por excesso de competências ou capacidades, no entanto, esta pode ser uma questão que preocupa diversos recrutadores. Descubra porquê e como deve responder quando confrontado com este cenário.

Demasiadas qualificações para o emprego ao qual se candidata?

Se for sobrequalificado para determinada posição, o mais provável é que esteja a candidatar-se a um emprego abaixo do seu nível educacional ou de experiência. Apesar de haver situações em que este caso ocorre apenas como um “ato de desespero”, por exemplo, quando alguém está desempregado e pretende encontrar um novo trabalho o mais rápido possível, independentemente do cargo que tenha de desempenhar, existem também muitas pessoas que escolhem trabalhos abaixo das suas capacidades por motivos além da necessidade.

Uma das grandes razões que motiva alguém a escolher um trabalho que exige menos das suas competências é o facto de este fornecer um melhor e mais saudável balanço entre trabalho e vida pessoal. Por exemplo, suponhamos que é um jornalista com mais de 15 anos de experiência, tendo já feito parte de jornais de renome e liderado equipas de investigação. Uma posição normal tendo em conta a sua experiência seria, por exemplo, chefia de redação, no entanto, decide que prefere ser freelancer e escrever artigos para vários jornais a partir do sofá de sua casa ou de um hotel luxuoso em Bali… percebe aqui o contraste?

Ao optar por um trabalho em que certamente seria melhor pago e teria um estatuto “mais importante”, o mais provável seria não ter tanto tempo para estar com a família e com amigos ou de viajar sempre que quisesse. Assim, ao ser freelancer, continua a fazer o que gosta sem estar preso a um único local e sem ter de lidar com o stress associado a um cargo tão exigente. Como este exemplo, existem evidentemente muitos outros.

O que é que o recrutador pretende saber com a pergunta?

Essencialmente, ao fazer esta pergunta, o recrutador reflete as dúvidas que possui quanto às suas verdadeiras intenções relativamente ao trabalho em questão. Por exemplo, se quer determinado trabalho apenas porque não consegue encontrar outro, o mais provável é que se despeça assim que tiver uma melhor oportunidade, e como é evidente, esse não é um bom sinal para um recrutador. Basicamente, o recrutador pretende perceber os seus planos a longo prazo e se o emprego ao qual se está a candidatar se encontra nessa visão futura.

Como responder à pergunta?

Seja honesto quanto à sua situação

Por exemplo, se procurar um melhor equilíbrio entre vida pessoal e trabalho, como referido anteriormente, expresse essa mesma vontade ao recrutador, pois só assim ele(a) poderá verificar se a própria empresa em questão está disposta a ajudá-lo a alcançar esse desejo. Talvez queira ter mais do que uma folga por semana ou trabalhar menos horas por dia e talvez a empresa não lhe possa conceder essas vontades… é por isso que a comunicação é tão importante.

Se por outro lado, não pretender trabalhar no local a longo prazo, deve referi-lo apenas para a empresa saber com o que contar. No entanto, não deixe de referir que enquanto trabalhar no local estará completamente dedicado a tirar o melhor proveito possível da experiência e a aplicar o seu conhecimento acrescido de forma a contribuir positivamente para o desempenho da empresa. Por muito pouco tempo que fique, ao menos conseguirá criar algum impacto positivo que sempre é melhor que nenhum… e o recrutador reconhece isso!

Refira o seu valor para a empresa

Já que tem fama, ao menos que tire proveito! Por outras palavras, se o recrutador já percebeu que você possui, de facto, competências além das necessárias, refira que pode usar este acréscimo de conhecimento e experiência para o bem da própria empresa. Talvez esta precise de aumentar as vendas ou esteja a passar por um período em que falta criatividade e inovação nos seus projetos, portanto, aproveite esta oportunidade e refira que consegue ajudar a ultrapassar estes problemas. Isto é certamente algo que o recrutador gostará de ouvir.

Sugira trabalhar uns dias à experiência

Se verificar que o recrutador continua com algumas dúvidas quanto à sua contratação, sugira trabalhar à experiência apenas por uns dias. Assim, o recrutador e o resto da equipa teriam a oportunidade de observar a forma como trabalha, o seu ritmo, a maneira como interage com terceiros, e principalmente, se realmente teria algo significativo a acrescentar à empresa. Esta é, na verdade, uma ótima opção, pois além de mostrar iniciativa da sua parte, trabalhará gratuitamente durante uns dias e não precisará de tanto acompanhamento devido à sua acrescida experiência, ou seja, tudo isto são boas notícias para um recrutador.

Enalteça as suas qualidades e motivações

O seu perfil não pode falar por si só, você deve também partilhar um pouco sobre si e aprofundar e explorar tópicos além dos mencionados numa folha de papel. Mostre que é apaixonado pelo faz, fale sobre a sua motivação para continuar a crescer e ajudar os outros, principalmente os mais jovens que querem adquirir melhores competências, fale sobre como esta empresa é uma ótima escolha para si, etc.

Basicamente, não deixe que o currículo e as suas competências sobrequalificadas sejam o foco da conversa. Mostre que tem muito mais a acrescentar.

Construa uma resposta rica e completa

Certifique-se de que aborda todos os tópicos mencionados e que constrói uma resposta completa. Depois, não se esqueça de praticar em casa e com alguns dias de antecedência. Exemplo:

“Eu não diria que sou sobrequalificado, mas sim completamente qualificado. Estou atualmente à procura de uma posição que não me exija viajar tanto ou passar tantas horas semanais num escritório. Estou numa fase da vida em que valorizo muito o tempo em família e prefiro, assim, um melhor equilíbrio entre a minha vida profissional e pessoal. As minhas competências não devem ser vistas como um fardo, mas sim como uma ótima ferramenta para resolver os problemas desta empresa. Esta é uma área na qual tenho muita experiência e na qual tenho todo o gosto em trabalhar, por isso seria um prazer contribuir com os meus conhecimentos para a melhoria desta empresa.”

Como se pode verificar, recomendamos que sugira durante a entrevista que as suas competências podem ser uma mais valia e não uma preocupação para o recrutador. Esperamos que estas dicas possam ajudar. Boa sorte!

trabalhador.pt

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