Como ser um bom pai: dicas para uma paternidade ativa

Se alguém lhe perguntasse “como ser um bom pai” saberia o que responder? Até há bem pouco tempo atrás, a resposta para esta pergunta seria, muito provavelmente, “ser um bom provedor”, “impor limites”, “ensinar com rigidez”, “estipular regras”, entre outras possibilidades.

No entanto, em pleno século XXI, estamos a assistir ao surgimento de uma nova forma de viver a paternidade, uma paternidade menos impositiva, mais afetuosa e mais sensível, fruto do desejo de homens que repensam o seu papel no seio familiar e que preferem derrubar – ou pelo menos discutir – antigos padrões impostos pela sociedade.

Felizmente, evoluímos como sociedade e continuamos a caminhar rumo à igualdade de género. Por isso, não há mais espaço para a truculência do machismo; é por isso que os homens e as mulheres têm discutido cada vez mais os seus papeis no contexto familiar, especialmente no que respeita às tarefas domésticas e à educação dos filhos.

Um homem atento às demandas do seu tempo sabe que para ser um bom pai é preciso ser muito mais do que um mero provedor: é preciso desempenhar uma paternidade ativa e compreensiva, pois só assim será possível quebrar ciclos de violência perpetrados há milhares de anos (quem nunca “apanhou” sob o pretexto de estar sendo “educado” ou “corrigido”, que atire a primeira pedra).

Se está em constante reflexão acerca da paternidade responsável e quer saber como ser um bom pai, então continue a leitura deste artigo que preparamos para si. Nele irá encontrar reflexões importantes sobre este tema tão necessário, e que merece ser debatido e divulgado.

Como ser um bom pai nos dias de hoje?

Bem, como dissemos anteriormente, é fundamental entender que homens e mulheres têm direitos e deveres iguais, e isso também se aplica quando o assunto é cuidar dos filhos. Se precisa de ajuda para exercer a paternidade de uma forma responsável e ativa, então deverá estar atento às seguintes questões:

1. Ser um bom pai passa por participar na educação dos filhos

Quando falamos sobre a “educação dos filhos” não nos referimos apenas à escolha da melhor escola, ao pagamento das mensalidades ou à obrigação de levar e buscar a prole.

Devemos entender por “educação dos filhos” tudo que respeita à formação moral, emocional, cultural e social dos filhos. É preciso prepará-los para a vida, mostrar caminhos, agir com gentileza, empatia e amor. É preciso estar presente de facto, demonstrar interesse genuíno pelas suas vidas, necessidades, dificuldades e conquistas.

Ser um pai empenhado e ativo não é fácil, longe disso, mas também não é nenhuma missão impossível. Com boas doses de boa vontade pode superar antigas crenças limitantes e mostrar que pode ser o melhor pai possível para os seus filhos.

2. Seja proativo nos cuidados diários

Não há como ser um bom pai se não está disposto a viver a paternidade com amor e dedicação. E quando falamos em dedicação, falamos em cuidar/ajudar, seja da roupa suja, dos trabalhos de casa que foram marcados pelos professores, entre outras atividades rotineiras.

Garantir o bem-estar dos filhos não é uma obrigação apenas da mãe: o pai pode perfeitamente preparar o jantar das crianças, fazer as compras de casa, participar nas reuniões escolares, entre tantas outras atribuições que precisam ser partilhadas. Só assim conseguirá vivenciar com intensidade todas as delícias – e desafios – de ser pai.

3. Seja o melhor exemplo para os seus filhos

Como é possível ser um bom pai se está sempre a “cobrar” dos seus filhos aquilo que não consegue ser? Como exigir que tratem todos com educação se você se recusa a agir de forma razoável com as pessoas que estão à sua volta? Pois bem, se quer que os seus filhos sejam crianças educadas e respeitosas é indispensável mostrar-lhes como se faz por meio de atitudes. Falar é importante, mas nada mais explicativo do que adotar boas ações em seu dia a dia.

4. Não seja autoritário, mas tenha autoridade

Gritos, insultos, ameaças e agressões não garantem respeito – pelo contrário, criam um ambiente inóspito para toda a família. Prefira sempre o caminho do diálogo, do entendimento e da compaixão, pois as palavras e ações educam, já a violência não.

Quando explodimos com nossos filhos, deixamos evidente a nossa intolerância,a falta de capacidade de lidar com as próprias emoções e também com os desafios da paternidade. Lembre-se de que é possível impor limites sem apelar a berros e palmadas, usando da firmeza sem ser autoritário. Diante de uma dificuldade, acalme-se e pratique o exercício de ouvir o que o outro tem a dizer, pois só assim será possível entender as reais motivações de um comportamento inadequado e, consequentemente, discutir sobre ele.

5. Demonstre o seu amor

Quem disse que demonstrar carinho não é coisa de homem? Amar, respeitar, cuidar e educar são ações que em nada interferem na sua masculinidade, tampouco na forma como os seus filhos se relacionam consigo. Por isso, não permita que antigos preconceitos o impeçam de brincar de bonecas com as suas filhas; não permita que o machismo lhe roube o prazer de abraçar, beijar e secar as lágrimas dos seus filhos.

Todas as crianças precisam de se sentir amadas e seguras, e isso só acontece por meio das nossas interações. Pais indiferentes, que não se interessam pelo bem-estar emocional dos filhos, geram crianças e adultos inseguros e carentes, além de traumas que geralmente são alimentados por toda a vida.

6. Apoie os seus filhos incondicionalmente

Apoiar significa estender a mão, oferecer um ombro amigo, ouvir e saber calar quando necessário. Apoiar é respeitar os sentimentos do seu filho sem o julgar por estar a sofrer por uma situação que você já sabe (porque a vida já lhe ensinou) que é passageira.

Jamais subestime os sentimentos de uma criança dizendo que ela está a chorar sem motivo sério, ou que “aquilo não é nada e logo vai passar”. Troque a arrogância e a impaciência pelo apoio incondicional, por palavras de carinho e incentivo, pois só assim o seu filho se sentirá à vontade para o procurar e conversar sobre as suas dores e dúvidas.

Felizmente, hoje os pais têm demonstrado mais interesse pela educação dos filhos, marcando presença de forma mais efetiva nas suas vidas e contribuindo para a sua formação e pleno desenvolvimento.

Todavia, é importante referir que não existe paternidade perfeita, tampouco existem padrões comportamentais a serem seguidos. Lembre-se de que é a pessoa que mais conhece os seus filhos, aquela que mais os pode auxiliar nesta jornada tão desafiadora que é a vida. Seja gentil e amoroso com as suas crianças, mas nunca se esqueça de ser gentil consigo mesmo. Cuide-se e cuide daqueles que mais ama!

Luana Castro Alves

Licenciada em Letras e Pedagogia, redatora e revisora, entusiasta do universo da literatura, sempre à procura das palavras. "Não se pode escrever nada com indiferença." (Simone de Beauvoir)