Conheça os “inimigos” da sua candidatura de emprego

Ser o candidato selecionado para uma determinada vaga de emprego ou, no caso de ser já trabalhador da empresa, para uma promoção, significa que foi bem-sucedido ao longo de todo o processo.

Este processo é pautado por várias dificuldades, sendo a competição dos restantes candidatos apenas uma delas. Existem outros aspetos que podem colocar a sua candidatura de emprego em risco, muitos dos quais criados por si.

Neste artigo procuramos abordar quais os principais “inimigos” que podem colocar em risco a sua candidatura, designadamente no que concerne ao currículo e à entrevista de emprego.

Erros mais comuns nos currículos

1. Informações pessoais desnecessárias

O currículo deve servir como uma espécie de roteiro para o recrutador, sendo o primeiro contato com o candidato. É precisamente por essa mesma razão que o currículo deve conter as informações consideradas relevantes para a vaga de emprego em concreto. Contudo, muitos candidatos tendem a colocar dados pessoais manifestamente desnecessários, numa tentativa de “encher” o currículo. Isto deverá ser evitado, porque poderá até ter um efeito contraproducente, prejudicando o candidato a emprego.

É muito melhor, por exemplo, optar por mencionar quais as metas / resultados alcançados, ou experiências que possam demonstrar as suas competências ao recrutador – uma coisa é referir que não tem problemas de falar em público, outro é mencionar que já participou em conferências como orador.

2. Erros ortográficos e gramaticais

Não importa se se tratam de erros simples ou mais complexos. Falhas na escrita são manifestamente negativos e são um dos principais “inimigos” de uma candidatura a emprego. Coloque na pele do recrutador, nunca interagiu com o candidato e a única referência que tem é um currículo com erros ortográficos. Com que impressão ficaria?

Para maximizar as suas hipóteses de ser bem-sucedido é importante ter em conta os aspetos formais. Concluída a construção do seu currículo, leia e releia o seu curriculum. Se tiver oportunidade partilhe com um colega ou amigo e peça-o para fazer o mesmo. Dois pares de olhos são sempre melhores que apenas um.

3. Ausência de um objetivo profissional

Este é um ponto importante de qualquer currículo. Embora as suas expetativas profissionais devam ser mencionadas, preferencialmente, na carta de apresentação, a forma como construi o seu currículo poderá ajudar o recrutador a perceber o candidato que terá à sua frente na entrevista de emprego, nomeadamente a perceber quais as suas ambições profissionais.

4. Frases vagas ou vazias

As frases cliché, são na teoria muito bonitas, mas, na prática, são vazias de qualquer sentido. Novamente aqui, sugerimos que se coloco na posição do recrutador. Imagine quantas e quantas vezes terá um profissional do departamento de recursos humanos de uma empresa de ler frases e expressões que são usadas por todos os candidatos.

Erros a evitar na entrevista de emprego

1. Expressões que designam desinteresse

A entrevista é um dos momentos mais importantes em qualquer processo de recrutamento. É precisamente na entrevista que o candidato e o recrutador estão frente a frente. Um dos aspetos importante para maximizar as suas hipóteses é mostrar ao avaliador que está verdadeiramente interessado na vaga de emprego e naquela empresa em particular.

A falta de interesse é fatal e, certamente, nenhuma empresa quererá contratar um colaborador que na entrevista de emprego já pareça desmotivado ou com falta de interesse.

É preciso ficar atento para não cometer erros básicos, como mostrar estar “distante” durante a entrevista, ou mesmo perguntar, logo de caras, a respeito de temas como salário e os benefícios do cargo/empresa. Neste âmbito é particularmente a expressão corporal que adota durante a entrevista, bem como o contacto visual que estabelece com o entrevistador.

Desviar o olhar também não é um bom sinal, da mesma maneira que estar demasiado curvado ou de braços cruzados podem ser entendidos como sinais de nervosismo ou apatia por parte do candidato.

Expressões verbais colocadas foras do contexto são um risco que pode e deve ser evitado. Recurso ao calão e gíria, falta de clareza ou os erros gramaticais, terão um impacto negativo.

2. Respostas demasiadamente ensaiadas

Evidentemente que para concorrer a qualquer vaga de emprego é preciso que se prepare, especialmente para a entrevista de emprego, antecipando perguntas que o recrutador possa colocar. Porém, não deve ensaiar demasiado as respostas, sob pena destas parecem demasiado pensadas.

Ao contrário do que possa pensar respostas demasiado ensaiadas não impressionam o recrutador. Este possui experiência mais que suficiente para identificar quando o candidato está ou não a ser autêntico.

3. Falar demais (ou de menos)

Uma entrevista de emprego tem por objetivo permite ao recrutador conhecer o candidato. É um momento em que o candidato estará constantemente sob avaliação, pelo que são precisos alguns cuidados.

Em primeiro lugar, é preciso que a entrevista de emprego não parece um monólogo. Afinal, não se trata de falar apenas de si, mas sim de um diálogo onde é expetável que o recrutador coloque questão e que o candidato responda. Queremos com isto dizer que não deve monopolizar o tempo da entrevista de emprego, nomeadamente falando demasiado.

No entanto, o contrário é também prejudicial, ou seja, falar de menos. Não é de bom tom se se exceder nas palavras, porém, ficar calado não só demonstra nervosismo, como também insegurança.

4. Não assumir defeitos

Outro ponto que pode ser considerado negativo prende-se com não conseguir assumir defeitos. É muito comum o recrutador perguntas ao candidato quais as suas maiores virtudes e defeitos.

Regra geral, uma grande parte dos candidatos opta por referir como defeitos características que até podem ser considerados virtudes, por exemplo: “sou demasiado perfeccionista”. Para além de parecer uma resposta cliché, isto demonstra que tem alguma dificuldade em assumir defeitos, passando uma ideia de alguma insegurança. Um candidato confiante não terá problema de assumir alguns aspetos menos bons em que poderá trabalhar.

5. Vestir-se de forma desadequada

Não há propriamente uma regra para o que deve vestir (ou não) para uma entrevista de emprego. Neste âmbito, é importante que descubra qual a política da empresa em relação ao vestuário, bem como como é habitual os colaboradores se vestirem.

Por exemplo: caso se esteja a candidatar para um “trabalho informal”, não fará muito sentido usar fato completo na entrevista de emprego. Por outro lado, se a empresa exigir muita formalidade, usar calças de ganga e t-shirt numa entrevista de emprego será certamente um erro.

Por exemplo, um recém-licenciado em Direito que vá participar numa entrevista de emprego numa sociedade de advogados, saberá que deverá vestir-se com alguma formalidade. Já alguém que se esteja a candidatar a uma entrevista para professor de surf, saberá que não deverá ir demasiado formal.

A redação do trabalhador.pt