Conservação de alimentos: importância e principais métodos

Quando ouve falar de conservação de alimentos, qual é a primeira ideia que lhe vem à cabeça? Provavelmente pensa sobre a importância de armazenar bem tudo aquilo que será servido – o que já foi servido – à mesa, não é mesmo? Cuidar bem dos alimentos é essencial para evitar que se estraguem e que isso possa trazer algum impacto negativo na saúde, isto está claro. No entanto, a conservação de alimentos é uma prática que diz respeito também a outro tema muito importante, nomeadamente, à sustentabilidade.

E por falar em reduzir o consumo e evitar o desperdício alimentar, é primordial que esta cultura, que tem ganhado cada vez mais adeptos em todo o mundo, esteja presente também na cozinha, espaço onde as refeições são preparadas e onde muitas vezes descartamos alimentos que poderiam facilmente ser reaproveitados se soubéssemos exatamente como os guardar.

Por isso, é essencial compreender os diferentes métodos de conservação de alimentos, técnicas que possibilitam uma melhor preservação e, consequentemente uma redução do desperdício. Ademais, economizar nas compras do mês é outra ótima motivação – e para aqueles que não abrem mão da praticidade, ter sempre comida pronta para ir ao forno ou ao micro-ondas é, definitivamente, uma excelente ideia.

Ficou interessado e quer saber mais sobre este assunto? Então não deixe de ler este artigo onde encontrará todas as informações que precisa de saber sobre conservação de alimentos e, quem sabe, hoje mesmo poderá colocar em prática algumas das técnicas que abordaremos adiante.

Porque é a conservação de alimentos tão importante?

Sabe provavelmente que cada alimento tem as suas especificidades e nutrientes, o que o torna suscetível à ação de microrganismos e outras alterações indesejáveis. São vários os fatores que influenciam a deterioração da comida: oxigénio, temperatura, humidade, bactérias e até mesmo a luz. Por isso, a conservação correta dos alimentos é tão importante, pois destrói bactérias e enzimas que provocam uma série de doenças, entre elas, a temida intoxicação alimentar.

Ao armazenarmos bem a comida, evitamos o desperdício alimentar, promovemos um modo de vida mais sustentável e ainda facilitamos a nossa rotina (quem não gosta de ter algo preparado no frigorífico, especialmente depois de um dia de trabalho cansativo, quando o que menos se quer é ir para a cozinha cozinhar).

No entanto, esse processo de conservação dos alimentos não acontece apenas dentro das nossas casas, mas também na própria indústria alimentícia, que ao longo da história desenvolveu – e continua a desenvolver – técnicas para que os alimentos alcancem validades maiores, cuidado que prolongará o tempo de prateleira de um produto.

Principais métodos de conservação de alimentos

Existem diversos métodos de conservação de alimentos, sendo que a escolha da técnica é feita de acordo com a necessidade de cada produto. Conheça infra as mais importantes:

Refrigeração

A maioria dos alimentos (frutas, hortaliças, manteiga, queijo, ovos etc.) mantém-se adequada para consumo quando armazenada à temperatura ideal, via de regra, dentro de um frigorífico. É o que chamamos de refrigeração ou resfriamento, técnica que reduz a atividade dos microrganismos quando expostos a temperaturas que podem variar entre -1°C a 10°C. Embora não impeçam que os alimentos se estraguem, a refrigeração retarda o desenvolvimento dos microrganismos e a ação das enzimas.

Congelamento

No congelamento, a água dos alimentos transforma-se em gelo, o que reduz o crescimento de microrganismos e enzimas. Como consequência, a vida útil do produto estende-se ainda mais – desde que armazenado a temperaturas que variam entre 0 °C a -18 °C. É bastante empregue na conservação de carnes, peixes, aves, frutas, legumes e laticínios.

Enlatamento

Esterilizar os alimentos e mantê-los livres do contato com o ar, livrando-os de germes, são as principais finalidades do enlatamento. A vedação afasta os microrganismos e ajuda a evitar a oxidação dos alimentos, por isso, os enlatados podem ter uma durabilidade de mais de um ano. Está entre as técnicas de conservação de alimentos mais utilizadas pela indústria, bem como nas casas de todo o mundo.

Pasteurização

A pasteurização é um tratamento térmico que promove a conservação dos alimentos por meio do calor. Estes são expostos a temperaturas moderadamente elevadas (até 100 °C), o que elimina microrganismos indesejados. Regra geral, é utilizada para a preservação de produtos como sumo de laranja, cogumelos em conserva, ketchup, cerveja, vinagre de maçã e até mesmo alimentos infantis, como as famosas “papinhas”.

Esterilização

Na esterilização, os alimentos, como leite e enlatados, são submetidos a temperaturas ainda mais elevadas do que na pasteurização – entre 120 e 140 °C, em média. Este método de conservação destrói as bactérias, sobretudo aquelas com alta capacidade de reprodução, contudo, por outro lado, compromete as suas propriedades (proteínas, vitaminas etc.).

Desidratação ou secagem

Neste método de conservação é extraída a maior parte do líquido dos alimentos, o que impossibilita o desenvolvimento de microrganismos – uma vez que estes não conseguem proliferar nos alimentos secos. Ademais, por reduzir o tamanho e o peso dos produtos, a desidratação facilita o transporte e armazenamento destes, fator que colabora para o seu tempo de vida útil. Os alimentos, especialmente grãos, frutas e legumes, podem ser secos ao sol, em fornos, câmaras pulverizadoras ou em máquinas desidratadoras.

Conservantes (ou aditivos químicos)

Os conservantes tradicionais incluem o sal, o açúcar e o vinagre, substâncias que impedem o deterioração dos alimentos e permitem que o consumidor compre e armazene uma variedade de produtos sazonais, isto é, que não estão disponíveis durante todas as épocas do ano.

  • Sal e açúcar: Estes são grandes aliados na conservação dos alimentos, visto que, em contato com a comida, absorvem parte do seu líquido (meio em que os microrganismos encontram facilidade para proliferar). O sal deve ser usado em grande quantidade e em alimentos nos quais agregue sabor, como peixe (bacalhau, por exemplo), carne de vaca e de porco. Já o açúcar, em grandes quantidades, retarda o desenvolvimento de microrganismos e melhora o sabor dos alimentos, como geleias, frutas enlatadas ou congeladas, para ajudar a conservá-las.
  • Vinagre: É utilizado principalmente para conservação de alimentos como pickles de tomates verdes, pepino, couve-flor, cebola, beterraba, arenque, sardinha e outros que, quando ácidos, apresentam um sabor agradável. O responsável pelo retardamento da ação dos microrganismos é o ácido cético, substância encontrada em abundância no vinagre.

Selamento

O selamento é um método de conservação de alimentos bastante eficiente, e está ligado ao modo de embalamento dos produtos. Para que fiquem protegidos e livres da ação de microrganismos, é possível utilizar técnicas como o fecho a vácuo, o que possibilita a preservação de alimentos que já foram preparados e evita consideravelmente o desperdício das sobras do almoço ou jantar. Pode ser feito através de um equipamento conhecido como seladora.

Graças aos métodos de conservação de alimentos é possível protegê-los da deterioração, bem como manter as suas características sensoriais e nutricionais. Assim, podemos ter a despensa sempre cheia, o que proporciona facilidade, qualidade e conveniência. Todavia, antes de adotar quaisquer técnicas mencionadas neste artigo, certifique-se de estar a proceder da maneira correta, pois só assim o alimento não se estragará.

Luana Castro Alves

Licenciada em Letras e Pedagogia, redatora e revisora, entusiasta do universo da literatura, sempre à procura das palavras. "Não se pode escrever nada com indiferença." (Simone de Beauvoir)