Devo-me candidatar a um emprego para o qual não tenho qualificações?

A resposta é sim. Afinal de contas o que perde?

As empresas estão mais flexíveis. Há alguns anos os recrutadores (leia-se, empresas) eram consideravelmente mais inflexíveis no que às qualificações diz respeito, só convocando para entrevista de emprego os candidatos que reunissem todas as condições expressas nos anúncios de emprego. Hoje em dia, a coisa já é bem assim. Descubra porquê.

Embora isto não seja uma verdade universal, variando de país para país e de sector para sector, a realidade é que é uma tendência que tem vindo a crescer. Há inclusive algumas empresas que, para determinadas posições, deixaram, pura e simplesmente, de exigir a licenciatura na área XPTO, passando a exigir apenas formação superior.

Também na função pública

A função pública não é exceção, havendo hoje muitos procedimentos concursais com critérios consideravelmente mais flexíveis, sobretudo no que concerne às licenciaturas aceites.

A título de exemplo mencionar os concursos de acesso à carreira de investigação criminal da Polícia Judiciária. Há não muito tempo eram muito poucas as licenciaturas aceites, hoje o leque é muito mais alargado, aceitando candidatos de várias áreas do saber, designadamente: Arquitetura e Urbanismo, Biologia, Ciência Política e Relações Internacionais, Direito e Solicitadoria, Engenharia Civil, História, Matemática, entre outras. O mesmo se passa com outros concursos de acesso à Função Pública.

Como em tudo, há limites…

Há no entanto alguns limites. Em profissões de cariz técnico é muitas vezes impossível suprir a falta de uma determinada formação académica/técnica. Por exemplo, a lei determina que há atos que só podem ser praticados por advogados, sendo que só são considerados advogados os licenciados em direito que estejam escritos na respetiva ordem profissional. Quer isto dizer que alguém que não tenha uma licenciatura em Direito nunca poderá vir a ser advogado.

Que fatores explicam?

Um dos fatores que podem explicar esta tendência é o facto de haver uma grande concentração (leia-se, excesso) de licenciados em determinadas áreas, por exemplo nas áreas das humanidades/ciências sociais. Até há muito pouco tempo, poucas eram as pessoas que acedendo ao ensino superior fugiam aquilo que eram os cursos da “moda”: direito, psicologia, economia, gestão, etc.

Outro aspeto não menos importante,são as soft skills, isto é as competências que não podem ser propriamente aprendidas de um dia para o outro. Damos um exemplo, é fácil aferir se o candidato A ou B são licenciados numa determinada área, no entanto é muito difícil aferir sem qualquer iteração com os mesmos se são pessoas como o à vontade necessário para falar em público. Este tipo de competência tem sido cada vez mais valorizada e é hoje um fator de diferenciação muito importante.

O que fazer se não possuir os requisitos necessários?

Em primeiro lugar deve tentar perceber se os “requisitos” em falta são imprescindíveis ou se por outro lado são meros critérios de valorização. Isto é, se a licenciatura ou certificação que pedem é um por si só um fator de exclusão, então talvez seja melhor não avançar. Afinal de contas de pedem um médico não vão contratar um economista.

No entanto, se contribuírem apenas para pontuarem os candidatos, o nosso conselho é para que não deixe de tentar, sobretudo caso se trate de funções que gostasse de desempenhar. Nesta situação, poderá aumentar as suas hipoteses de conseguir o trabalho se:

  • Apostar num formato de currículo mais detalhado, não se limitando a colocar os aspetos tidos como essenciais. Embora o modelo de currículo de uma página seja considerado o ideal, carecendo de alguns dos requisitos tidos como necessários, colocar outras competências no curriculum poderá ajudá-lo a ser contratado;
  • Adapte a sua carta de apresentação/motivação ao recetor, alavancando a sua experiência e a forma como as suas competências poderão contribuir para o sucesso da empresa. Um bom exercício é colocar-se na pele do recrutador e pensar naquilo que estará à procura no candidato.

As suas credenciais e experiência podem não chamar a atenção do recrutador, no entanto poderá haver um outro ponto do seu currículo que sim.

Se por acaso tiver a “sorte” de ser chamado para uma entrevista de emprego e souber o nome do responsável que o vai entrevistar, recomendamos-lhe que faça alguma pesquia (LinkedIn, facebook, etc). Quem sabe se não terá pontos em comum com o entrevistador, seja porque são da mesma área de formação, estudaram no mesmo liceu/colégio/universidade ou têm amigos em comum.

A redação do trabalhador.pt

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