Emprestar dinheiro a amigos: entenda os riscos e saiba como os evitar

“Amigos, amigos, negócios à parte”. Quem conhece este ditado popular bem sabe o quão importante é separar as amizades das questões financeiras e profissionais – seja por ter sido testemunha de dissabores de conhecidos ou por ter passado pela desagradável e infeliz experiência de ter um calote de uma pessoa – outrora – estimada.

Emprestar dinheiro a amigos é certamente uma decisão um tanto quanto delicada, afinal de contas, perante a recusa de empréstimo, o amigo necessitado pode sentir-se ofendido e até mesmo ressentir-se daquele que lhe negou ajuda; todavia, aquele que opta por ceder ao pedido arrisca-se a ter de acarretar com prejuízo, além de ver desfeito o antigo laço de amizade. Que dúvida cruel!

Se está diante deste impasse e precisa de ponderar sobre os prós e contras de emprestar dinheiro a amigos, então vai encontrar neste artigo alguns conselhos úteis para lhe ajudar a tomar a decisão certa, evitando assim futuros arrependimentos. Continue a leitura!

Emprestar dinheiro a amigos: o que fazer e como agir?

Emprestar dinheiro a amigos é uma decisão difícil, pois existe a vontade genuína de ajudar quem nos é mais próximo – mas ao mesmo tempo o receio – totalmente compreensível – de nunca ter de volta na sua conta bancária a quantia emprestada. Pois bem, em primeiro lugar é preciso refletir sobre os motivos que levaram o seu amigo a pedir a sua ajuda (em vez de recorrer a um empréstimo bancário, por exemplo). Entenda:

  • Este sabe que, dificilmente, cobrará juros, procedimento padrão nas instituições financeiras;
  • Conhece-lhe suficientemente bem para saber que ficaria acanhado de exigir o valor emprestado (ou até mesmo receoso de colocar em risco a vossa longa amizade por causa de dinheiro);
  • Sabe que a devolução do dinheiro não é uma prioridade, tal qual seria se tivesse contraído uma dívida com uma entidade bancária, afinal, vocês são amigos, e os “amigos são para as ocasiões”…

Se mesmo assim decidir estender a mão (e a carteira) ao seu amigo, saiba o que esperar da situação para evitar dores de cabeça (algo provável se não tomar as devidas precauções):

1. O pagamento da dívida poderá não ser uma prioridade

Ao emprestar dinheiro a amigos é importante que esteja ciente que o pagamento do empréstimo poderá não ser uma prioridade (caso contrário, o seu amigo teria recorrido a um empréstimo bancário, e não a si…). Como em outras situações, poderão não existir mecanismos de débito direto nem juros, o pagamento poderá ser adiado, já que o seu amigo estará livre de consequências graves (como penhoras, por exemplo). Resumindo, na hora do pagamento, é quase certo que poderá faltar alguma “motivação”, sobretudo se o seu amigo for do tipo de pessoa que não se preocupa muito em honrar os compromissos.

Para evitar esse risco, sugerimos que tenham uma conversa franca antes de concretizarem o empréstimo. Deixe claro que está a emprestar dinheiro com a condição deste ser restituído até uma determinada data, o que dará ao compromisso alguma formalidade. Podem, inclusive, optar pelo parcelamento da dívida e até criar lembretes mensais de pagamento. Adotando estes cuidados, as probabilidades de evitar aborrecimentos podem diminuir consideravelmente.

2. Poderá ser difícil pedir o dinheiro de volta

Quanto mais próximo é da pessoa a quem empresta o dinheiro, mais difícil será exigir o pagamento da quantia emprestada. Isto acontece porque poderá existir algum receio de magoar o seu amigo – que provavelmente está a atravessar um período conturbado – e porque, por ser tão próximo, acaba por ser uma testemunha ocular dessas dificuldades – o que lhe coloca numa posição pouco confortável na situação. Se optar por exigir o pagamento, correrá o risco de ser acusado de ser insensível a esses mesmos problemas, mas a verdade é que caso não o faça, poderá ter de acarretar com o prejuízo.

Todavia, apesar do cenário pessimista, é possível contornar a situação com serenidade e empatia: em vez de empregar um tom agressivo na hora de exigir o pagamento, prefira manter a calma e fazer pequenas alusões relativamente ao empréstimo. Isso deverá ser suficiente para que o seu amigo entenda a importância de honrar a dívida contraída – e assim a amizade não correrá o risco de ser desfeita.

3. Eventual vulnerabilidade de quem recebe o empréstimo

Esta é uma situação muito comum caso decida emprestar dinheiro a amigos. Quem deixa de pagar a dívida, ou acaba por se atrasar no seu pagamento, seja este total ou parcial, coloca-se, involuntariamente, numa situação de vulnerabilidade, visto que o credor, mesmo sendo um amigo, pode impor exigências desconfortáveis para compensar o atraso. Ou seja, quem toma emprestado pode acabar por se tornar “cativo” de quem empresta, isto é, alguém que fica quase eternamente a dever um favor, o que poderá criar uma relação de domínio psicológico nada saudável.

Sugerimos que não seja essa pessoa que chantageia o próprio amigo, ainda que este lhe esteja a dever dinheiro. Para ter de volta a quantia emprestada, vale a pena reforçar aquilo que foi combinado, de forma honesta, e esclarecer os impactos que o não pagamento impõem na sua vida financeira. Lembre-se da amizade que construíram e tente ser o mais correto possível, pois só assim ficará em paz com a sua consciência.

É importante formalizar o empréstimo?

Quando o assunto é emprestar dinheiro a amigos, via de regra, ambas as partes abdicam de um contrato, postura adotada em razão do grau de proximidade entre os envolvidos. Não obstante, se os empréstimos forem vultuosos, não podemos deixar de recomendar que o formalize, através de um documento reconhecido por ambas as partes. Assim, poderá estar a evitar calotes e problemas judiciais.

Mas se achar necessário, poderá solicitar ao futuro devedor que assine um contrato de empréstimo, mesmo quando este for de pequenas quantias. Este documento proporcionará mais segurança de que o dinheiro será devolvido, pois motivará o seu amigo a restituir-lhe a quantia de forma mais séria e consistente.

Lembre-se: antes de emprestar dinheiro a amigos, considere que a quantia lhe poderá fazer falta perante uma eventual crise financeira, afinal de contas, “nunca se sabe o dia de amanhã”. Ademais, pode ser mais saudável para a amizade uma recusa elegante, explicando, educadamente, os motivos de não poder emprestar. Por fim, sugerimos que pense no seu futuro, pois só assim evitará estar no lugar de quem hoje lhe pede dinheiro emprestado. 

Luana Castro Alves

Licenciada em Letras e Pedagogia, redatora e revisora, entusiasta do universo da literatura, sempre à procura das palavras. "Não se pode escrever nada com indiferença." (Simone de Beauvoir)