Freelancer: vantagens e desvantagens do trabalho independente

O mundo do trabalho tem mudado radicalmente nos últimos anos. Novos conceitos estão a entrar no nosso léxico, por influência do desenvolvimento do mundo digital e da globalização. É o caso do freelancer. Apesar de sempre ter existido este tipo de trabalhador, só recentemente começou a ganhar algum protagonismo no mercado.

Vantagens de ser freelancer

Quando pensamos no trabalhador independente, é comum idealizarmos esta posição como um sinónimo de liberdade. Efetivamente, é isto que muitas vezes acontece, principalmente a quem consegue singrar e servir-se de tudo o que este estilo de vida tem para oferecer.

Mais flexibilidade com o trabalho remoto 

A conciliação da vida pessoal e profissional é um dos maiores desafios nos dias que correm. Isto é especialmente verdade para quem tem uma família e quer tentar aproveitar ao máximo todos os momentos. 

Encontrar opções que permitem usufruir melhor do tempo perdido no dia-a-dia, é então uma das prioridades de muita gente. É neste sentido que o trabalho remoto (ou teletrabalho) surge como uma opção viável, trazendo , de facto, uma maior flexibilidade à vida das pessoas.

Para além disso, e para os que não têm deveres familiares, a internet veio abrir as portas aos aventureiros que querem viajar ou viver em sítios diferente, sem que percam o seu emprego. Claro que isto só se tornou numa realidade, porque a internet facilitou muito o trabalho que, em muitos casos, já não depende do escritório, mas sim da rede. No entanto, apesar de ser possível trabalhar de qualquer sítio do mundo, também se pode escolher o escritório, como é o caso dos espaços coworking

Mais escolhas e variedade no mercado

Paralelamente a estas mudanças, vão-se criando mais oportunidades de trabalho. Isto é, hoje em dia, os freelancers conseguem criar uma maior rede de contactos através das redes sociais ou de plataformas que se focam neste tipo de trabalho. 

Muito ligado a isto está a possibilidade de escolher com quem trabalhar. É verdade que acontece já numa fase mais estável da carreira do trabalhador. Mas não deixa de criar mais oportunidades de trabalho. Além disso, havendo uma mais ofertas, existe também uma maior probabilidade de obter rendimentos mais altos.

Mais controlo sobre as decisões de trabalho

Neste sentido, o freelancer tem um maior controlo sobre as decisões tomadas acerca do trabalho que se dispõe a fazer. Não só pela capacidade de poder rejeitar clientes, como mencionado acima. Mas também porque pode discutir mais livremente o processo e o objetivo do trabalho, não ficando ainda sujeito a mercados específicos.

Desvantagens de ser freelancer

Muitos freelancers referem a falta de estabilidade profissional como uma grande desvantagem

Apesar dos muitos benefícios, temos que ter sempre em conta os dois lados da moeda. É comum criarmos ideias pré-concebidas sobre este estatuto, mas vida de freelancer pode não resultar para muitas pessoas. Continuam a existir responsabilidades e nem sempre tem-se o suporte necessário para prosseguir independentemente.

Obrigações fiscais do freelancer 

Há que ter em atenção que este tipo de trabalho não é sinónimo de fuga aos impostos. O freelancer é obrigado a seguir todos os passos exigidos pela Autoridade Tributária, para que não sejam cometidas ilegalidades.

Primeiro, é necessário abrir atividade nas finanças. Isto pode ser feito numa repartição ou diretamente no Portal das Finanças. Automaticamente, o trabalhador independente será inserido num regime simplificado. Mas isto pode mudar, caso tenha um rendimento anual liquido superior a 200 000€. Neste caso, terá que contratar um contabilista para elaborar dossiers fiscais todos os anos. 

A Segurança Social também não pode ser deixada de lado. Durante muitos anos, a lei foi mais favorável a este tipo de trabalhador. Por exemplo, até Janeiro de 2019 não se descontava no primeiro ano enquanto freelancer. Os trabalhadores que acumulassem trabalho independente e dependente também estavam isentos. Contudo, estes casos têm agora que pagar a Segurança Social, consoante o valor do rendimento relevante mensal médio. 

Outro aspeto a reter é o mecanismo para pagar o IRS. Se o trabalhador recebe mais de 10.000€ líquidos por ano, é obrigado a fazer a retenção da fonte todos os meses. Finalmente, e seguindo a mesma lógica, está o IVA. Caso o freelancer receba menos de 10.000€ num ano, está isento. Caso contrário, deve passar a cobrar o IVA nos seus serviços.

Menos convivência social

Apesar do teletrabalho parecer ser muito atrativo, pode-se tornar cansativo. Muitas vezes, trabalhar apenas de casa é um desafio, pois passa-se muito tempo no mesmo sítio e sozinho. Isto é principalmente um problema ao início, em que poderá não haver tanta disponibilidade financeira para alugar uma secretária num espaço coworking, por exemplo.

Aliado a isto encontram-se dois outros problemas. Estando em casa, podem haver muitas distrações, apesar do silêncio e do aparente sossego. Porém, e porque não existe horário de trabalho, pode acontecer que se trabalhe durante a noite. Aliás, isto pode até ser uma consequência de pedidos de clientes em cima da hora ou que requerem uma maior rapidez na prestação do serviço. Nestas situações, os horários estarão desfasados com a maioria das pessoas.

Menos estabilidade laboral

Não tendo um contracto de trabalho, a vida do freelancer é mais instável do ponto de vista de produção. Em particular aqueles que estão a começar, sendo que o maior desafio poderá ser efetivamente ter trabalho. Aliás, a competição do mercado é, normalmente, muito alta. Criar um nome no meio pode ser um processo moroso.

Mas mesmo tendo clientes, estes podem ser esporádicos e/ou temporários. Ou seja, de um momento para o outro, o freelancer pode ficar sem trabalho. Por isso mesmo, é necessário um grande trabalho de procura e de networking para se conseguir uma fonte de rendimento mais estável.

Menos benefícios para os freelancers

O trabalhador independente – como a palavra indica – não tem nenhuma entidade patronal a quem esteja subordinado. Quer isto dizer que vários dos benefícios que os trabalhadores de empresas têm, não se estendem ao freelancer.

Por exemplo, este trabalhador não recebe subsídio de férias nem de natal. Neste sentido, também o seguro de saúde tem de ser adquirido particularmente.

Assim, ser-se freelancer em Portugal comporta as suas vantagens e desvantagens. É verdade que alguns trabalhadores poderão não se adequar muito bem a este estilo de vida. Mas se a situação for bem gerida, a vida das pessoas fica bastante valorizada e pode até vir a contribuir para um futuro profissional mais equilibrado.

A redação do trabalhador.pt

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