Fumo passivo: conheça as consequências para a sua saúde

Ser um fumador passivo, ou fumador em segunda mão, significa respirar o fumo do tabaco de outras pessoas. Quando alguém fuma, a maioria do fumo não vai para os seus pulmões, mas sim para o meio circundante, e aí está o perigo para os indivíduos em redor.

Com as novas leis implementadas em Portugal, e a proibição de fumar em espaços públicos, como shoppings e cafés (exceto em locais com esse propósito), o fumo passivo tem se tornado um problema menos frequente. Ainda assim, é ainda uma realidade em muitos espaços e demasiadas casas, sendo de particular risco para as crianças.

Ao contrário de outras substâncias, o fumo do tabaco tem tendência a permanecer suspenso, a meio do ar, em vez de dispersar, criando uma nuvem de fumo que é rapidamente inalada por outros indivíduos que se encontrem no mesmo espaço.

Quais as consequências do fumo passivo?

O tabaco contém mais de 4000 químicos, e pelo menos 250 causam doenças, que podem causar problemas de saúde não só aos fumadores como aos fumadores passivos. Entre as doenças possíveis encontram-se alterações pulmonares, como DPOC (doença pulmonar obstrutiva crónica) e cancro do pulmão; assim como alterações noutros sistemas. É já uma realidade bem conhecida o aumento da incidência de cancro dos mais variados órgãos devido ao tabaco.

Acresce que compostos encontrados no tabaco, como amónio, sulfato e formaldeído são especialmente danosos para indivíduos com problemas respiratórios como asma e bronquite, podendo agravar os sintomas de base.

Apesar de haver uma convergência de riscos associados ao fumador passivo, podem ser mais ou evidentes em diferentes estadios do crescimento e da vida, como na gravidez, na infância e na idade adulta.

Riscos na gravidez

A gravidez, por ser um período de desenvolvimento de um novo indivíduo, é uma altura muito especial, onde se devem redobrar cuidados. É essencial que as grávidas evitem fumar e que evitem o fumo passivo, já que este pode causar, entre outros:

  • Abortos;
  • Partos prematuros;
  • Baixo peso ao nascimento;
  • Aumento de síndrome de morte súbita infantil;
  • Complicações durante o parto.

Riscos na infância

As crianças, por se encontrarem ainda em desenvolvimento e por terem uma frequência respiratória superior aos adultos, têm um risco aumentado associado ao fumo passivo.

Crianças que vivem em casas onde um ou ambos os pais ou cuidadores fumam têm um risco aumentado de infeções respiratórias (como bronquite, bronquiolite e pneumonia) – mais frequentes até aos 18 meses – assim como um conjunto de doenças respiratórias mais leves como constipações e otites. Nesta idade irá ter implicações no normal desenvolvimento dos pulmões.

Existe igualmente um risco aumentado de desenvolvimento de asma e as exacerbações desta doença serão mais graves e frequentes.

Risco em jovens-adultos e idosos

Como vimos, os riscos estendem-se por todas as faixas etárias. Nestes indivíduos, considerando a exposição prolongada ao fumo do tabaco, por vezes por várias décadas, existe um aumento de incidência das seguintes situações:

  • Doença cardíaca e enfarte agudo do miocárdio (ataque cardíaco);
  • Aterosclerose;
  • Cancros dos pulmões (pode aumentar o risco até 30%), faringe, laringe, mama, entre outros;
  • DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica);

Como reduzir o risco do fumo passivo?

Tendo em conta toda a panóplia de riscos apresentada é essencial diminuir os fumadores passivos ao máximo. Existem leis que protegem a sociedade, mas deve partir do fumador a segurança das pessoas com quem convive, em particular das crianças. Para isto deve evitar fumar em espaços fechados (incluindo em carros, mesmo com as janelas abertas – associado a risco de contacto com substâncias nocivas 100 vezes superior ao recomendado). Por outro lado, é importante o apoio de amigos e família para que o fumador consiga largar o vício.

É preciso nunca esquecer que o tabaco contém substâncias aditivas que tornam a abstinência tabágica difícil de atingir. Além do apoio que o meio envolvente pode oferecer existem consultas especializadas nos Centros de Saúde (USFs e UCSP – Unidades de Saúde Familiar e Unidades de Cuidados de Saúde Personalizados) que com alterações de comportamento e, se necessário, medicação, ajudam o indivíduo a deixar de fumar.

Cigarros eletrónicos e fumadores passivos

Em nota final, com a nova tendência de cigarros eletrónicos coloca-se a questão se também existe o conceito de fumador passivo neste contexto. O que se sabe até à data é que o fumo libertado pelos cigarros eletrónicos é menos nocivo para os restantes indivíduos do que o de um cigarro tradicional, o que não quer dizer que esteja isento de risco. Os cigarros eletrónicos ainda libertam nicotina, formaldeído, metais pesados entre outros, que poderão levar a tosse, inflamações da garganta, infeções respiratórias, agravamento da asma e de alergias nas pessoas que contactam com estes vapores. No entanto, são necessários mais estudos nesta área.

Lúcia Ribeiro Dias

Mestre em Medicina

Adicionar comentário