Hábitos alimentares: como podem transformar a nossa vida?

Os hábitos alimentares são uma espécie de “colcha de retalhos”. Pouco a pouco, vão definindo aquilo que é a nossa rotina alimentar, e quando menos esperamos, tomam conta da nossa vida.

A nossa rotina alimentar pode ser benéfica ou nociva e, em função disso, pode impactar a nossa vida de diferentes formas. A boa notícia é que podemos criar novos hábitos alimentares e, a partir disso, transformar o nosso quotidiano e a nossa vida. Afinal, uma boa alimentação é um dos princípios de uma vida saudável.

Os “viciados” e os “comilões por natureza”

É relativamente comum ouvir pessoas que dizem que estão viciadas num determinado alimento ou que são “comilonas por natureza”. Mas serão estes vícios ou hábitos alimentares? Nós respondemos.

O que acontece na verdade é que, ao longo da vida, foram construindo hábitos alimentares que levaram a esse tipo de comportamento. Ninguém nasce viciado em comida ou é “comilão por natureza”, isto, nada mais é, que uma construção.

Os hábitos alimentares são como uma estrada

Pense no hábito como um caminho que faz todos os dias para ir a um determinado local, para a escola, para a universidade ou para o trabalho. Caso essa estrada seja de terra, é expectável que os pneus deixem marcas, no entanto, se parar de passar por essa estrada, aos poucos as marcas vão desaparecendo.

Os nossos hábitos alimentares são caminhos neurais construídos no cérebro. Quanto mais os repetimos, mais fortes ficam. Se quer construir um novo caminho, basta repeti-lo até se tornar um novo hábito. Faz sentido, não faz?

É importante entender como funciona o cérebro

São várias as pesquisas que mostram que os hábitos alimentares (bem com todos os outros) são formados por três estágios principais:

  • Gatilho: tudo aquilo que nos leva a praticar uma determinada ação. Seja um horário, um bilhete, um convite para uma festa, um cheiro, etc.
  • Rotina: a ação propriamente dita.
  • Recompensa: o prazer que sentimos após a rotina.

Deixamos-lhe um exemplo da força dos hábitos alimentares. Vamos supor que todos os dias às 16h tem o hábito de comer bolo de chocolate. Mas quer parar com este hábito, afinal de contas, o bolo tem muito açúcar e o colesterol é um problema.

Segundo Charles Duhigg, jornalista norte-americano e autor que escreveu “A força do hábito”, onde aborda a o impacto dos hábitos alimentares (mas não só) na nossa vida, não é possível mudar o gatilho e a recompensa.

A vontade de comer bolo de chocolate todos os dias pelas 16h não vai desaparecer só porque sim. A recompensa, que é o prazer envolvido nesse momento, também não vai, nem com muita força de vontade.

O que é possível de se mudar é a rotina. Por isso, parece-nos adequado um exemplo relatado no referido livro, onde se ilustra na perfeição a força dos hábitos alimentares.

Um homem estava habituado a comer bolachas todos os dias percebeu que não tinha necessidade de as comer. No horário que estava habituado a come-las, fez um teste: foi até à padaria a que ia todos os dias, sentou-se e comeu fruta. Conversou com as mesmas pessoas e voltou ao trabalho.

Chegando ao trabalho não sentiu falta das bolachas. Na verdade, percebeu que precisava era de uma pausa naquele horário para relaxar e socializar. Parece algo pequeno, mas foi uma grande descoberta. Na verdade, não era “viciado” em bolachas, mas necessitava de um pequeno alívio antes de voltar a trabalhar. Curioso, certo?

Eis a chave da questão: o nosso cérebro precisa de momentos de prazer. E muitas vezes confundimos esse prazer com vícios alimentares, quando na realidade não passam de hábitos alimentares. E por isso dizemos:

  • “Eu preciso de um doce para acalmar”;
  • “Sou viciada em salgados, não há nada que mude isso”;
  • “Tu não me conheces, pareço uma formiga atrás de doces”.

Todas estas frases relatam o que os cientistas descobriram: as hormonas relacionadas com o prazer são libertadas quando comemos determinados tipos de alimentos. O cérebro entende que depende daqueles alimentos para se sentir bem. Mas isso não é verdade!

O cérebro coloca-nos então numa espécie de “armadilha”. Achamos que faz parte da nossa personalidade “ser comilão”, ou que uma vez que os hábitos alimentares estão instalados, faz parte do nosso “destino” comer alimentos processados, que nenhum bem fazem à saúde.

Mentira! O nosso corpo não foi feito para receber excesso de hidratos de carbono ou de açúcares, muito pelo contrário. O que precisamos de entender é que há um mecanismo envolvido nisso, e este pode ser quebrado. Como?

Depois de entender a formação dos hábitos alimentares, pode então construir novas rotinas. Ao invés de comer sempre aquele doce ou um determinado alimento, substituía-o por algo saudável e faça o teste por si mesmo.

Vai perceber que o cérebro procura um sentimento de alívio ou até mesmo de uma pequena pausa, onde não é necessária uma grande quantidades de alimentos. Aos poucos, pode ir substituindo um prazer por outro que seja mais benéfico a longo prazo. Isso vale para todos os vícios.

Quero emagrecer mas tenho maus hábitos

Antes de mais ´é importante que perceba quais são os gatilhos que o levam à comida. É a televisão? É a mania de comprar alimentos processados, por serem mais fáceis de serem consumidos?

Identificados os gatilhos, procure alterar as suas rotinas aos poucos. Se há pessoas do seu trabalho que, todos os dias, num determinado horário comem alimentos não saudáveis, prepare-se e leve frutas, castanhas, um sanduíche natural ou um iogurte para aquele horário.

Tempo para alterar os seus hábitos alimentares

Em quanto tempo consigo mudar os meus hábitos alimentares? Esta é uma pergunta muito comum para a qual não existe uma resposta definitiva. No entanto, é importante respeitar o seu tempo, isto porque os especialistas e psicólogos dizem que o tempo necessário para alterar os hábitos alimentares varia de pessoa para pessoa.

Não obstante, estima-se que 21 dias são o período de tempo mínimo para a formação de um novo hábito alimentar. Para criar uma nova rotina alimentar, as três primeiras semanas são mais difíceis, mas depois tudo fica mais fácil.

Para os hábitos alimentares se tornarem algo estável, poderão ser necessários 2 ou 3 meses. Mas pense connosco: o que são 90 dias diante de toda a nossa vida? Vale a pena fazer a mudança se procura saúde e longevidade.

É importante não estar sempre a cobrar a si próprio. Nada precisa ser assim tão radical. Se quer mudar os seus hábitos alimentares e perder peso corporal, veja bem quais horários e ocasiões em que é habitual cometer mais exageros.

Caso seja durante a noite, deixe preparado, com antecedência, uma salada ou um prato de carne ou peixe temperado. Assim, não corre o risco de comer outras coisas quando chegar em casa.

Além disso, nada como começar a praticar exercício físico, pelos menos, duas vezes por semana. As atividades físicas libertam endorfina, uma hormona importante para que o seu cérebro sinta prazer.

Não gosto de atividade física, e agora?

Descubra algo que goste. E comece aos poucos. Talvez não goste de ginásios, mas nada o impede de optar por exercícios ao ar livre. Há muitos! Voleibol, natação, funcional, dança, etc. Temos a certeza de que depois de 21 dias, vai-se adaptar.

A construção de novos hábitos alimentares não é um segredo. Até pode ser difícil no início, no entanto, ao final de algumas semanas, passam a ser parte da sua rotina. Respeite o seu tempo, e com paciência, vivendo um dia de cada vez, conseguirá criar novos e melhores hábitos.

A redação do trabalhador.pt