Hemorroidas: o que são, tipos, sintomas e tratamentos

Hemorroidas. Uma palavra de som desagradável, e que para alguns pode soar até mesmo como um palavrão. O problema, tão antigo quanto usual, é rodeado de mitos e tabus, que seriam facilmente elucidados se o tema fosse discutido com a naturalidade que merece. Afinal de contas, todo nós conhecemos alguém que sofre ou já sofreu com as hemorroidas, não é verdade? Então, porque não falar sobre este assunto e esclarecer as suas causas, sintomas e tratamentos?

Se está a passar por esta situação, fique tranquilo. Embora sejam extremamente desconfortáveis, as hemorroidas podem ser facilmente eliminadas da sua vida. Fique atento às informações que trazemos para si neste artigo, que certamente lhe vão ajudar a quebrar todas as barreiras e preconceitos. Boa leitura!

O que são as hemorroidas?

Este é o nome dado aos vasos sanguíneos do ânus quando estão dilatados, isto é, aumentados. As hemorroidas podem ser internas, quando estão localizadas dentro do ânus ou na parte inicial do reto, e externas, neste caso, localizadas na abertura anal, projetando-se para fora do ânus, sendo esta saliência chamada de prolapso.

Sangramento e dor são as manifestações mais frequentes das hemorroidas, que podem afetar a qualidade de vida do paciente, sobretudo quando não tratadas corretamente.

Como já referido, as hemorroidas são um problema comum, que pode afetar, de acordo com pesquisas, até metade da população adulta ao longo da vida. Felizmente, a doença é incomum antes dos 20 anos de idade, atingindo mais frequentemente pessoas acima de 40 anos.

Quais os fatores de risco das hemorroidas?

Os seres humanos são naturalmente propensos a terem hemorroidas. Isto acontece em razão de nossa postura ereta, responsável por aumentar a pressão sobre as veias da região anal. Todavia, algumas pessoas apresentam uma tendência genética ao problema, que pode ser agravada em decorrência de fatores ambientais.

Conheça agora os principais fatores de risco das hemorroidas:

  • Esforço na hora de evacuar: A dilatação e retração das veias é normal durante o movimento intestinal, porém, quando se faz muito esforço para evacuar, isso pode impedir o processo de drenagem do sangue, facilitando assim a formação das hemorroidas.
  • Hereditariedade: a tendência genética é considerada o principal fator de risco das hemorroidas. Portanto, se familiares seus já passaram por este problema, fique atento, pois é um forte candidato a desenvolver a doença hemorroidária.
  • Constipação ou fezes ressecadas: a constipação, bem como as fezes secas, obrigam a um maior esforço na hora de evacuar, o que pode levar ao surgimento de hemorroidas. O problema costuma afetar pessoas que não se hidratam corretamente e/ou consomem fibras em quantidades insuficientes.
  • Diarreia: pessoas que sofrem de diarreias constantes têm mais probabilidades de desenvolver hemorroidas. Uma dieta equilibrada, que possa regular o intestino, é a principal responsável pela retração da dilatação. Lembrando que o uso crónico de laxantes também está entre os fatores de risco para a doença hemorroidária.
  • Obesidade: O excesso de peso pode aumentar a pressão nas veias abdominais, provocando o surgimento das hemorroidas. Aconselhamos que procure ajuda de um nutricionista ou de um médico endocrinologista, profissionais que lhe indicarão o tratamento mais adequado contra a obesidade.
  • Gravidez: outro fator de risco, a gravidez pode levar ao surgimento de hemorroidas, sobretudo no fim da gestação, momento em que o peso sobre as veias da região anal é maior.
  • Envelhecimento: à medida em que a idade avança, há uma perda natural de colágeno, o que leva os vasos sanguíneos a descer, causando flacidez e hemorroidas.
  • Sedentarismo: a falta de atividade física diminui o estímulo para a digestão dos alimentos e irrigação sanguínea do ânus.

Quais os principais sintomas das hemorroidas?

Os sintomas das hemorroidas costumam ser bastante dolorosos, impactando na rotina do paciente de maneira bastante desagradável. Conheça os principais:

  • Sangramento anal, com ou sem dor;
  • Sangue nas fezes ou no papel higiénico após a higienização. Esse sangramento é resultado do rompimento das veias anais;
  • Comichão ou irritação no ânus, provocados pelo inchaço das veias, o que aumenta a tensão sobre as terminações nervosas;
  • Sensação de latejamento;
  • Dor contínua durante ou depois de evacuar;
  • Sensação de evacuação interrompida;
  • Nódulo (prolapso) doloroso ao redor do ânus.

Se apresentar estes sintomas, procure ajuda médica. Caso as hemorroidas não sejam tratadas, podem levar a complicações como sangramento, dor e trombose hemorroidária, isto é, entupimento do vaso que pode ocasionar dor aguda.

Diagnóstico e tratamento das hemorroidas

O diagnóstico da doença hemorroidária é feito em consultório médico, sendo o suficiente, na maioria das vezes, apenas o exame físico da região anal. Não obstante, o médico poderá solicitar também uma anuscopia, exame indolor e rápido em que um tubo fino é inserido no reto. Além disso, o profissional poderá pedir exames complementares para uma melhor avaliação.

Quanto ao tratamento, este dependerá do grau das hemorroidas, a saber:

  • Hemorroidas de grau 1: Não há prolapso (saliência, nódulo);
  • Hemorroidas de grau 2: A hemorroida é externa, mas retrai espontaneamente;
  • Hemorroidas de grau 3: Há exteriorização da hemorroida, sendo necessário o auxílio manual para que volte ao normal;
  • Hemorroidas de grau 4: Há exteriorização, e nem mesmo o auxílio manual é capaz de fazer o prolapso voltar ao normal.

Nos casos mais simples de hemorroidas, mudanças comportamentais ou uso de pomadas serão o suficiente para tratar a hemorroida. Conheça algumas terapias:

  • Mudanças na dieta: incluir mais fibras e água na dieta é uma medida simples que certamente facilitará a evacuação. Além disso, se sofre com as hemorroidas, elimine o consumo de álcool, café e condimentos, pois estes podem agravar o desconforto e causar irritação. Opte por lenços humedecidos em vez de papel higiénico e, se possível, faça um duche higiênico da zona após evacuar. Prefira roupas interiores confortáveis, que não sejam justas ao corpo.
  • “Banhos de assento”: a medida caseira é bastante simples e aparentemente eficiente, minimizando o desconforto provocado pelas hemorroidas externas. Alguns minutos em contato com água morna deverão ser suficientes.
  • Medicamentos: pomadas e supositórios podem ser indicados pelo médico, pois são capazes de diminuir a inflamação e a dor local.

Já os casos mais graves de hemorroidas, apenas 5% do total de ocorrências, necessitarão de intervenção cirúrgica. É fundamental ressaltar que o procedimento é simples, e a recuperação costuma ser rápida. Conheça alguns métodos:

  • Procedimentos locais: a ligadura elástica ou esclerose faz uso de dispositivos que propiciam o encolhimento da veia dilatada. A cicatrização pode levar dias ou semanas, entretanto, o tecido é eliminado.
  • Cirurgia: nesta, é feita a retirada, com anestesia, dos mamilos hemorroidários. Embora o seu pós-operatório seja mais longo do que o procedimento anteriormente relatado, apresenta baixo índice de recidiva. Técnicas menos invasivas, como o grampeamento e a desarterialização hemorroidária transanal, vêm sendo bastante indicadas pelos médicos, especialmente nos casos de hemorroidas internas e prolapso.

As hemorroidas têm cura?

Sim, e os tratamentos disponíveis são bastante eficazes. Quando a terapia é feita à base de medicamentos, termina mais rapidamente do que os casos cirúrgicos, por exemplo. Apenas o médico poderá avaliar cada caso e indicar o tratamento mais adequado, por isso, evite a automedicação e “tratamentos caseiros” sugeridos por pessoas sem o devido conhecimento do problema.

É indispensável que procure aconselhamento de um especialista, pois somente assim poderá evitar complicações e aprender sobre métodos preventivos capazes de evitar que as hemorroidas voltem a aparecer. Cuide-se!

Luana Castro Alves

Licenciada em Letras e Pedagogia, redatora e revisora, entusiasta do universo da literatura, sempre à procura das palavras. "Não se pode escrever nada com indiferença." (Simone de Beauvoir)