Igualdade salarial: dicas para a eliminação do fosso salarial

Em 2020, a luta pela igualdade salarial entre sexos continua ativa. Ainda no ano passado, de acordo com o Ministério do Trabalho, a diferença salarial entre homens e mulheres em Portugal era de 16,7%, o que se traduz numa diferença de 2464€ por ano. Já em cargos de liderança, a diferença é ainda maior: os homens recebem, em média, mais 9 mil euros do que as mulheres.

Para combater estas desigualdades, Portugal implementou em 2019 uma lei que obriga à igualdade salarial entre homens e mulheres, ou seja, as empresas têm agora de justificar diferenças salariais sempre que as funções desempenhadas forem as mesmas.

Com os crescentes movimentos a favor da igualdade salarial, várias empresas estão a começar a perceber a importância de atribuírem salários justos independentemente de género – algo óbvio, mas ainda não evidente para alguns.

Em Nova Iorque, por exemplo, leva-se a sério a implementação de medidas em direção à igualdade salarial. A partir de agosto de 2019, várias formações sobre como as mulheres podem pedir aumentos salariais começaram a ter lugar nas cinco principais zonas administrativas na cidade. O objetivo é diminuir as disparidades salariais entre sexos.

Apesar dos claros esforços para atenuar assimetrias, a luta só é dada como concluída quando a igualdade salarial for uma realidade e quando o trabalho da mulher for tão valorizado quanto o do homem. Tendo em conta que qualquer assunto relacionado com dinheiro pode deixar muitos desconfortáveis, este não é exceção, principalmente para as mulheres que se sentem frequentemente intimidadas por pedir o salário que consideram justo. Assim, decidimos reunir algumas dicas para facilitar este processo.

Compreenda o custo de não negociar

De acordo com Linda Babcock, professora de Economia na Universidade Carnegie Mellon, muitas mulheres, ao não negociarem, sacrificam mais de meio milhão de dólares até ao fim das suas carreiras. Além disso, segundo a sua pesquisa, apenas 12% das mulheres negoceiam salários em comparação com 52% dos homens.

Por não negociar, está definitivamente a fazer menos do que merece simplesmente porque não tentou.

Pratique e mostre o seu valor

Existe a perceção de que as mulheres não são boas a negociar… o que as leva a não o fazer e a deixar essa ideia falaciosa persistir na sociedade. Não precisa de ser uma ótima negociadora, precisa apenas de estar confiante nas suas capacidades e no contributo que pode trazer para a empresa. E não há nada que a prática não resolva. Comece por coisas pequenas como negociar o preço do seu pacote mensal de dados, por exemplo. Com o tempo ganhará mais confiança e sentirá mais à vontade para eventualmente propor um aumento.

Faça a devida pesquisa

Saiba qual é o típico salário para a sua posição e mencione essa mesma estatística no momento da conversa com o seu patrão. Pode utilizar sites como Glassdoor ou Salary.com para obter uma ideia. Poderá também considerar falar com pessoas que trabalham no mesmo setor e que desempenham as mesmas tarefas que você. Com esta informação básica, poderá reunir argumentos sólidos e apresentá-los assim que necessário.

Descreva as suas conquistas e seja confiante

Enumere as suas capacidades e relembre a razão pela qual foi contratada. Apresente casos de sucesso em que ajudou a empresa a alcançar objetivos ou a angariar novos clientes.  Não tenha medo de mostrar o seu valor.

A nível do discurso propriamente dito, evite utilizar expressões como “eu acho” ou “talvez”, pois está apenas a mostrar insegurança da sua parte. O mesmo se aplica para o tom que utiliza, ou seja, não acabe as frases em forma de pergunta. Seja assertiva e confiante.

Negoceie cooperativamente

No tipo de negociação cooperativa, o negociador menciona os benefícios para todas as partes envolvidas, ou seja, transforma a situação numa experiência de resolução de problemas para ambos os lados.

Através de uma conversa honesta com o seu superior, poderá descobrir informação nova como, por exemplo, a empresa pode não conseguir aumentar o seu salário neste momento, apenas mais tarde. Talvez descubra que a empresa está disposta a pagar mais a pessoas que trabalhem mais cedo durante a manhã. Se por outro lado, o aumento estiver fora de questão, poderá pedir mais dias de férias ou outros benefícios que a empresa lhe possa conceder. 

Por fim, lembre-se que se não perguntar a resposta será sempre não. Tenha confiança nas suas competências e expresse honestamente a sua vontade em ganhar mais dinheiro. Não há problema nenhum e é um direito que lhe assiste. Esperamos que as dicas tenham sido úteis. Boa sorte!

Catarina Fonseca

Desde cedo uma curiosa nata, decidiu seguir Ciências da Comunicação para desenvolver a sua paixão pelo jornalismo e pela escrita. Agora formada, gosta de se aventurar pelo mundo, conhecer novas pessoas e culturas, e leva sempre um caderno e câmara fotográfica às costas para eternizar as suas experiências.

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