Inteligência emocional: qual a razão de ser tão importante?

Para além da formação académica e da experiência profissional, requisitos que podem ser facilmente comprovados, é cada vez mais habitual que os anúncios de emprego mencionem outros aspetos que podem ser valorizados, por exemplo: a capacidade de resistência ao stress, o trabalho em equipa e a facilidade em falar em públicas.

No entanto, há uma “competência” (chamemos-lhe assim) que embora muitas vezes não esteja mencionada no anúncio de emprego é muito importante: a inteligência emocional.

Neste artigo abordamos, entre outros, o conceito de inteligência emocional, a sua importância no mercado de trabalho e os motivos pelos quais é considerada imprescindível no trabalhador moderno, partilhando algumas dicas de como melhorar a inteligência emocional.

O que é a inteligência emocional?

A inteligência emocional nada mais é que a capacidade que cada um tem de lidar com as próprias emoções. Sem prejuízo da sua importância nas interações de cariz pessoal/social que estabelecemos no dia a dia, saber lidar com as nossas emoções assume-se como particularmente relevante no mundo do trabalho, designadamente nas relações profissionais com colegas de trabalho e superiores hierárquicos).

A inteligência emocional é uma das competências que, para além da formação académica e da experiência profissional, é mais valorizada pelas empresas nos processos de admissão de novos colaboradores, não sendo incomum que os recrutadores coloquem questões durante as entrevistas de emprego que têm como objetivo aferir o “nível” de inteligência emocional dos candidatos.

No fundo, a inteligência emocional trata-se de uma junção entre a razão e a emoção – que, no passado, eram tidas como opostas, mas, hoje, sabe-se que podem (e devem) andar juntas. Da mesma forma, os comportamentos pessoais não podem mais ser dissociados do trabalho. É preciso entender que sentimentos e sensações influenciam a forma como cada pessoa lida com os problemas e como se comporta ao tomar decisões, o que se aplica totalmente na vida profissional.

Por isso, o termo “inteligência emocional” tornou-se presença constante no mundo corporativo, como algo necessário independentemente da área profissional onde se atue e da função que se ocupe dentro de uma empresa, passando pelas posições de liderança/administração até às funções da base da pirâmide.

Importância da inteligência emocional no trabalho

Somos seres humanos e isso significa que não é possível simplesmente apertar um botão e alterar subitamente o nosso estado de humor só porque simplesmente iniciamos o nosso dia de trabalho. Por mais que seja importante evitar que os problemas pessoais interfiram na vida profissional, o nosso estado emocional acaba por afetar a forma como agimos no trabalho, seja nas relações com colegas de trabalho, na forma como respondemos aos clientes ou na forma como lidamos com uma situação desconfortável e/ou desafiadora.

Por isso, não só é importante ter inteligência emocional, mas também saber como utilizá-la em seu favor, alinhando a vida pessoal com a vida profissional e pensando, não apenas no crescimento individual ou nos resultados da empresa, mas, principalmente, no sucesso em um sentido mais amplo.

Um dos papéis fundamentais da inteligência emocional é melhorar as relações sociais e interpessoais, competências que são essenciais no mundo do trabalho, onde coabitam perfis e personalidades muito diferentes – afinal de contas, quem é que nunca teve um atrito com um colega de trabalho ou superior hierárquico?

Ser inteligente emocionalmente impacta positivamente a:

  • Capacidade de trabalhar em equipa;
  • Comunicação e empatia com os demais (isto é, colocar-se no lugar do outro);
  • Capacidade de cooperação e de enfrentar os momentos potencialmente desconfortáveis (por exemplo: situações de stress e conflito) sem que isso afete os resultados;
  • Tomada de decisões;
  • Entre outros.

Características de quem tem inteligência emocional

Não há propriamente uma regra para determinar se uma pessoa é inteligente emocional ou não. Há sim um conjunto de características que são habitualmente associadas a pessoas com um bom nível de inteligência emocional. Partilhamos algumas:

  • Conhecer os seus pontos fracos – Ter consciência de quais são os seus pontos fortes e a capacidade de reconhecer os seus pontos fracos e as suas limitações permite que trabalhe as suas fraquezas de forma a não atrapalhar o seu desempenho no trabalho.
  • Conseguir as emoções – Consiste, basicamente, em conseguir manter o autocontrolo e “não sair de si” quando em situações de stress ou dificuldade, seja na vida pessoal ou vida profissional.
  • Saber ouvir – Embora possa parecer fácil, saber ouvir alguém verdadeiramente pode não ser fácil. Certamente conseguir ouvir alguém falar, mas estará de facto a prestar atenção ao que é dito? Estará verdadeiramente disposto a perceber o ponto de vista dessa pessoa?
  • Pensar no outro – Prestar atenção ao que os outros falam é, também, uma forma de se mostrar aberto a conhecê-los. Criar diálogos, saber do que as pessoas gostam, partilhar gostos comuns, entender pelo que estão a passar, as suas motivações ou as suas deceções.
  • Evitar rancores – Ao criar afinidade e aprender a pensar no próximo, o rancor fica cada vez mais distante. Mesmo como pessoas tóxicas, que habitualmente habitam o escritório, é sempre possível simplesmente afastar-se. E isso é francamente positivo, dado que guardar sentimentos negativos não lhe traz nada de positivo.
  • Ter motivação – A motivação vem da própria pessoa, independente de ter ou não um superior hierárquico que lhe consiga gerar esse tipo de estímulo. Uma pessoa que se consegue motivar por si própria consegue ficar feliz com cada pequeno objetivo.
  • Ser flexível – A vida é dinâmica e quando menos se espera as coisas mudam. Ser flexível é saber confiar, saber adaptar-se e “não ter medo” (isto é, estar preparado mentalmente) para as mudanças, sejam estas pessoais ou profissionais.
  • Saber dizer não – Quanto mais desenvolvida esta capacidade, melhor. Quem fica paralisa com receio de dizer ‘não’ acaba por sofrer com o stress e isto apenas o prejudica. Como habitualmente se diz, os bons amigos são aqueles que dizem conseguem dizer não.
  • Conseguir desligar-se – Por mais difícil que seja a fase que esteja a passar no trabalho, há efetivamente quem consiga colocar essa pressão de lado na hora de fazer o que precisa ser feito. Saber parar, respirar e, principalmente, aproveitar o tempo livre com o pensamento longe das questões profissionais é muito importante, quanto mais não seja para evitar o burnout.

Benefícios da inteligência emocional na carreira

Há pesquisas que mostram que o quociente emocional (QE) tem uma influência maior no sucesso do que o quociente de inteligência (QI). Ou seja, de nada adianta possuir excelentes conhecimentos teóricos e práticos se não conseguir um equilíbrio emocional. Esta é certamente uma característica que faz a diferença para um profissional.

São os conhecimentos que ajudam na execução das tarefas e no cumprimento de metas. Mas não podemos negar o facto que isso funciona de uma forma consideravelmente melhor quando há autocontrolo perante situações potencialmente difíceis, motivação para executar as tarefas necessárias (independente de ter ou não vontade de fazê-las), um bom relacionamento com os seus colegas de trabalho e, não menos importante, respeito e capacidade de saber lidar com as críticas sem que isso gere demasiado stress.

E isto aplica-se tanto para alguém que ocupe uma posição de entrada na empresa, como para os administradores da mesma, isto é, para quem está a coordenar e para quem está a executar.

As empresas estão cada vez mais atentas a estes comportamentos – daí a importância da inteligência emocional. Muitas disponibilizam profissionais que atuem nesse sentido, ajudando os funcionários a gerirem melhor as suas emoções, o que beneficia, também, a própria empresa, que consegue obter melhores resultados, além de um ambiente mais harmonioso e produtivo.

Talvez ainda não tenha todas estas características bem desenvolvidas, o que é natural, pois durante muito tempo era muito pouco comum trabalhar o lado emocional. Mas tudo é um exercício e pode começar hoje mesmo a repensar algumas das suas atitudes. Faças uma autoavaliação e, aos poucos, vá mudando a forma como age com que o rodeia. Afinal de contas a inteligência emocional é algo que pode se trabalhado com o tempo.

Fique atento e lembre-se sempre que a inteligência emocional no trabalho é essencial para o sucesso no trabalho.

Mariana Bueno

Brasileira, jornalista e escritora. Desde criança tem os livros como os seus grandes companheiros e, mais tarde, transformou a escrita em profissão. É formada em Comunicação e pós-graduada em Media Digitais. Gosta de transmitir informações por meio dos seus textos e adora ouvir e contar boas histórias, de preferência as que descobre ao viajar por diferentes lugares.