Melhores livros de romance de sempre: conheça a nossa seleção

Ler é um prazer incomparável! Este hábito, além de proporcionar bons momentos de relaxamento e distração, permite-nos refletir sobre a nossa própria realidade a partir de universos fictícios, afinal de contas, quem nunca se viu às voltas com a própria imaginação depois de mergulhar numa história cheia de acontecimentos e reviravoltas?

Neste universo literário, um dos géneros mais populares é o romance, estilo que nos transporta para dentro de histórias de amor que, na generalidade das vezes, encontram obstáculos pelo caminho para, enfim, se concretizar. No entanto, há também outros enredos em que o tão esperado final feliz dá lugar à desesperança dos amores mal resolvidos ou proibidos, temas que foram tão bem explorados por diversos escritores da literatura mundial.

Facto é que todos nós temos uma história de amor favorita, cujos personagens nos cativam com as suas peculiaridades e narrativas instigantes que rendem momentos inesquecíveis! Se está à procura de sugestões de leitura, então não deixe de ler este artigo sobre os melhores livros de romance de sempre. Escolha o seu favorito e prepare para se emocionar!

1. Orgulho e Preconceito (Pride and Prejudice), de Jane Austen

Obra-prima da escritora britânica Jane Austen, o romance Orgulho e Preconceito foi publicado pela primeira vez em 1813. A história tem como pano de fundo a burguesia inglesa do início do século XIX e as suas relações movidas por amor e dinheiro.

O enredo gira em torno da família Bennet, composta por marido, mulher e cinco filhas (Jane, Elizabeth, Mary, Kitty e Lydia). A segunda filha mais velha, Elizabeth, uma jovem orgulhosa, bela e de personalidade forte, é a protagonista da trama.

Com um posicionamento vanguardista, Lizzie, como é chamada pelos amigos, contesta as convenções sociais do seu tempo, em que à mulher era reservado o único papel social de mãe e esposa – frustrando assim o desejo da sua mãe a ver casada. Com a chegada de dois jovens solteiros afortunadas na região, Mr. Bingley e Mr. Darcy, a matriarca finalmente vislumbra uma oportunidade para resolver os problemas da família. Lizzie resiste às investidas de Mr. Darcy, mas aos poucos vai cedendo à atração ao perceber a boa índole do rapaz.

A história de Orgulho e Preconceito está entre as mais adaptadas para o cinema, teatro e televisão, e Jane Austen, depois de Shakespeare, é considerada a autora inglesa mais importante para o país. Vale a pena a leitura deste que é, sem dúvidas, um dos melhores livros de romance de sempre.

2. O Morro dos Ventos Uivantes (Wuthering heights), de Emily Brontë

Um dos melhores livros de romance de sempre, O Morro dos Ventos Uivantes é o único livro da escritora inglesa Emily Brontë. Escrito em 1847, o enredo deste clássico da literatura passa-se numa quinta rural, localizada no interior da Inglaterra. Os factos são narrados pela governanta Nelly Dean, testemunha ocular do dia a dia da família Earnshaw e do amor intenso e turbulento entre Catherine e o seu irmão adotivo Heathcliff, dois jovens que, assim que se conhecem, desenvolvem uma afinidade que transcende as convenções sociais, as diferenças de género e até a morte.

Ressaltar que naquela época os casamentos eram arranjados, o que impede o final feliz do casal e atira-os a um fim trágico: Catherine casa-se com Edgar Linton, filho de uma família abastada, e morre ao dar à luz a primeira filha; Heathcliff, preterido por ser um homem pobre, promete vingar-se de todos aqueles que proibiram a relação amorosa que tanto almejou. Anos depois, regressa à quinta, onde cumpre a sua promessa ao se vingar dos seus detratores, morrendo sozinho na sua loucura e solidão. Como último desejo, é enterrado junto a Catherine, o seu grande amor. Um enredo triste e sombrio, mas que rendeu ótimas adaptações para o cinema e teatro.

3. Dom Casmurro, de Machado de Assis

Uma das grandes obras do escritor brasileiro Machado de Assis, Dom Casmurro foi publicado pela primeira vez em 1899. O enredo aborda a temática do ciúme, lançando dúvidas e polémicas em torno do caráter de Capitu, uma das principais personagens femininas da literatura brasileira. Ademais, o leitor é agraciado com o olhar crítico do escritor, conhecido pelo fino humor e ironia, sobretudo quando o alvo era a sociedade da sua época.

A história de Dom Casmurro é narrada por Bento Santiago, um homem de idade que revisita o seu passado e relembra os tempos de infância, época em que estreitou laços de amizade com Capitolina e por ela se apaixonou. Todavia, cumprindo uma promessa de Dona Glória, a sua mãe, segue, na juventude, para o seminário, lugar onde conhece o seu melhor amigo, Ezequiel de Souza Escobar.

Pela sua evidente falta de vocação para a vida eclesiástica, e graças ao arrependimento materno sobre a promessa feita, Bentinho volta para casa e reencontra a amada, que àquela altura já havia firmado vínculos afetivos com dona Glória.

Anos depois os jovens casam-se e têm um filho, a quem, em homenagem à Ezequiel, lhe dão o nome. No entanto, Bento passa a ver no próprio filho uma grande semelhança com o amigo, que numa das suas aventuras na praia, morre afogado. A partir desse momento, fica convencido de que fora traído pela mulher, que se defende das acusações do marido. Todavia, o casamento não resiste às desconfianças, separando-se anos depois. Bento torna-se um homem amargo e atormentado (daí a alcunha Casmurro) pela suspeita de traição, que não é confirmada – tampouco desmentida – por Machado de Assis, o que faz com que este seja um dos maiores “mistérios” da literatura mundial. Afinal, Capitu traiu ou não traiu Bentinho? O leitor é incitado a tirar as suas próprias conclusões!

4. Madame Bovary, de Gustave Flaubert

Madame Bovary, obra-prima de Gustave Flaubert, está entre os melhores livros de romance de sempre, além de ser considerado uma das maiores obras da estética realista da literatura francesa. O enredo impressiona o leitor pela simplicidade e por abordar, com precisão cirúrgica, a estupidez humana.

O romance narra a história de Emma, uma jovem sonhadora, criada no campo e educada num convento. Não obstante, a sua alma burguesa nutriu fantasias românticas, colhidas nos livros de literatura sentimental que leu; por isso torna-se sonhadora e ambiciosa, cujo desejo de prosperar e abandonar a vida simples a leva a casar-se com Charles, um médico do interior sem nenhuma ambição.

Depois do casamento, Emma percebe que a vida de casada não é tão interessante quanto nos romances que lia, o que faz com que se sinta frustrada e impelida a procurar no adultério uma forma de encontrar felicidade e liberdade. Apenas após a morte da esposa é que Charles descobre as traições ao encontrar, no fundo de uma gaveta, cartas de Léon e Rodolphe, amantes de Emma. O sofrimento de Charles é tão grande que acaba por morrer.

Importante referir que, por ferir os costumes da época, Gustave Flaubert foi a tribunal pela obra, facto que despertou ainda mais interesse por esse que é tido por muitos como o “romance dos romances”.

5. Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco

Considerada a obra-prima do escritor português Camilo Castelo Branco, Amor de Perdição é uma das mais importantes da fase do Romantismo em Portugal. Foi escrita num período de quinze dias, no ano de 1861, durante a estada do autor na cadeia, após uma condenação por adultério. Enquanto esteve preso, também redigiu as obras O Romance de Um Homem Rico e parte de Doze Casamentos Felizes.

O enredo de Amor de Perdição é centrado na história de amor proibido entre Simão Botelho e Teresa de Albuquerque, sobressaindo, portanto, a temática do amor impossível. Quando Teresa recusa o casamento com o seu primo Baltasar, a sua família envia-a para um convento. Simão, por sua vez, tenta ir ao encontro da sua amada, mas é novamente impedido de a ver. Exasperado, mata Baltasar, e tem como punição pelo seu crime dez anos de exílio nas Índias portuguesas. Colocado a bordo do navio, a partir do porto vê a sua amada por trás das grades do convento, que morre consumida pela infelicidade, o que também aconteceria a Simão, cujo corpo é lançado ao mar. 

Amor de Perdição foi diversas vezes traduzido e adaptado ao teatro e cinema, facto que comprova a sua enorme relevância não apenas para a literatura portuguesa, mas também para a literatura universal.

6. Os Miseráveis (Les Misérables), de Victor Hugo

Obra-prima de Victor Hugo publicada em 1862, Os Miseráveis é um dos melhores livros de romance de sempre e o mais emblemático da literatura francesa. A sua popularidade rende-se diversas adaptações no cinema e teatro. O enredo descreve a vida das pessoas pobres em Paris e na França do século XIX, concentrando-se particularmente na história do condenado Jean Valjean.

Por meio do protagonista, Victor Hugo tece duras críticas à sociedade francesa da época, retratando a desigualdade social e a miséria, bem como os dilemas morais individuais das pessoas. A obra é dividida em cinco volumes:

  • Volume I – Fantine: conexão entre o destino de Fantine e de Jean Valjean.
  • Volume II – Cosette: vida de clausura e dedicado a perseguição a Jean Valjean.
  • Volume III – Marius: narrativa do personagem Marius, um rapaz de Paris, a alma da cidade.
  • Volume IV – Idílio da Rua Plumet e epopeia na Rua de S. Diniz: contextualiza os acontecimentos que ocorriam em Paris, em 1832.
  • Volume V – Jean Valjean: finalização do romance, com o desfeche da narrativa de Jean Valjean.

Os Miseráveis convida-nos à reflexão sobre as injustiças sociais, defendendo a ideia de que o ambiente corrompe o homem, que muitas vezes, por falta de escolha, se vê obrigado a lutar pela sobrevivência para não morrer de fome. Um clássico que, certamente, merece ser lido pelo menos uma vez na vida.

7. Os Sofrimentos do Jovem Werther (Die Leiden des jungen Werthers), de Goethe

Considerado o marco inicial do romantismo e uma das maiores obras-primas da literatura mundial, Os Sofrimentos do Jovem Werther figura entre os melhores livros de romance de sempre. Pelo seu tom autobiográfico, revela também as desventuras amorosas do seu autor, Johann Wolfgang von Goethe, que se viu às voltas com um amor impossível por uma amiga casada.

Neste romance epistolar, o jovem Werther relata ao amigo Wilhelm a história do seu amor platónico por Charlotte, jovem que fora prometida a outro homem. De temperamento artístico e sensível, não consegue esquecer a sua amada e no final acaba por se suicidar com um tiro de pistola na cabeça.

Após a sua primeira publicação, em 1774, teria ocorrido, na Europa, o que se chamou de “efeito Werther”, isto é, uma onda de suicídios supostamente atribuída à influência do personagem sobre os jovens da época. Não obstante, este fenómeno nunca foi comprovado, apesar dos esforços de muitos estudiosos.

8. Romeu e Julieta (Romeo and Juliet), de Shakespeare

Trágica história de amor proibido entre dois jovens, Romeu e Julieta é reverenciada como uma obra imortal da literatura, sendo reconhecida também como uma das obras mais emblemáticas de Shakespeare. O texto ganhou várias adaptações para o cinema e teatro, o que certamente contribuiu para a popularização deste clássico mundial que atravessou gerações e gerações.

O enredo passa-se em Itália e apresenta a história dos protagonistas, Romeu e Julieta, que apesar de pertencerem a famílias rivais de Verona – os Capuleto e os Montecchio – decidem enfrentar os obstáculos para viver um grande amor. Todavia, surgem diversos problemas, nomeadamente mortes e outras peripécias que impossibilitam um desfecho feliz para o casal, o que os leva à morte: Romeu ingere veneno e Julieta mata-se com o punhal do seu amado. Apesar do fim dramático, após as catastróficas mortes dos protagonistas, as famílias Montecchio e Capuleto decidem fazer um acordo de paz.

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Luana Castro Alves

Licenciada em Letras e Pedagogia, redatora e revisora, entusiasta do universo da literatura, sempre à procura das palavras. "Não se pode escrever nada com indiferença." (Simone de Beauvoir)