Mesada para os filhos: o que é, objetivos, valor e idade

Tem o hábito de dar mesada aos filhos? Em caso negativo, saiba que esta é uma ótima alternativa para ensinar um conceito muito importante: a literacia financeira. É por meio da literacia financeira que a criança ou adolescente aprende a lidar com a frustração de querer algo para o qual não tem dinheiro e aprender a esperar para atingir, a partir da criação de uma poupança, um determinado objetivo.

Ademais, dar mesada para os filhos é também uma excelente oportunidade de os ensinar a ter uma relação saudável com o dinheiro, o que certamente facilitará a organização das finanças na vida adulta.

Se está interessado neste assunto e sente que precisa de o aprofundar, nomeadamente, o que é a mesada e como definir valores e idades, então não deixe de ler este artigo, no qual encontrará todas as informações de que precisa para começar hoje mesmo a dar os primeiros passos na educação financeiras dos seus filhos.

O que é a mesada?

A mesada é um valor em dinheiro que os pais dão periodicamente para os filhos. Esta periodicidade, via de regra, varia de acordo com a idade das crianças e deve ser discutida entre as partes. Ademais, como referimos, a mesada é uma excelente ferramenta na literacia financeira das crianças, pois ao ensinarmos os pequenos desde cedo a lidar com dinheiro, aumentamos as probabilidades de estes serem melhores na gestão da sua vida financeira na idade adulta.

Não obstante, é preciso ter em mente que dar mesada para os filhos (ou não) é uma decisão que cabe aos pais, e são eles os responsáveis por fixar valores de acordo com as necessidades das crianças e, claro, de acordo com a situação financeira da família, para que jamais se ultrapasse o orçamento mensal destinado às despesas básicas.

Como definir os critérios da mesada para os filhos?

Como referido, o valor da mesada deve ser acordado entre pais e filhos, sempre respeitando o orçamento mensal familiar. Importante mencionar que, se uma criança é demasiado jovem, então provavelmente não terá qualquer noção sobre matemática básica, portanto, não será necessário introduzir a literacia financeira nesta fase da vida. Não obstante, acredita-se que, quanto mais cedo o assunto for abordado, melhor, isto é, por volta dos 6 anos, etapa em que os pequenos já começam a estabelecer a relação número e quantidade, o que facilitará a compreensão que se pretende atingir.

Qual é o valor ideal da mesada para os filhos?

São muitos os aspetos que devem ser analisados na hora de definir o valor a ser destinado ao pagamento da mesada, todavia, é imprescindível que os pais avaliem a situação financeira da família para que mais uma despesa fixa não gere endividamento desnecessário. Feita esta consideração, entenda que os valores a serem pagos deverão progredir de acordo com o crescimento das crianças, sempre levando em conta as suas necessidades e responsabilidades.

Fórmulas para definir o valor da mesada para os filhos

Algumas teorias defendem que se deve atribuir 1€ por cada ano de idade da criança, ou seja, uma criança de 9 anos receberia 9€ por mês, por exemplo. Entretanto, há quem defenda que 0,50€ semanais por cada ano da criança ou jovem é o suficiente, o que daria o montante de 30€ por mês para um adolescente de 15 anos.

Não obstante, para muitos estes valores não são suficientes, então, caso a condição financeira da família seja favorável, pode-se dar um pouco mais de mesada para os filhos. O importante é os pais passarem uma noção clara do seu nível económico, o que evitará eventuais comparações com os valores recebidos por amigos.

E se a família tiver mais do que um filho?

Neste caso, se os filhos mais novos questionarem o porquê do filho mais velho receber um valor maior, a família deverá orientá-los sobre a progressão dos valores de acordo com o aumento de despesas e das responsabilidades, o que acontece naturalmente com o decorrer dos anos.

É importante referir que, caso deseje colocar em prática a literacia financeira, é imprescindível que entenda que é fundamental ser transparente nas relações, isto é, deixe bem claro para os seus filhos os critérios que foram adotados na hora de definir os valores.

Ademais, é fundamental esclarecer os filhos que a mesada é fruto dos rendimentos dos pais, portanto, caso um destes fique desempregado, ou a família passe por algum revés financeiro, o valor da mesada poderá sofrer alterações ou até mesmo ser interrompido até que a situação seja normalizada.

Para o que não deve servir a mesada?

A mesada não deve ser utilizada para comprar as refeições na escola, sobretudo quando a criança é ainda pequena. Assim, evita-se que esta venha a abdicar das refeições pelo dinheiro – o que definitivamente não é o intuito da educação financeira. Além disso, na infância a mesada não deverá ser usada para a compra de vestuário e outros produtos de primeira necessidade, tampouco para o pagamento de atividades extracurriculares, como natação, inglês e futebol, por exemplo.

Mas, se o seu filho for adolescente, esta lógica pode ser alterada. Se ele decidir que deseja comprar um produto que está além do orçamento familiar, como um par de sapatos ou uma peça de roupa de marca, ou até mesmo um telemóvel de última geração, então poderá retirar a quantia que necessita dos seus próprios fundos (o ideal é que crianças e jovens sejam estimulados a poupar no mínimo 20% da mesada).

Lembre-se também que a mesada, em hipótese alguma, deve ser usada como “instrumento de troca” pelo cumprimento das obrigações das crianças, como fazer a própria cama, escovar os dentes ou tirar boas notas na escola. As crianças e adolescentes devem compreender que existem deveres que precisam ser cumpridos voluntariamente, como parte de um acordo de cooperação familiar, e que, portanto, não podem ser pagos, sob pena de os pais estarem a estimular a criação de uma personalidade mercenária.

Lembre-se: a mesada é um instrumento de literacia financeira que por si só não ensina nada. Junto com a mesada, os pais têm que dar orientação, como por exemplo, quando é realmente necessário comprar algo – reflexão que incentivará o consumo consciente – ou a importância de poupar, seja para atingir um objetivo ou para criar um fundo de emergência. É por meio da mesada que as crianças e adolescentes vão experimentar as típicas situações (e frustrações) da vida adulta, o que será de grande serventia para uma vida financeira saudável no futuro.

Luana Castro Alves

Licenciada em Letras e Pedagogia, redatora e revisora, entusiasta do universo da literatura, sempre à procura das palavras. "Não se pode escrever nada com indiferença." (Simone de Beauvoir)