Motivação no trabalho: como consegui-la?

É a força invisível que nos faz mover. Tira-nos os pés do chão e a cabeça da almofada. É ela que nos move. A motivação, esse ímpeto tão desejado e necessário. No entanto, não é inesgotável e por vezes finda. Em momentos diversos, como as segundas-feiras de manhã, em que as réstias de fim-de-semana por vezes nos dão uma ressaca motivacional. O que é então afinal a motivação, e como consegui-la quando ela nos escapa?

Motivação no trabalho: o motivo para a ação

A semântica da própria palavra motivação revela-nos o que ela define: o motivo para a ação. A motivação é o que nos move a agir nas mais diversas circunstâncias. Por outras palavras, é uma condição interna relativamente duradoura que leva o indivíduo a persistir num comportamento orientado para um objeto, possibilitando a transformação ou permanência da situação.

Então, se a motivação se trata de uma condição interna, significa que o nosso estado interior global tem um papel fundamental na sua existência. Por isso, um estado interno de mal-estar conduz facilmente à ausência de motivação: cansaço, tristeza, angústia, entre outros.

Necessidades básicas que têm de ser satisfeitas

Importa compreender que existem diversas motivações ou necessidades, e que estas surgem por ordem de prioridade: sem que umas estejam satisfeitas, outras não podem existir. As necessidades mais básicas são as fisiológicas: fome, sede, descanso, etc. Sem estas necessidades asseguradas, não é possível que tenhamos motivações de ordem superior. Por isso é fácil compreender que se uma criança vai para a escola com fome não pode ter motivação para aprender, ou que se não descansamos na noite anterior o nosso trabalho não será tão produtivo. De seguida surgem as necessidades de segurança. Precisamos de nos sentirmos seguros e protegidos. Trabalhar num ambiente inseguro, precário, em que nos sentimos constantemente em risco mina a motivação para as tarefas que temos de realizar.

Posteriormente surgem então as necessidades de ordem social e de estima. O que quer dizer que para que nos sintamos motivados a produzir, a trabalhar, precisamos de um sentimento de pertença, de valorização. Se nos sentimos desvalorizados ou deslocados, se não obtemos nunca feedback positivo para o nosso trabalho, a motivação irá decair.

Compreendendo então a dinâmica e o funcionamento da motivação, podemos delinear as razões para a sua ausência e as fórmulas da sua existência e potencialização!

Motivos para a ação: internos ou externos

Se a motivação é a existência de um motivo para agir, a natureza desse motivo pode ser muito diversa. O motivo pode vir de dentro (interno) ou de fora (externo), marcando dois tipos de motivações distintas: intrínseca e extrínseca.

A motivação extrínseca significa que aquilo que nos motiva a agir é exterior a nós próprios:

  • Dinheiro: é frequentemente um forte motivo externo para o trabalho. Trabalhamos para auferir um salário ao final do mês, para obter uma remuneração por um serviço prestado.
  • Recompensas: podem existir outras recompensas que nos incentivam a agir, como elogios, presentes, a valorização e validação das pessoas que nos rodeiam, uma promoção ou ascensão na carreira.
  • Punições: também podemos agir não para obter algo, mas para evitar algo desagradável. É o que acontece por exemplo com os alunos que estudam para evitar a negativa que lhes fará ter um castigo por parte dos pais. Ou quando trabalhamos para evitar uma sanção no trabalho ou até mesmo para evitar sermos despedidos.

É fácil compreender que, embora os motivos externos tenham um efeito imediato e poderoso, são pouco duradouros e o seu efeito desvanece com o tempo.  Quando retiramos a recompensa ou a punição, a pessoa vai deixar de se mobilizar, de estar motivada, visto que não tem nada a ganhar nem a perder se não executar a tarefa. Isto porque não é a tarefa em si que nos motiva a agir, mas a recompensa que lhe surge associada. Se trabalhamos pelo salário e não pelo trabalho em si, se este não nos traz satisfação, vivemos numa dependência do fator monetário e a motivação torna-se frágil.

Por isso, a motivação intrínseca é mais duradoura e poderosa, uma vez que tem origem em fatores internos:

  • Satisfação;
  • Prazer;
  • Realização pessoal e profissional;
  • Gosto pela aprendizagem e pelo desafio;
  • Desejo de crescimento e desenvolvimento pessoal.

Neste tipo de motivação, não há necessidade de existir recompensas: a tarefa em si mesma é recompensa suficiente. Este tipo de motivação é constante, visto que depende unicamente da pessoa e não de fatores externos. A tarefa deixa de representar uma obrigação, um meio para atingir um fim (recompensa), para representar um fim em si própria. Como é óbvio, a motivação intrínseca está relacionado com a felicidade e com a realização pessoal.

Os inimigos da motivação no trabalho

Compreendendo então o que é a motivação e o que a enfraquece ou fortalece, podemos enumerar os principais inimigos da motivação e procurar combatê-los:

Falta de consciência do que nos motiva a agir

Se não sabemos porque fazemos o que fazemos, porque nos levantamos todos os dias para ir trabalhar, rapidamente nos vamos sentir desmotivados. Ainda que não estejamos no emprego dos nossos sonhos, é fundamental encontrarmos um motivo para aquilo que fazemos, para que nos faça sentido. Se o seu sonho é ser médico mas trabalha como empregado de balcão, deve encontrar algum sentido no trabalho que está a fazer neste momento: pagar o curso de medicina; contactar com pessoas; servir e contribuir para melhorar de alguma forma o dia das pessoas; desenvolver competências de atendimento ao público; etc.

Foco nos problemas e nas dificuldades

Imagine que se propõe a escalar uma montanha, e a primeira coisa em que pensa é no quão difícil vai ser ou no quão mal preparado está. Não se vai sentir muito motivado a fazê-lo, pois não? Estar demasiado focado nas dificuldades ou problemas que advém do trabalho ou das tarefas irá minar a motivação, porque diminui os motivos existentes para o fazer. Embora seja natural e até desejável que tenhamos consciência dos obstáculos presentes, é fundamental que os pontos positivos sejam o principal enfoque e que estes nos ajudem a perseguir uma meta ou objetivo até ao final.

Falta de autoestima

Para nos sentirmos motivados a agir, temos de nos sentir capazes de o fazer. Uma baixa autoestima significa frequentemente não acreditar que somos capazes, termos uma visão negativa de nós próprios e das nossas capacidades. Se não acreditarmos em nós próprios, frequentemente desistiremos e sentir-nos-emos desmotivados perante algo que nos parecerá sempre impossível e inglório. Por isso, para que a motivação persista e seja duradoura, é necessário desenvolver uma boa autoestima e autoeficácia, focando-nos nas nossas capacidades e competências, e não na ausência delas.

Autocrítica exagerada

Pensamentos negativos e demasiada exigência e crítica perante as nossas realizações irá minar a motivação. É importante que sejamos exigentes e que queiramos fazer o melhor, mas devemos encontrar um equilíbrio e sermos também capazes de ver os pontos positivos e a nossa evolução.

Falta de consistência

Muitas vezes iniciamos alguma tarefa com vontade e motivação, mas rapidamente perdemos o ritmo. Para que a motivação dure é necessário manter a consistência, ter um método de trabalho e um ritmo constante. Ou seja, é necessário disciplina. Se é trabalhador independentemente, é importante que defina na mesma um horário de trabalho, e que o cumpra, porque a consistência do trabalho vai permitir tornar a motivação mais duradoura e menos instável. A consistência também significa respeitar o nosso próprio ritmo e não “querer tudo para ontem”, planeando e definindo tempos equilibrados para a realização das tarefas.

Excesso de comparações

Estarmos constantemente a compararmo-nos com outros faz com que a motivação deixe de ser interna e dependa de terceiros. Desta forma não teremos controlo dos objetivos, porque os critérios que definimos dependem de outros. É importante definirmos objetivos pessoais e que dizem respeito a nós e às nossas capacidades, evitando as comparações.

Estratégias para potenciar a motivação no trabalho

Caso se questione sobre de que forma podemos potenciar a nossa motivação, deixamos um conjunto de estratégias que entendemos como essenciais para potenciar a motivação, seja no trabalho ou na vida.

Defina objetivos realistas, mensuráveis e com prazo

Se nos propomos a metas demasiado elevadas ou inatingíveis, rapidamente perderemos a motivação. É importante definirmos objetivos realistas, passíveis de serem alcançados e definirmos prazos para esses objetivos. Em vez de “quero ser um empresário de sucesso”, deve começar por definir pequenos objetivos como “fazer uma formação de empreendedorismo até ao final do mês” ou “consultar um contabilista para um balanço do investimento necessário”. Pode até ter uma tabela onde planeia e define os objetivos a realizar e respetivos prazos. Isso dar-lhe-á uma noção de controlo e de sentido naquilo que se pretende a realizar.

Definir um horário e ritmo de trabalho

É importante organizar e planear as suas tarefas de uma forma consistente, definindo um horário de trabalho e ritmo do mesmo. Disponha de uma agenda, liste as suas tarefas por ordem de prioridade e organize o seu horário mediante essas tarefas. A organização é a chave para não se sentir perdido e para obter uma sensação de controlo sobre aquilo que está a fazer.

Conhecer o seu próprio ritmo

Se sabe que trabalha melhor de manhã, é preferível que reserve para esse período do dia as tarefas prioritárias e mais exigentes. Se constantemente prevê realizar tarefas ao domingo e depois acaba sempre por dormir no sofá, é preferível que as tarefas não sejam delegadas para esse dia. Conheça o seu ritmo e aproveite-o em seu favor.

Não descure o lhe dá prazer e os seus gostos pessoais

Se é uma pessoa que gosta de estar ao ar livre, incorpore isso nas suas tarefas e no seu trabalho, dentro do possível. Procure um trabalho que não o obrigue a estar constantemente fechado, ou vá fazer aquele relatório para o jardim. Se gosta mais de conversar do que escrever, opte mais pelos telefonemas e menos pelos e-mails. Tenha em conta as suas preferências pessoais para que a realização das tarefas não seja algo penoso.

Adapte as atividades mais aborrecidas às coisas de que gosta

Por exemplo, se tem que escrever um relatório, que é uma tarefa de que não gosta, mas se percebe que ouvindo música esta se torna mais agradável, pode ser uma boa ideia juntas estas duas coisas.

Faça pausas frequentes

Como vimos para que a motivação exista as suas necessidades básicas devem estar satisfeitas. Por isso, trabalhar ininterruptamente só vai contribuir para que se sinta desmotivado. Programe e faça pausas, e privilegie o seu descanso. As férias não são uma perda de tempo, mas um importante aliado para que a motivação persista.

Aprenda com os erros

Desenvolva uma perspetiva mais positiva acerca dos erros: estes são uma parte fundamental do sucesso. Para aprender, é preciso errar. Se fugirmos do erro constantemente, também fugimos das oportunidades. Por isso, é importante que se permita a errar e veja os erros de uma forma mais adaptativa e positiva.

Celebre as suas conquistas

Muitas vezes temos o hábito de, mal terminamos uma tarefa, começarmos a pensar na próxima. É importante que retire tempo para valorizar e celebrar aquilo que conseguiu realizar ou atingir.

Seja flexível

Tenha flexibilidade em relação às suas metas e objetivos, prevendo que por vezes as coisas podem não ser exatamente como tínhamos planeado. Se for capaz de lidar com imprevistos e de definir novas metas ou formas de trabalho quando é necessário, a sua motivação será muito mais duradoura.

Quando não tiver vontade, simplesmente comece

É verdade a máxima de que por vezes só custa começar. Se se sente “encalhado” e não consegue iniciar uma tarefa, comece a fazer qualquer coisa. Por exemplo, se tem de escrever um relatório, comece a escrever qualquer coisa no seu teclado, ou a ler relatórios anteriores. O simples facto de começar coloca a máquina a engrenar, e torna-se depois muito mais fácil continuar.

Rodeie-se de pessoas inspiradoras e não desista

Rodeie-se de pessoas que o inspiram a atingir os seus objetivos e saiba pedir ajuda sempre que necessário. Acima de tudo, não desista!

E lembre-se: o sucesso é a soma de pequenos esforços repetidos dia após dia!

Diana Pereira

Amante de histórias, gosta de as ouvir e de as contar. Tornou-se Mestre em Psicologia Clínica e da Saúde, pela Universidade do Porto, mas trouxe sempre consigo a escrita no percurso. Preocupada com histórias com finais menos felizes, tirou pós-graduação em Intervenção em Crise, Emergência e Catástrofe. Tornou-se também Formadora certificada, e trabalha como Psicóloga Clínica, com o objetivo de ajudar a construir histórias felizes, promovendo a saúde mental. Alimenta-se de projetos, objetivos e metas. No fundo, sonhos com um plano.

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