O que é o budismo? Descubra os seus princípios e correntes

Certamente já ouviu falar e provavelmente já sentiu curiosidade para saber um pouco mais sobre o assunto que será abordado neste artigo: o budismo. Doutrina filosófica e espiritual com origem na Índia, o budismo conta com cerca de 500 milhões de seguidores no mundo, concentrados principalmente no Japão, China, Tibete e Tailândia.

Em Portugal, existem vários milhares de adeptos do budismo e também diversos mosteiros, onde são transmitidos os ensinamentos e métodos do Dharma, ou Via do Buda.

Quer entender o que é o budismo, as suas características, origem, história, escolas e princípios? Então aproveite a leitura e prepare-se para entrar num universo onde o amor e sabedoria imperam. Boa leitura!

Mas afinal, o que é o budismo?

Com origem na Índia no século VI a.C., o budismo é uma doutrina filosófica e espiritual cujo preceito é a busca pelo fim do sofrimento humano para se atingir a iluminação. Os seus ensinamentos e princípios vêm do primeiro Buda, também conhecido como Siddhārtha Gautama, príncipe indiano nascido em 563 a.C. Este ficou conhecido por abdicar de todos os privilégios para se dedicar à vida espiritual, sendo esta resumida pelos seguidores desta doutrina em: nascimento, maturidade, renúncia, busca, despertar e libertação, o ensino e a morte.

Durante a sua juventude, Siddhārtha Gautama deparou-se com a realidade do sofrimento humano, o que o terá deixado manifestamente triste e chocado. A vida luxuosa da qual desfrutava estava bem distante da realidade da maioria das pessoas, o que fez com que tivesse o interesse de compreender o porquê de tantas diferenças.

Foi então que decidiu indagar quatro pessoas: uma anciã, uma doente, outra morta e, finalmente, um asceta (pessoa que se dedica à vida espiritual), que praticava um jejum rigoroso. Ao observar o asceta, acreditou ser aquela a resposta para as suas perguntas e, decidido, trocou sua vida luxuosa por uma rotina dedicada à elevação espiritual.

Em sinal de humildade, raspou o cabelo, vestiu-se com um módico traje alaranjado, que posteriormente seria reconhecidamente uma característica do budismo e, a partir de então passou a procurar as respostas para aqueles que acreditava serem os enigmas da vida. Foram 7 anos de privação, que o levaram ao tão almejado despertar espiritual. Seguiu para a cidade de Benares, nas margens do rio Ganges, um dos principais do subcontinente Indiano, e por lá começou a divulgar a outras pessoas a profunda experiência que vivenciara.

Nota: É importante referir que Buda não se trata de um ente particular. Na verdade, é um título conferido a um mestre budista ou a todos que alcançaram a realização espiritual do budismo. Em hindu, Buda significa “o iluminado” ou “o desperto”.

Qual a origem do budismo?

Depois de toda privação a que se submeteu, Siddhārtha Gautama decidiu compartilhar com outras pessoas o caminho que trilhou na procura pelo fim do sofrimento. Foram 45 anos de dedicação ao budismo, levado a todas as regiões da Índia, lugares onde propagou as célebres “Quatro Verdades” e as “Oito Trilhas”.

As “Quatro Verdades”:

  1. A vida é sofrimento;
  2. O sofrimento é fruto do desejo,
  3. O sofrimento acaba quando termina o desejo,
  4. O sofrimento é alcançado quando se segue os ensinados pelo Buda.

As “Oito Trilhas”:

  1. Compreensão Correta (Samyag-drsti);      
  2. Pensamento Correto (Samyak-samkalpa);
  3. Fala Correta (Samyag-vac);        
  4. Ação Correta (Samyak-karmanta);
  5. Meio de Vida Correto (Samyag-ajiva);     
  6. Esforço Correto (Samyak-vyayama);
  7. Atenção Correta (Samyak-smrti);     
  8. Concentração Correta (Samyak-samadhi).

Além disso, Buda resumiu seu pensamento na Regra de Ouro: “Tudo o que somos é resultado do que pensamos”.

Passados vários séculos da sua morte, discípulos do budismo definiram os preceitos budistas, em que prevaleceram duas grandes escolas do budismo: Theravada e Mahayana, correntes que têm como objetivo interpretar a palavra de Buda:

  • Para o budismo Theravada, Buda representa a natureza em si mesma, a realidade última, a verdade que nos desperta. Nele, as Quatro Verdades e as Oito Trilhas são seguidas à risca, impondo aos seus seguidores regras rígidas de comportamento.
  • Já para o budismo Mahayana, é na convivência do dia a dia numa comunidade aberta que nos tornamos conscientes das paixões cegas que nos levam às emoções negativas. Esta corrente propõe o caminho mais acessível e natural para esse despertar e apresenta-nos o Buda Amida, um dos cinco budas da meditação, aquele que purifica o carma do desejo e nos acolhe como somos e onde estamos, desde que aceitemos a Sua Confiança, o Seu Voto.

Características do budismo

Para entendermos o que é o budismo, precisamos de conhecer as suas características essenciais. Podemos afirmar que o budismo é constituído por uma série de ensinamentos que conduzem o ser humano ao desapego de sentimentos baixos, contudo, extremamente humanos, como a raiva, o ciúme e a inveja. Quando livres de todos os defeitos, finalmente conseguiremos desenvolver o amor, a generosidade, a sabedoria e outras tantas qualidades que não são encontradas nas coisas transitórias da vida.

Para compreendermos o que é o budismo, é essencial notar que o universo budista não possui um início ou fim, sendo o Nirvana – estado permanente e definitivo de beatitude, felicidade e conhecimento – o seu estágio ideal.

O Carma é outro assunto de extrema relevância para o budismo, segundo o qual as nossas boas e más ações, oriundas de nossas intenções mentais, trarão consequências nas próximas vidas. Em cada uma dessas vidas – ou renascimentos -, o ser humano terá a oportunidade de se aprimorar e abandonar todos os defeitos e vícios que o impedem de atingir a perfeição. Sendo assim, diz-se que o renascimento é o momento em que o sofrimento pode ser rompido, o que nos levará às moradas mais puras. O ciclo vicioso de sofrimento é conhecido como “Samsara”, sendo este regido pelas leis do Carma.

Outro ponto fundamental para entender o que é o budismo na sua essência de amor e compaixão: a doutrina não compactua com o extremismo. Por isso, o caminho que indica é o “Caminho do Meio”, pois nele é possível moderar comportamentos de autoindulgência e o ascetismo. Isto significa que é preciso encontrar um meio termo para evitar a excessiva permissividade e o rigor excessivo.

Quais as escolas e correntes do budismo?

Para seguir a nossa jornada em direção às respostas para a pergunta inicial deste artigo, isto é, “o que é o budismo?”, é necessário conhecer as escolas / correntes budistas mais difundidas. Estas referem-se às várias divisões institucionais e doutrinais do budismo que existiram no passado ou que ainda estão presentes nos tempos modernos. A saber:

  • Nyingma;
  • Kagyu;
  • Sakya;
  • Gelupa.

Em todas estas prevalece o caminho da libertação pelas Três Joias, valiosos bens que mantêm o seu valor ao longo do tempo:

  1. O Buda como guia: Tomar refúgio no Buda significa o reconhecimento a semente da iluminação que mora em nós, a possibilidade de libertação. Significa também tomar refúgio nas qualidades corporificadas por Buda, como a compaixão, o amor e o destemor.
  2. O Dharma como lei fundamental do universo: Tomar refúgio no Dharma significa abrigar-se na lei, no modo como as coisas são. Significa reconhecer a nossa total submissão à verdade, o que permitirá que o Dharma faça morada em nós.
  3. O Sangha como a comunidade budista: O Sangha como a comunidade budista: Tomar refúgio na Sangha significa aceitar o suporte da comunidade, de todos nós ajudando uns aos outros em direção à iluminação e à liberdade. Tomar refúgio no Dharma significa abrigar-se na lei, no modo como as coisas são. Significa reconhecer a nossa total submissão à verdade, o que permitirá que o Dharma faça morada em nós.

A expansão do budismo pelo mundo

Depois da morte de Gautama, sobretudo nos três séculos que se seguiram, o budismo foi bastante difundido na Índia Antiga, conquistando mais adeptos que a religião tradicional do país, o hinduísmo. Ultrapassou barreiras e conquistou toda a Ásia, todavia, desapareceu do país de origem, que voltou a professar os ensinamentos hindus. A sua popularidade pelo Oriente deveu-se principalmente em razão da simplicidade dos seus princípios, característica que cativou pessoas simples e acolheu as suas necessidades espirituais.

Alguns dos seus adeptos não se contentaram apenas com o estudo do budismo: tornaram-se missionários, atravessando as montanhas para levar os ensinamentos de Siddhārtha Gautama a outros lugares, inclusive na China, onde milhares de pessoas tiveram acesso às palavras de Buda e se converteram. Foi por volta do século VII que o budismo chegou à península da Coreia e ao Japão, países onde se tornou a religião nacional.

Hoje, o budismo encontrou adeptos em diversos países do mundo, e nos seus territórios foram erguidos templos budistas que propagam os conceitos de vida desta doutrina, adaptando-os à realidade de cada povo. Pode ser considerada uma religião universal, visto estar entre as religiões mais expressivas do mundo em termos de seguidores, congregando nada menos do que 6% da população mundial, apenas atrás do Cristianismo, do Islamismo, do Hinduísmo, de um numeroso grupo de pessoas que se consideram sem religião e da religião tradicional chinesa.

Gostou de saber o que é o budismo, as suas características, princípios, escolas e origem? Então aproveite para partilhar este artigo com os seus conhecidos, para que estes também conheçam as peculiaridades desta doutrina milenar fascinante.

Luana Castro Alves

Licenciada em Letras e Pedagogia, redatora e revisora, entusiasta do universo da literatura, sempre à procura das palavras. "Não se pode escrever nada com indiferença." (Simone de Beauvoir)