O que é psicologia? A ciência do comportamento humano

Podemos afirmar que a psicologia consiste no estudo científico da mente e do comportamento. Trata-se de uma área ampla, que envolve, entre outros, o desenvolvimento humano, a saúde e o comportamento clínico e social.

O termo psicologia tem origem no grego antigo, nas palavras psyché, cujo significado é “mente”, e logos, que significa “conhecimento ou estudo”. O seu principal objetivo, como ciência, é investigar as causas do comportamento, utilizando procedimentos sistemáticos e objetivos de observação, que são apoiados por interpretações teóricas.

No início, eram duas as perspetivas teóricas que dominavam o estudo da psicologia humana, ambas autoria de psicólogos americanos: o funcionalismo, teoria de William James, e o estruturalismo de Wilhelm Wundt.

O funcionalismo defende que a mente passa por constantes mudanças, sendo, portanto, inútil procurar os blocos de construção da experiência. Por isso, o foco deve estar nas causas e consequências do comportamento.

Já o estruturalismo acredita na “introspeção treinada”, método em que os indivíduos relatavam o que se passava na mente enquanto realizavam uma determinada tarefa. Embora inicialmente tenha sido considerada pouco confiável, o estruturalismo mostrou-se fundamental para o desenvolvimento da psicologia. Graças a Wundt, a psicologia passou a ser dissociada da filosofia, passando a utilizar procedimentos padronizados e objetivos.

Qual é a origem da psicologia?

A maioria dos avanços da psicologia deu-se nos últimos 150 anos, por isso, podemos dizer tratar-se de uma ciência relativamente recente. Não obstante, as suas origens não são tão recentes assim: na Grécia antiga, entre 400 e 500 a.C, diversos filósofos colocavam questões relativas ao comportamento e à mente humana, entre eles pensadores como Sócrates, Platão e Aristóteles.

No século XVII René Descartes, filósofo francês de grande expressão, apresentou a ideia do dualismo. Esta ideia defendia a ideia de que mente e o corpo eram duas entidades que interagiam para formar a experiência humana.

Quais são as principais áreas da psicologia?

A psicologia possui diferentes disciplinas, pois apenas assim seria possível explicar os motivos que levam os seres humanos a agir e pensar de maneiras tão variadas.

Entre as inúmeras disciplinas da psicologia estão:

  • Psicologia clínica: área de atuação do psicólogo que se vale de métodos e técnicas para desvendar a realidade psíquica e comportamental de um sujeito ou grupo de pessoas. Tem como principal objetivo promover a saúde mental e do bem estar, seja individual ou coletiva. O psicólogo (profissional de psicologia) não pode prescrever medicação, pois esta é uma atribuição dos médicos psiquiatras. Não obstante, pode utilizar a escuta empática e desprovida de julgamentos, por meio da qual poderá auxiliar os pacientes de maneira eficiente;
  • Psicologia cognitiva: esta área dedica-se a desvendar a forma como os indivíduos aprendem, lembram, percebem e representam as informações captadas pela realidade. Os seus principais objetos de estudo são a perceção, o pensamento e a memória;
  • Psicologia do desenvolvimento: este ramo da psicologia dedica-se ao estudo das mudanças, ou falta delas, que atingem as pessoas ao longo das suas vidas. Defende que existem diversas fases, marcadas por períodos de grandes transformações, conhecidos como períodos de transição rápida;
  • Psicologia evolucionária (ou evolucionista): esta área apropria-se dos conceitos darwinistas (Teoria da Evolução) para melhor compreender a mente humana. Segundo a psicologia evolucionária, os genes têm um papel determinante no comportamento humano; além disso, estuda a adaptabilidade do indivíduo ao meio;
  • Psicologia forense: também conhecida como psicologia judiciária, consiste na aplicação dos conhecimentos psicológicos aos propósitos do direito. Esta área surgiu a partir da necessidade de uma legislação própria para defender e proteger indivíduos (réus/arguidos) com problemas do foro mental;
  • Psicologia da saúde: a sua principal função é compreender, por meio de intervenções psicológicas, como promover e manter o bem estar do indivíduo e da sociedade, bem como tratar patologias e realizar diagnósticos associados à saúde, doenças e disfunções;
  • Neuropsicologia: trata-se de uma interface entre a neurologia e a psicologia, cuja função é estudar e compreender como o cérebro influencia as nossas funções cognitivas, como a atenção, a memória, a capacidade de julgamento, as emoções, o raciocínio e o comportamento;
  • Psicologia ocupacional: tem como objetivo prevenir, tratar e melhorar a qualidade de vida do indivíduo no trabalho. Quando aplicada no ambiente corporativo, pode levar à redução do stress, melhoria nos desempenho (aumento da produtividade, por exemplo), aquisição de novas competências e conhecimentos, entre outros benefícios para o trabalhador;
  • Psicologia social: podemos dizer que esta área se encontra na fronteira entre a psicologia e a sociologia, uma vez que se dedica ao estudo das relações entre os membros de um grupo social, revelando os graus de conexão entre o indivíduo e a sociedade à qual pertencem.

Para que serve a psicologia?

O psicólogo é um profissional fundamental para a saúde e bem estar do indivíduo. Utiliza ferramentas concedidas pela psicologia para ajudar as pessoas a lidarem com problemas do passado que, eventualmente, incidam nas suas vidas no presente.

Além disso, a psicologia auxilia a enfrentar os problemas do dia a dia e a promover o autoconhecimento. Num mundo cada vez mais “adoecido” – em que os diagnósticos de transtornos mentais decorrentes do ritmo de vida frenético ao qual somos submetidos aumentam a uma velocidade surpreendente -, a psicologia tornou-se essencial para que possamos recuperar a nossa saúde mental.

Se sente que está mergulhado num mar de problemas que parecem não ter solução, e que lhe causam um grande sofrimento emocional, não hesite em procurar a ajuda de um psicólogo. No entanto, se mesmo assim não tiver certeza de que deve procurar orientação especializada, conheça alguns pontos que podem ser determinantes para a sua decisão:

  • Sintomas físicos: Problemas emocionais costumam causar taquicardia, dores no estômago, dores no peito, cansaço físico, desânimo, diarreia, transpiração excessiva, entre outros. É importante ressaltar que não devemos atribuir aos fatores psicológicos todos e quaisquer sintomas físicos, por isso, é sempre importante procurar ajuda médica para eliminar as possíveis causas físicas.
  • Situações traumáticas: Eventos dolorosos, como a perda de um ente querido, separação de casal, doenças graves, entre outros, podem provocar um enorme sofrimento a qualquer pessoa, fazendo vir à tona sentimentos como medo, angústia e tristeza. Caso persistam, é fundamental procurar a ajuda de um psicólogo.
  • Problemas nos relacionamentos: Quando o respeito nas relações desaparece, é sinal de que precisa de ajuda. O acompanhamento de um profissional pode ajudar a resgatar o vínculo com as pessoas da sua convivência.
  • Insônias: Se dormir é uma tarefa extremamente difícil e a noite é tomada por pensamentos repetitivos, focados nos problemas do quotidiano, então pode ser que precise da ajuda da psicologia para tratar este sintoma.

Importante: a psicologia, independentemente da abordagem, tem como objetivo maior promover o bem estar e a saúde mental dos indivíduos, possibilitando que vivam melhor consigo e com os outros. Se está a passar por alguma dificuldade e quer superá-la, procure a ajuda de um profissional. Apenas estes o poderá auxiliar e mostrar os possíveis caminhos para uma vida mais feliz e saudável.

Luana Castro Alves

Graduada em Letras e Pedagogia, redatora e revisora, entusiasta do universo da literatura, sempre à procura das palavras. "Não se pode escrever nada com indiferença." (Simone de Beauvoir)