O seu currículo é demasiado extenso? Descubra o que pode fazer

O currículo é determinante em qualquer processo de recrutamento, em parte por ser este que vai determinar se é convocado para a entrevista de emprego ou não. É, portanto, impreterível que o currículo seja adequado, não só no que concerne ao conteúdo, como também no que concerne à forma.

Embora não haja propriamente uma regra definida, um dos problemas mais comuns dos currículos é serem demasiado extensos e redundantes, o que, em última instância, só o prejudica, em virtude de tornar mais difícil a “vida” ao recrutador, o que, em última instância, poderá determinar que seja descartado (isto é, que o seu cv vá diretamente para o lixo).

Neste artigo procuramos passar-lhe algumas dicas para tornar o seu currículo mais atraente e, não menos importante, de mais fácil análise para o recrutador (leia-se, mais curto).

O seu currículo ajuda-o a diferenciar-se!

O primeiro contato que o avaliador terá com um candidato é justamente através do seu currículo. Este documento serve basicamente como um “cartão de visita” e tem como objetivo dizer ao recrutador se é (ou não) um potencial candidato à vaga de emprego em aberto.

Coloque-se na posição de um profissional de recrutamento, já imaginou quantos currículos teria de analisar por dia? Pois é, o problema reside precisamente aí. O recrutador até poderá ter tempo, mas não terá disponibilidade mental para estar a olhar para todos os currículos que receber de forma minuciosa.

Diz-se que as primeiras impressões são determinantes. No caso dos currículos isso não estará muito longe da verdade. O seu currículo “tem” 10 segundos para passar informação ao recrutador sobre si, portanto aproveite-os bem!

Como fazê-lo? Torne-o fácil de ler, incluindo informação claras, objetivas e atualizadas. Só assim terá hipóteses de ser chamado para a entrevista de emprego.

Conheça de seguida algumas dicas para maximizar as suas hipóteses de sucesso sempre que envia um currículo.

1. Destaque o seu emprego anterior

Um dos aspetos a que a generalidade dos recrutadores dá mais atenção é à experiência profissional, em particular à última. Tendo isto em consideração, deverá procurar evidenciar precisamente isso. Aqui terá desde logo três opções: destacar a sua função, destacar a empresa onde trabalhava ou ambas. Procure perceber o que poderá despertar mais interesse no recrutador. Serão as funções que exercia? O nome da empresa é atrativo? Ou ambas? Usar negrito (bold) naquilo que quer destacar pode ser uma boa estratégia – mas faça-o moderadamente.

Adicionalmente, procure não “encher o currículo de palha”. Poderá não haver necessidade de detalhar minuciosamente todas as empresas onde trabalhou, aliás se quiser que o seu cv tenha apenas uma página dificilmente o conseguirá fazer. Faça uma triagem.

2. Faça um uso ponderado do espaço no cv

A questão de não ter um currículo demasiadamente extenso passa, em parte, por evitar ocupar desnecessariamente o espaço. Demasiadas palavras a negrito (bold) e em letra maiúscula, por exemplo, para além tornar o currículo mais “pesado”, ocupam mais espaço que as palavras em letra minúscula. Exemplo. Em vez de “EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL” opte por escrever “Experiência Profissional”.

3. Duas ou três linhas para cada tópico

Um dos maiores erros é tentar florear demasiado o currículo (“encher o currículo de palha”, na gíria académica). Detalhar experiências ou utilizar vocabulário extremamente rebuscado com o intuito de impressionar o recrutador pode até ter um efeito contraproducente.

Foque-se no essencial. Nos campos “experiência profissional” e “formação académica” coloque apenas o que é efetivamente relevante, e se o fizer em pouco espaço melhor ainda. Se posso dizer que sou licenciado em Direito pela Universidade Católica Portuguesa em 2 ou 3 linhas porquê colocar o nome de todas as disciplinas? Quem me está a contratar saberá certamente o que se estuda num curso de Direito. Siga este exemplo.

Mais, outra boa prática que poderá adotar é focar-se nos resultados. Ao invés de detalhar as suas funções e responsabilidades, opte por dizer o que atingiu. Exemplo: “aumentei a produtividade da empresa em 15%, graças a um projeto de transformação digital.”.

4. Faça bom uso dos espaços em branco

A mancha gráfica e a forma como ela está distribuída ao longo do currículo é importante. De nada serve em determinados áreas haver muito espaço livre, enquanto noutras tem demasiado texto. Procure equilibrar e distribuir adequadamente o texto pelo espaço disponível. O currículo respirará melhor e temos a certeza que o recrutador também! Aumentar as margens e os espaçamentos poderá ser uma boa estratégia.

5. Adote a mesma formatação ao longo do documento

Um erro básico, um tanto ao quanto comum, prende-se com a formatação do currículo. Desconhecemos as razões, mas é muito comum que ao construir um cv o candidato opte por utilizar uma formatação diferente ao longo do documento. Isto não é uma boa prática.

Defina qual o tipo de letra, tamanho do tipo de letra, margens, espaçamentos e cores que pretende utilizar, certificando-se que os aplica em todo o documento. Consistência é importante!

Qual o tamanho de letra para o currículo? Qual o tipo de letra e tamanho para o currículo São questão muito comuns, para as quais não há uma resposta. No entanto, Arial, Calibri, Tahoma, Verdana podem ser boas opções. Quanto ao tamanho 11 ou 12.

6. O tamanho ideal do currículo.

O problema está precisamente aí, não existe um tamanho ideal para o currículo. Tudo depende em função do recrutador, da empresa, da função e da própria área profissional. Para uma determinada posição poderá ser necessário maior detalhe, para outras menos.

Não obstante, em caso de dúvida sugerimos sempre que procure não ultrapassar uma página. Caso não consiga, certifique-se que, em circunstância alguma, passa as duas. Provavelmente, se tiver dificuldade em manter tudo em duas páginas, então é porque está a cair no erro de encher o seu cv de “palha”.

Lembre-se sempre que o seu currículo deve conseguir transmitir ao recrutador em 10 segundos as informações principais.

E se o currículo for demasiado curto?

Regra geral, os candidatos ao primeiro emprego tendem a ter algumas dificuldades em preencher o seu currículo. Nestas situações é preciso não desesperar. Nenhum empregador deve (aliás, não pode!) estar à espera que alguém que acabou de sair do ensino superior tenha o currículo mais completo do mundo. No entanto, como veremos em seguida, há uma ou outra coisa que poderá fazer para o currículo parecer menos vazio:

  • Voluntariado – este tipo de experiência pode ser útil para colocar no seu currículo, em parte por demonstrar vontade em fazer algo. Nem toda a gente faz voluntariado (seja ele de cariz social ou profissional). Caso não tenha propriamente muitas coisas para acrescentar ao currículo isto poderá ser algo a ter em conta.
  • Estágios não remunerados – é erróneo pensar que este tipo de atividade não faz parte da formação. Os estágios são uma excelente forma de adquirir experiência profissional. Um candidato a emprego que tenha realizado um estágio, mesmo que não remunerado (estágios curriculares, por exemplo), estará certamente mais apto que alguém que não o fez. Muito provavelmente a curva de aprendizagem daquele candidato será menor do que um candidato que nunca fez qualquer estágio.
  • Seminários, workshops e afins – este tipo de “formação informal” também garante algum nível de experiência para quem ainda não ingressou no mercado de trabalho. Acima de tudo, a inclusão destas informações no currículo podem ser uma boa forma de mostrar ao recrutador o seu interesse pela área.

A redação do trabalhador.pt