Perturbação do espetro do autismo: guia completo

Dos problemas do desenvolvimento infantil a perturbação do espetro do autismo é talvez uma das mais conhecidas. Todos já ouvimos falar em autismo e todos provavelmente já contactamos em algum momento com uma criança com autismo. No entanto, nem sempre o nosso conhecimento acerca desta problemática é o mais correto.

Como tal, neste artigo pretendemos explicar de forma mais clara em que consiste o autismo ou, mais corretamente, a perturbação do espetro do autismo, apresentar os principais sinais do autismo em diferentes idades, as formas de intervenção e recomendações para os pais. Boa leitura!

O que é a perturbação do espetro do autismo?

O autismo consiste numa perturbação do neurodesenvolvimento que se carateriza por:

  • Défices na interação social;
  • Défices na comunicação verbal e não verbal;
  • Dificuldade em criar empatia, isto é, em colocar-se no lugar do outro;
  • Gestos, sons ou atividades repetitivas;
  • Fixação por determinados temas, jogos ou objetos;
  • Rigidez cognitiva (dificuldade em encontrar estratégias alternativas para a resolução de um problema);
  • Marcada ansiedade perante o inesperado ou as circunstâncias que não pode controlar;
  • Défices na imaginação e na capacidade simbólica;
  • Perturbações sensoriais (hipersensibilidade aos estímulos sensoriais como sons, cheiros, luzes ou texturas);
  • Desajeitamento motor.

Estas dificuldades são transversais a múltiplos contextos e os sintomas estão presentes precocemente, embora as dificuldades apenas se possam tornar aparentes quando as complexidades das competências sociais exigidas ultrapassem os instrumentos que a criança / adolescente possui para lidar com as situações.

Porque é que se trata de um espetro?

O autismo não é uma perturbação única e linear, mas sim um espetro (daí ser designado por perturbação do espetro do autismo), uma vez que se verifica uma variedade de expressões clínicas, tanto a nível da intensidade da sintomatologia como da sua configuração. Ou seja, a criança pode estar em qualquer ponto ao longo de um espetro, onde se incluem diferentes tipos, que podem variar desde autismo leve ou de alto funcionamento a grave ou de baixo funcionamento. No autismo de alto funcionamento verifica-se a existência de sintomas nos défices acima referidos, mas o nível intelectual encontra-se dentro do esperado para a faixa etária.

São estabelecidos níveis de gravidade para a perturbação do espetro do autismo, de acordo também com o nível de apoio requerido:

  • Nível 1 – requer apoio;
  • Nível 2 – requer apoio substancial;
  • Nível 3 – requer apoio muito substancial.

Assim, há uma grande heterogeneidade na apresentação fenotípica da perturbação do espetro do autismo, tanto em relação à configuração como à severidade dos sintomas comportamentais. Dada a variabilidade em termos de comportamento (gravidade dos sintomas), cognição e mecanismos biológicos, construindo-se a ideia de que a perturbação do espetro do autismo é um grupo heterogéneo, com etiologias distintas, é necessária uma avaliação compreensiva e individualizada.

Quais as causas do autismo?

Não se consegue ainda identificar uma causa única e clara para a perturbação do espetro do autismo. Todas as doenças resultam da influência de fatores ambientais que atuam sobre predisposições genéticas. Nas perturbações do espetro do autismo os fatores genéticos são cruciais e os ambientais menos importantes.

A idade dos progenitores parece estar relacionada com o aparecimento da perturbação do espetro do autismo: alguns estudos sugerem que a incidência aumenta com o avançar da idade, tanto da mãe como do pai.

Embora os elementos genéticos sejam mais importantes no aparecimento da perturbação do espetro do autismo, não se pode descartar que um agente ambiental desempenhe um papel ocasional. Fatores imunológicos, por exemplo, poderão estar na origem de alguns casos. Alguns investigadores acreditam também que o perturbação do espetro do autismo pode resultar de uma exposição do feto a níveis elevados de testosterona.

Outros estudos apontam para a responsabilidade de fatores perinatais como a prematuridade. Porém, pode acontecer que os fatores que determinam o nascimento prematuro sejam também causadores do autismo. Se assim for, embora a prematuridade possa estar associada à perturbação, não é por ela responsável.

Quais os primeiros sinais do autismo?

Uma pergunta muito frequente é “em que idade é possível perceber se uma criança tem autismo?”. Esta é uma pergunta muitas vezes formulada por pais preocupados, daí que a identificação de sinais precoces seja tão importante.

Uma vez que, tal como indicado anteriormente, as crianças nascem com uma predisposição genética, a questão não é tanto quando a perturbação do espetro do autismo aparece, mas sim quando é que se revela e se torna claro e passível de ser diagnosticada. Na maioria dos casos, as manifestações surgem nos primeiros meses de vida, ainda que de forma discreta.

No entanto também há casos em que tudo parecia estar a desenvolver-se naturalmente no bebé até que, entre o primeiro e segundo ano de vida, começa a verificar-se uma perda de competências, nomeadamente a nível da interação social e da linguagem.

Muitas vezes as mães começam a ter as primeiras sensações de que algo não está bem: o bebé não prende o olhar na mãe, não devolve o sorriso, não reage à interação, entre outros. É importante a realização de um diagnóstico o mais precoce possível, uma vez que o prognóstico é tanto melhor quando mais precoce for a intervenção.

Vamos identificar então alguns dos primeiros sinais em diferentes dimensões da perturbação do espetro do autismo:

Interação social

Ao nível da interação social existem alguns primeiros sinais que podem ser indicativos da perturbação:

  • O bebé dificilmente estabelece e mantém contacto visual com os progenitores / cuidadores;
  • É muito difícil ou quase impossível a mãe descodificar os sinais que o bebé envia, e este parece não ser capaz de ser consolado com o colo ou com o toque;
  • Dificuldade e desinteresse em reagir às ações do adulto e em imitá-las;
  • O bebé ou criança não aponta para pedir algo ou partilhar interesses e não consegue expressar claramente as suas necessidades;
  • A criança pode também tentar fazer coisas sozinha sem procurar a ajuda do adulto;
  • A criança não dirige gestos e expressões faciais ao adulto (ex: não olha para o adulto para comunicar estados emocionais, para mostrar brincadeiras ou interesses…);
  • Utilização de gestos de forma invulgar (ex: dizer adeus com a palma da mão virada para si mesmo ou usar um gesto mal-enquadrado e sem intenção comunicativa);
  • A criança não fala ou fala muito pouco numa idade em que seria expectável que o fizesse (a partir dos 2 anos);
  • A linguagem surge muitas vezes alterada ou caracterizada pela repetição da palavra ou frase dita pelo outro, em vez de uma resposta;
  • A criança apresenta uma linguagem idiossincrática, sem intenção comunicativa (não é dirigida ao outro) e incompreensível, constituída por meras sílabas pronunciadas com rapidez e sem referente linguístico;
  • A criança pode apresentar uma linguagem aparentemente normal a nível articulatório, mas com um padrão de linguagem rígido, focado nos seus interesses e assemelhando-se mais a um discurso do que um diálogo, sendo difícil para os outros introduzirem outros tópicos na conversa.

Interesses e preocupações

  • A criança foca-se na exploração de um brinquedo e tem muita dificuldade em transitar para outra brincadeira;
  • Apresenta um modo atípico de brincar;
  • A criança interessa-se por um determinado tema de modo exaustivo e com detalhes que se estendem às brincadeiras, conversas, programas de televisão, não permitindo tempo ou espaço para ouvir ou aceitar os interesses dos outros;
  • Uso repetitivo de objetos, nomeadamente uso atípico, repetitivo e pouco funcional dos brinquedos (ex: fazer filas de canetas sem que ninguém possa interferir na ordem colocada; girar as rodas de carrinhos ou outros objetos; abanar os objetos nas mãos; apagar e acender a luz ou abrir e fechar portas e gavetas sem funcionalidade aparente, apenas com fixação no prazer ou na necessidade de repetição);
  • Comportamentos ritualizados que traduzem uma mesma ação numa determinada sequência ou contexto;
  • Hipersensibilidade aos barulhos, ruídos, luzes ou texturas (ex: rejeitar mexer em determinadas texturas como areia ou relva, rejeitar completamente alimentos com determinada textura);
  • Apresentação de estereotipias, ou seja, movimentos repetitivos que não têm, aparentemente, nenhuma função (ex: sacudir os braços e as mãos repetitivamente – flapping).

Os sinais do autismo em diferentes idades

Mediante as fases do desenvolvimento da criança os sinais e a presença da perturbação do espetro do autismo são distintos. Em seguida, abordamos cada um desses sinais por idade:

Bebés

Nos bebés verificam-se frequentemente dificuldades alimentares, nomeadamente recusa em comer no geral ou recusa em comer determinados alimentos. A introdução de alimentos sólidos pode revelar-se extremamente difícil e também se podem verificar particularidades na alimentação, como só mamar enquanto dorme ou não comer se alguém tocar no prato. Mais tarde pode verificar-se a recusa em comer alimentos com determinada textura ou até com determinada cor. É comum também as crianças com perturbação do espetro do autismo comerem por partes, ou seja, primeiro a carne, depois o arroz e só depois as batatas, tendo o cuidado de nunca misturar os alimentos.

A partir dos 2 ou 3 anos

A partir dos 2 ou 3 anos começam a tornar-se mais notórios os problemas de linguagem. Existem inúmeras variações a este nível, em linha com o facto de o autismo ser um espetro no qual diferentes crianças podem apresentar sintomas distintos em intensidades distintas.

Por exemplo, enquanto que uma criança pode praticamente não falar, outra pode falar fluentemente, mas naquilo que se caracteriza por uma linguagem incompreensível, quase como se ouvíssemos uma cassete de gravação a alta velocidade, onde sobressaem normalmente as vogais.

No domínio da comunicação também se verifica uma dificuldade da criança em expressar as suas necessidades, não sendo capaz muitas vezes de apontar para aquilo que quer ou mesmo de abanar a cabeça para dizer que sim ou não. As crianças com autismo não reconhecem muitas vezes que os pensamentos necessitam de ser expressos para serem conhecidos pelo outro. Por vezes também acontece crianças começarem a falar, mas as palavras surgirem como se fossem um adulto, começando por dizer não palavras típicas como “mama” ou “papa”, mas outras como “frigorífico” ou “tomada”.

Também acontece por vezes a referência a si mesmos não como “eu”, mas com a utilização do nome próprio e na terceira pessoa, por exemplo “O João quer a bola”. As crianças podem usar palavras sofisticadas e algo rebuscadas em situações banais. As palavras são corretas, mas não se enquadram muitas vezes no tom da conversa. Chamamos a isto “linguagem pedante”. Também existe tendência por vezes das crianças com perturbação do espetro do autismo falarem muito alto, mas de forma algo monótona, sem as inflexões de voz que traduzem os nossos estados emocionais. Os gestos que acompanham o discurso também são algo monótonos ou estereotipados, sem acrescentar informação ou sublinhar uma intenção.

As zangas ou birras nestas crianças são frequentes, difíceis de controlar e evidentes na sua manifestação.

Idade pré-escolar

Chegada ao pré-escolar os sinais tornam-se evidentes e muitas vezes é a educadora quem indica aos pais a procura de avaliação especializada ou ida ao psicólogo. As crianças com perturbação do espetro do autismo tendem a ter dificuldade na adaptação ao contexto pré-escolar e, aí chegadas, a isolar-se e não se interessar ou integrar as atividades de grupo. As crianças com autismo podem até nem se interessar por brinquedos, entretendo-se com objetos de uso comum. Estas crianças também apresentam uma grande dificuldade a nível do jogo simbólico, ou seja, brincar ao faz de conta. Podem facilmente pegar numa boneca e simplesmente bater com ela repetidamente no chão.

Outra questão nas crianças com perturbação do espetro do autismo é o apego e a necessidade de existência de rotinas rígidas, tendo muita dificuldade em adaptar-se às mudanças. Os ambientes e as atividades têm de ser altamente estruturados e consistentes e a criança reage mal a qualquer alteração introduzida.

Na idade pré-escolar as birras tornam-se também frequentes e difíceis de controlar, resultado de um limitar de tolerância à frustração muito baixo.

Por vezes diz-se que as crianças com perturbação do espetro do autismo não expressam afeto ou são intolerantes ao toque. Isto pode ser verdade no caso de algumas crianças, mas o oposto também pode acontecer: a criança mostrar afeto de forma desmedida e excessiva, podendo por exemplo agarrar-se a estranhos ou fazer perguntas impertinentes. É frequente estas crianças não perceberem quando devem parar porque o outro deu sinais de que “já chega”, uma vez que a criança não consegue ler esses sinais.

Geralmente é nesta idade que se torna evidente a hipersensibilidade aos ruídos. Barulhos como o do aspirador, berbequim ou secador do cabelo podem levar a criança a tapar os ouvidos e expressar grande incómodo, como se tivesse dor.

Também é nesta idade que as crianças apresentam por vezes medos inexplicados, por exemplo medo da sombra, de árvores com flores de determinada cor, do movimento do limpar para-brisas, etc.

Idade escolar

Quando a criança ingressa no 1.º ciclo é natural que as interações sociais se comecem a tornar mais complexas e sofisticadas, tornando as dificuldades das crianças com autismo mais notórias. A criança tem dificuldade em compreender a intencionalidade dos gestos e atitudes, e de dominar competências simples como iniciar uma conversa. É por isso também comum que a criança com autismo possa começar, no contexto escolar, a ser alvo de gozo.

As crianças com autismo podem tornar-se demasiado “sinceras” e dizerem aquilo que pensam sem filtro, porque de facto têm dificuldade em compreender regras sociais básicas, interiorizando muitas vezes estas regras de forma rígida. Por exemplo, uma criança com autismo pode denunciar colegas que se estão a portar mal em sala de aula, pois limita-se a cumprir as regras tal e qual como foram ensinadas, sem se adaptar às circunstâncias.

As crianças com perturbação do espetro do autismo veem o mundo a preto e branco, ignorando as diferentes tonalidades de cinzento, numa simplificação que ordena o caos. É frequente que interpretem de forma literal aquilo que ouvem.

A criança com autismo gravita muitas vezes para perto dos adultos, de colegas mais velhos e tolerantes ou, pelo contrário, para junto de crianças mais novas, a quem pode impor os seus gostos ou regras. A dificuldade maior está na interação com crianças da mesma idade.

Um dos traços característicos do autismo é o desenvolvimento de interesses rígidos num determinado tópico, que por um período variável de tempo ocupa uma fração excessiva da atividade mental da criança. Temas comuns podem ser dinossauros, comboios, retroescavadoras… Os interesses ou tópicos favoritos das crianças com autismo servem diversas funções: para além do prazer intelectual, trazem paz e conforto, um nicho lúdico numa existência demasiado séria.

As crianças com perturbação do espetro do autismo têm dificuldade quer na leitura da linguagem corporal do outro, como na expressão da mesma. A sua postura tende a ser rígida, comunicam pouco com o olhar e as expressões faciais são limitadas. A resposta emocional é muitas vezes estereotipada, e a criança com autismo apresenta sempre o mesmo sorriso em todas as interações sociais.

Em sala-de-aula a criança com autismo pode sentir grande ansiedade quando chamada a responder a uma pergunta, tendendo também a ser muito rígida, recusando-se a trabalhar em áreas escolares que não lhe interessam, em que se julga incompetente ou que acha irrelevante. A compreensão da leitura pode revelar-se difícil, pela mesma razão que a criança tem dificuldade na comunicação em geral. Embora a criança até possa ler de forma fluente, nem sempre compreende a mensagem do texto. Tendencialmente estas crianças não gostam de escrever e as suas composições são sintéticas, lacónicas e, em geral, sem grande fantasia. A caligrafia tem tendência a ser irregular e dificilmente legível, embora possa variar. Podem existir também dificuldades na matemática, porque embora a criança tenha tendência a ter um bom cálculo mental, não demonstra os procedimentos para chegar ao resultado.

Adolescência

Se a adolescência já é de si um período turbulento, ainda se torna mais turbulento para um adolescente com perturbação do espetro do autismo. A maior parte dos adolescentes com autismo querem desenvolver amizades, mas não sabem como fazê-lo. Tentam imitar os outros pares, mas como não conseguem compreender as particularidades e o ritmo da interação social e das emoções, acabam por não ser bem-sucedidos.

O risco de desenvolvimento de outros problemas como depressão nos adolescentes com autismo é elevado. Estes percebem que são diferentes, mas não têm capacidade para ultrapassar essa diferença; desejam socializar, mas não sabem como fazê-lo; apaixonam-se, mas não são muito bons sedutores. Por vezes sentem que a pessoa por quem se apaixonam produz em si uma alteração fisiológica, mas não reconhecem o sentimento.

É comum os adolescentes com perturbação do espetro do autismo gostarem particularmente do refúgio de jogos de computador, que muitas vezes permitem que se relacionem com outros sem necessidade da intimidade física.

Qual a intervenção adequada para o autismo?

Não existe uma cura para o autismo, isto é, esta é uma perturbação que acompanhará a pessoa. No entanto, existe intervenção e a possibilidade de a pessoa se tornar funcional e aprender a gerir as suas dificuldades. Existem vários métodos de intervenção na perturbação do espetro do autismo geralmente estas metodologias envolvem equipas multidisciplinares de psicólogos, terapeutas da fala, médicos, terapeutas ocupacionais, etc.

Apresentamos alguns dos métodos mais comuns:

  • ABA (Análise Comportamental Aplicada): procura ensinar à criança competências e comportamentos desejados, sendo um programa altamente estruturado em que cada competência é dividida em passos progressivos. Geralmente o nº de horas de intervenção por semana é elevado, tendo também um custo mais elevado;
  • DIR – FLOORTIME: é uma técnica terapêutica que parte da premissa de que um adulto pode ajudar uma criança com autismo a expandir a sua comunicação, indo ao encontro do seu nível de desenvolvimento e valorizando as suas áreas fortes. A terapia é muitas vezes incorporada em atividades de jogo no chão, e o objetivo é ajudar a criança a alcançar marcos de desenvolvimento que contribuem para o seu crescimento emocional e intelectual. Os pais ou o terapeuta entram nas atividades da criança e seguem a sua liderança;
  • TEACCH: é um programa de educação especial que se baseia no facto de as crianças com autismo, no geral, aprenderem com mais facilidade através do processamento visual. É desenvolvido um plano individualizado para cada aluno, sendo criado um ambiente altamente organizado, com pistas visuais para que a criança possa facilmente prever e compreender as atividades diárias;
  • DENVER: é uma abordagem de intervenção que cobre todos os domínios do desenvolvimento e que se baseia na relação. O terapeuta tenta captar a atenção da criança e promover a sua motivação para a interação social através de jogos. Algumas atividades são feitas no chão, numa abordagem mais lúdica, e outras são ensinadas na mesa, com atividades mais estruturadas;
  • SON-RISE: é um programa implementado no domicílio, num quarto preparado para a intervenção, em que se procura motivar a criança a expandir as suas competências sociais e comunicativas a partir das suas ações, e de uma atitude afetuosa e não crítica dos adultos. O ritmo da criança é valorizado e o terapeuta junta-se a ela, à espera que esteja recetiva à interação;
  • Medicação: não existem fármacos para tratar o autismo. No entanto, tal não impede que estas crianças sejam muitas vezes medicadas para melhorar aspetos comportamentais, como a agitação motora e o défice de atenção, a ansiedade, as perturbações do sono, a desregulação do humor, etc. Os neurolépticos, como risperidona, quetiapina e aripiprazol, ou o metilfenidato, são muitas vezes prescritos em casos de autismo. Além destes medicamentos, foram também ensaiados medicamentos como a fluoxetina e a oxitocina, com bons resultados.

Recomendações para os pais

Algumas recomendações podem ser úteis e ajudar os pais a lidar melhor com a criança com pert urbação do espetro do autismo:

  • Informar-se e procurar saber mais sobre o autismo e as suas implicações;
  • Incentivar e procurar promover a autonomia do seu filho;
  • Dar tarefas para a criança realizar, ajudando a dividir as tarefas complexas em pequenas etapas;
  • Treinar a capacidade de generalizar a aprendizagem: por exemplo, se a criança estiver a aprender sobre animais na escola, levá-la ao jardim zoológico, se for sobre números, fazer alguma atividade numérica em casa como contar quantos pratos precisam de ser colocados na mesa;
  • Dividir as responsabilidades dentro de casa;
  • Conversar com outros pais com filhos com autismo;
  • Procurar oportunidades para a criança desenvolver as suas competências sociais, tais como atividades extracurriculares, tendo em atenção que a criança goste da atividade;
  • Trabalhar em conjunto e em parceria com a escola;
  • Criar estratégias que percebam que resultam com a criança (ex: se sabe que a criança é muito reativa a estímulos sensoriais, evitar horas de maior movimento nos supermercados ou permitir que a criança leve fones quando vai a um restaurante ou leve o seu brinquedo preferido para se acalmar);
  • Criar um plano para que a criança compreenda o que vai acontecer sempre que há alguma alteração de rotina ou algum contexto novo;
  • Antes de entrar para uma nova escola visitar a escola com a criança ou até mesmo tirar fotografias aos vários locais para que a criança possa ver e familiarizar-se;
  • Encontrar um equilíbrio entre não proibir ou eliminar os focos de interesse da criança, ainda que repetitivos ou excessivos, mas também não contribuir para que estes interesses tomem conta de toda a vida da criança, incentivando-a a experimentar outras atividades;
  • Não proibir ou tentar impedir os maneirismos ou estereotipias, que muitas vezes funcionam como uma necessidade de expressar estados emocionais. Em vez disso, tentar substituir gradualmente essas estereotipias por outros movimentos que sejam socialmente aceites;
  • Criar momentos de prazer na relação social, por exemplo associar o contacto visual a atividades que a criança gosta, como cantar e dançar ou fazer bolas de sabão, interrompendo a brincadeira quando a criança não está a olhar e continuando quando os olhares se cruzam;
  • Ajudar a criança a distinguir as diferentes pessoas do seu quotidiano e a agir em conformidade;
  • Promover a interação com outras crianças, convidando um amigo para vir a casa ou mediando as brincadeiras;
  • Procura ajuda especializada: muitas vezes os próprios pais ficam desgastados com o diagnóstico e com os cuidados que a criança pode exigir. Assim, a procura de ajuda especializada ajudará a dar à criança uma ajuda adequada e a estimular o seu desenvolvimento e a gestão das suas dificuldades.

Esperamos que o presente artigo tenha sido útil!

A redação do trabalhador.pt