Psicologia do desporto: o que é, importância e para que serve

A psicologia do desporto é uma área no qual os conhecimentos científicos da psicologia são aplicados à área do desporto, procurando melhorar e potenciar a saúde e o bem-estar desportivos.

Embora a psicologia do desporto seja uma área fundamental e extremamente importante para o desporto, nem sempre é totalmente compreendida esta importância e por vezes não se compreende diretamente o papel do psicólogo e da psicologia no contexto desportivo.

Por isso, neste artigo explicaremos o que é a psicologia do desporto, qual a sua importância e qual a sua aplicação prática.

O que é a psicologia do desporto?

A psicologia do desporto é a área da psicologia que estuda os processos psicológicos e mentais, bem como os comportamentos do ser-humano em relação à atividade desportiva. É, por isso, um ramo da psicologia que procura conhecer e melhorar as condições internas do atleta para o ajudar a alcançar o seu potencial físico, tático e técnico.

A psicologia do desporto em termos práticos, começou com abordagens de treinadores a psicólogos para que estes os ajudassem e dessem dicas para potenciar o desempenho dos atletas. Com o tempo, a psicologia do desporto evoluiu e hoje em dia não se restringe apenas a isto, envolvendo diferentes áreas de atuação.

Alguns dos principais objetivos da psicologia do desporto são avaliar de que forma os fatores psicológicos interferem no desempenho físico das pessoas, bem como verificar como é que a participação na atividade física e no desporto afetam o desenvolvimento psicológico, o bem-estar e a saúde das pessoas.

Para melhor compreendermos o quão vasta pode ser a psicologia do desporto, podemos identificar diferentes subtipos dentro da área mais abrangente da psicologia do desporto:

  • Psicologia do desporto – foca-se nas interações entre a psicologia e o desempenho desportivo, sobretudo os aspetos psicológicos que contribuem para um desempenho desportivo de excelência e ainda para o bem-estar de treinadores, atletas e outros agentes desportivos;
  • Psicologia do exercício – refere-se aos antecedentes e consequências comportamentais, psicobiológicos e sociocognitivos da atividade física, com especial foco na adoção e manutenção da prática de exercício e dos seus efeitos no bem-estar psicológico;
  • Psicologia da performance – centra-se na psicologia da performance ou desempenho, particularmente em atividades ou profissões que exigem um desempenho psicomotor de excelência (por exemplo, artes performativas, cirurgiões, agentes de autoridade, bombeiros, operações militares, entre outros).

Assim, se falarmos em termos de atividade profissional, os psicólogos que trabalham nesta área são, na verdade, psicólogos do desporto, exercício e performance, tendo um âmbito de atuação muito mais alargado do que muitas vezes se pensa.

Em psicologia do desporto, o papel do psicólogo é fundamental em diversas questões, tais como: potenciar o treino e a aprendizagem desportiva, ajudar a melhorar a relação treinador-atleta, melhoria de resultados, gestão de resultados, gestão emocional, recuperação de lesões, resolução de conflitos, problemas emocionais (como medos, ansiedade, depressão), gestão de carreira, entre muitos outros.

Qual a importância da psicologia do desporto?

A psicologia do desporto é fundamental pois tem como objetivo ajudar a melhorar não só o desempenho e o rendimento dos atletas, mas também promover o bem-estar e o desenvolvimento pessoal e social, assim como as competências psicológicas, de todos os envolvidos no contexto desportivo. Assim, a psicologia do desporto contribui para que sejam desenvolvidas competências psicológicas relevantes para o sucesso no ambiente desportivo, na prática de exercício físico e ainda noutros contextos e performance.

Importa compreendermos que o desporto é uma área exigente, que quando estamos a praticar atividade desportiva nos são requeridas esforço dispêndio de energia que não são meramente físicos, mas também psicológicos e emocionais. De facto, entre 40% a 90% do sucesso numa competição pode ser determinado por fatores psicológicos. Quanto mais elevado for o nível em que determinado atleta está, mais elevada a fasquia e consequentemente mais elevada a importância de todos os fatores que possam interferir no desempenho, nomeadamente os fatores psicológicos.

Para se ser bom no desporto, não basta ter uma boa compleição física e treinar muito. É necessária também uma boa inteligência emocional, um bom reportório de competências socioemocionais como a motivação, a persistência, a tolerância à frustração, a gestão da ansiedade, do stress e da pressão, a capacidade de trabalhar em equipa, entre muitas outras.

Um atleta pode estar em excelente forma física, mas, se não conseguir gerir e controlar o stress ou lidar com a pressão no momento da competição, dificilmente conseguirá ter uma boa performance. Os fatores psicológicos podem destruir, em pouco tempo, horas de treino físico.

Proporcionar aos atletas, no contexto desportivo, acompanhamento psicológico, é tão importante como o acompanhamento nutricional de que este geralmente necessita.  

A psicologia do desporto e a intervenção de psicólogos desportivos traz benefícios:

  • Potencia a melhoria contínua das pessoas e equipas nos contextos desportivos;
  • Contribui para que os atletas e restantes agentes desportivos alcancem os seus objetivos desportivos;
  • Promove a qualidade de vida dos diferentes agentes desportivos, bem como para uma boa saúde psicológica e emocional.

Deste modo, a psicologia do desporto ganha uma importância indiscutível, pois uma boa prática desportiva não é possível sem saúde psicológica!

Em que contextos trabalha um psicólogo do desporto?

Um psicólogo que atue na área da psicologia do desporto pode trabalhar em diversos contextos e com diversas pessoas e profissionais, tais como atletas, treinadores, dirigentes desportivos, executantes de outros contextos de performance e profissionais de risco como, por exemplo, militares.

O psicólogo do desporto pode, assim, atuar em contextos desportivos como clubes desportivos, associações desportivas, organizações e associações ligadas ao desporto, autarquias e entidades públicas, ginásios, escolas, entre outros.

Quando trabalha em clubes, o psicólogo do desporto pode estender a sua atuação desde as camadas mais jovens nas formações, até à alta competição.

O que faz um psicólogo do desporto?

Os psicólogos que trabalham na área da psicologia do desporto assumem diversas funções e atividades, das quais podemos destacar:

  • Avaliação psicológica – na psicologia do desporto é muitas vezes fundamental o psicólogo avaliar o atleta, o grupo / equipa ou outros elementos do contexto desportivo com os quais vai trabalhar. Pode avaliar questões como o perfil psicológico e de personalidade, a presença de dificuldades emocionais específicas, entre muitos outros aspetos. A avaliação feita em psicologia do desporto pode ser individual (por exemplo, o psicólogo avaliar determinado atleta com o qual vai intervir), grupal (por exemplo, avaliar uma equipa) ou organizacional, no sentido de se avaliar um coletivo de forma mais abrangente, como por exemplo um clube;
  • Treino de competências – em psicologia do desporto o treino de competências é fundamental, nomeadamente competências relacionadas com o sucesso desportivo, tais como gestão emocional, motivação, concentração, autoconfiança liderança, comunicação e relação interpessoal, etc. Em psicologia do desporto também são trabalhadas competências sociais e pessoais que acabam por ser generalizadas a outros contextos de vida, como por exemplo o trabalho em equipa, a responsabilidade, a autonomia, o comportamento ético, etc;
  • Monitorização – o psicólogo que trabalha na área da psicologia do desporto faz muitas vezes um acompanhamento regular aos diferentes agentes desportivos, para otimizar o desempenho individual ou coletivo e promover a qualidade de vida e o bem-estar de forma geral. Esta monitorização e acompanhamento permitem que o psicólogo possa dar apoio aos agentes desportivos em diferentes contextos e na gestão dos diferentes aspetos da sua vida. Isto pode implicar acompanhamento individual às pessoas que têm responsabilidade de liderança nos diferentes contextos, como treinadores, dirigentes desportivos, personal trainners, entre outros;
  • Intervenção em situações de crise ou fragilidade emocional – o psicólogo no contexto da psicologia do desporto pode ter um papel fundamental em situações de crise, como por exemplo lesões, gestão de conflitos, afastamento familiar, transição e fim de carreira, entre outras;
  • Formação – na área da psicologia do desporto a formação é fundamental, e o psicólogo do desporto acaba também por ter como tarefa colaborar, desenvolver e implementar ações de formação, de sensibilização ou de educação dirigidas aos diferentes intervenientes dentro da psicologia do desporto. O psicólogo neste âmbito pode desenhar e elaborar programas de formação, bem como de desenvolvimento pessoal e profissional, e depois implementar e avaliar estes programas. De facto, na formação desportiva de treinadores, atletas ou árbitros, por exemplo, há geralmente sempre presente uma componente de psicologia do desporto, que é geralmente ministrada por psicólogos;
  • Coaching – o coaching é uma atividade fundamental dentro da psicologia do desporto, sendo a forma de intervenção privilegiada dos psicólogos neste contexto. Consiste em promover o potencial e ajudar a atingir objetivos a curto/médio prazo, bem como a desenvolver competências. O coaching foca-se na melhoria da experiência de vida, no bem-estar e no desempenho, e é um aconselhamento que, em psicologia do desporto, se foca sobretudo em questões como a gestão emocional, gestão do stress, comunicação eficaz e relacionamentos interpessoais…
  • Consultadoria – em psicologia do desporto, o psicólogo pode ainda desempenhar funções de consultoria e assessoria à direção dos grupos e organizações dos contextos desportivos. O conhecimento científico do psicólogo é fundamental e valioso para ajudar a orientar e a definir estratégias no contexto desportivo.

Embora as atividades e funções acima referidas sejam as principais, no contexto da psicologia do desporto o psicólogo pode ainda desempenhar outras funções, tais como de investigação, elaboração e emissão de pareceres ou relatórios científicos, coordenação e supervisão de atividades dentro da psicologia do desporto, participação em projetos e processos de candidatura a financiamentos, entre outros.

O que é necessário para ser psicólogo do desporto?

Tal como o próprio nome indica, o psicólogo de desporto tem uma formação base em psicológica. Como tal, exercer funções dentro da área da psicologia do desporto só é possível por profissionais devidamente reconhecidos e qualificados, com competências necessárias para intervir neste domínio da psicologia do desporto.

Assim, para trabalhar no âmbito da psicologia do desporto é necessário concluir a formação superior em psicologia e tornar-se membro da Ordem dos Psicólogos Portugueses. É conveniente que, a nível da formação, haja formação específica ou especialização em psicologia do desporto.

O perfil do psicólogo do desporto inclui como competências:

  • Conhecimentos científicos de Psicologia (compreendendo questões como o funcionamento biológico, cognitivo, social, afetivo e cultural do ser-humano e do seu comportamento, compreendendo o desenvolvimento ao longo da vida, as psicopatologias, entre outras temáticas);
  • Conhecimento científico na área da Psicologia do Desporto, incluindo treino desportivo, biomecânica, fisiologia, etc;
  • Competências interpessoais e culturais, como por exemplo uma boa capacidade de comunicação ou de trabalho em equipa;
  • Competências no âmbito da avaliação psicológica, sendo capaz de administrar, cotar e interpretar instrumentos de avaliação psicológica, bem como de formular diagnósticos e pareceres profissionais;
  • Competências no âmbito da intervenção psicológica, supervisão e consultoria, por exemplo, ser capaz de selecionar e aplicar tratamentos e intervenções eficazes e cientificamente validados que respondam às necessidades de indivíduos, grupos ou organizações;
  • Raciocínio crítico e capacidade de tomada de decisão baseada em conhecimentos validados e comprovados;
  • Profissionalismo e ética.

Diana Pereira

Amante de histórias, gosta de as ouvir e de as contar. Tornou-se Mestre em Psicologia Clínica e da Saúde, pela Universidade do Porto, mas trouxe sempre consigo a escrita no percurso. Preocupada com histórias com finais menos felizes, tirou pós-graduação em Intervenção em Crise, Emergência e Catástrofe. Tornou-se também Formadora certificada, e trabalha como Psicóloga Clínica, com o objetivo de ajudar a construir histórias felizes, promovendo a saúde mental. Alimenta-se de projetos, objetivos e metas. No fundo, sonhos com um plano.