Ser feliz no trabalho: o que significa e quais os benefícios?

Considera-se uma pessoa feliz no trabalho? Alguns estudos indicam que quando estão felizes os trabalhadores são mais dedicados, mais produtivos e mais comprometidos com as suas metas profissionais.

Embora algumas empresas ainda acreditem que o salário é o único fator responsável pela satisfação dos funcionários, são cada vez mais as que não se limitam a olhar para o óbvio.

De acordo com um estudo da Universidade da Califórnia, ser feliz no trabalho pode contribuir para a criatividade, produtividade e vendas, bem como para uma diminuição dos acidentes de trabalho.

Para além disso, importa referir que a ser feliz no trabalho tem repercussões diretas na qualidade de vida. O sedentarismo laboral, por exemplo, é um fenómeno que tem vindo a crescer, em grande medida devido à maior incidência de enfermidades como a ansiedade e a depressão.

Independentemente do papel que ocupa na hierarquia, ser feliz no trabalho, não apenas contribuir para o crescimento da sua empresa, como também influenciar decisivamente a sua evolução pessoal e profissional e a dos que o rodeiam.

Se o tema desperta a sua curiosidade, então não deixe de ler este artigo onde procuramos dar resposta a algumas das perguntas mais frequentes sobre este tema. Boa leitura!

O que é a felicidade no trabalho?

Podemos definir a felicidade no trabalho como uma sucessão de sentimentos positivos que criam no indivíduo (trabalhador) uma sensação de completude relacionada com a sua atividade profissional.

Embora tenha um significado subjetivo e até, eventualmente, diferente de pessoa para pessoa, é comum confundir-se felicidade no trabalho com gratificações profissionais, tais como o reconhecimento de colegas ou superiores hierárquicos, o cumprimento de um objetivo ou até um aumento salarial. Embora sejam importantes, ser feliz no trabalho vai muito para além disso, estando intrinsecamente à realização profissional do indivíduo e, regra geral, apenas ocorrendo quando um conjunto de fatores se alinham, tais como:

  • Empolgamento: sensação de entusiasmo que traz consigo disposição pessoal e interesse, potenciando a criatividade e o processo de iniciativa, de proatividade e de independência no trabalho.
  • Comprometimento: desperta a vontade e potencia o cumprimento das responsabilidades e afazeres, traduzindo na realização com satisfação de todas as tarefas necessárias para o cumprimento do trabalho.
  • Gratificação: alude à realização, à sensação de orgulho de um trabalho bem executado que, quando devidamente reconhecido, se pode tornar numa realização pessoal.

É importante mencionar que a gestão dos recursos humanos é, também, lidar com pessoas com sonhos, frustrações, ambições, problemas e expetativas. Tudo isso pode influir positiva ou negativamente no indivíduo e, mesmo que seja impossível garantir a felicidade plena ao longo da vida, é importante estar atento a soluções que o ajudem a ser feliz no trabalho.

Portanto, as empresas que investem na felicidade dos seus funcionários têm, não apenas uma maior probabilidade de ver aumentados os níveis médios de produtividade, como também de conseguirem reter os seus maiores talentos.

Qual a importância de ser feliz no trabalho?

Se chegou até aqui certamente percebeu que a ser feliz naquilo que faz é de extrema importância para as empresas. Mas e para os trabalhadores? De que forma pode a felicidade no trabalho ser também significativa para eles? Porque é importante sentirmos-mos felizes com aquilo que fazemos?

Como resposta a estas e outras perguntas, nada melhor que elencarmos algumas das sensações e sentimentos positivos que a felicidade no trabalho proporciona ao trabalhador:

  • Realização profissional e satisfação pessoal;
  • Sensação de utilidade na sociedade;
  • Aumento da autoestima;
  • Melhoria das relações interpessoais, no trabalho e na vida pessoal.

Por outro lado, quando o trabalhador não desenvolve um bom relacionamento com o trabalho, pode experienciar:

  • Descontentamento generalizado;
  • Falta de motivação, baixo foco e pouca criatividade;
  • Declínio na produtividade e no rendimento;
  • Procrastinação e/ou sedentarismo profissional;
  • Sensação de fracasso e de baixa autoestima.

Assim, torna-se fácil entender que a infelicidade laboral pode ter um impacto direto no desenvolvimento de algumas doenças, tais como a depressão, a ansiedade e a síndrome de Burnout.

Como ser feliz no trabalho?

Muito embora a felicidade no trabalho seja um assunto importante e que deve ser levado a sério, seja um trabalhador ou o gestor de uma empresa, é verdade que muitos trabalhadores ainda a encaram como algo utópico e inatingível.

Por essa razão, é preciso quebrar com a cultura do trabalho como fonte de stress e cabe às empresas garantir um ambiente saudável, que seja positivo e que evite a frustração e o sedentarismo laboral.

E para provar que ser feliz no trabalho é algo tangível e que pode ser colocado em prática diariamente pelas empresas, listamos no ponto seguinte alguns aspetos que podem ajudar a alcançar um estado geral de satisfação.

1. Reconhecimento e valorização profissional

Quando o assunto é ser feliz no trabalho, o reconhecimento e a valorização profissional são tão importantes quanto receber o salário. Isto porque quando os funcionários são reconhecidos e valorizados pelo trabalho positivo que fazem, sentem-se mais motivados, comprometidos, proativos e, mais importante, sentem-se felizes.

Para isso, é imprescindível investir em:

  • Feedback positivo sempre que possível, evitando críticas negativas e preferindo comentários construtivos;
  • Criar um espaço de diálogo e ouvir as individualidades de cada colaborador;
  • Propiciar o crescimento profissional e atividades que valorizem e alavanquem a carreira dos funcionários;
  • Fornecer tarefas relevantes para que se sintam úteis, importantes para a empresa e parte do time;
  • Agradecer, sempre.

É importante salientar que o reconhecimento dos funcionários é crucial não apenas para garantir que todos são felizes no trabalho, mas também para a empresa, que ganhará profissionais dedicados, produtivos e motivados.

2. Encontrar um propósito

Todas as pessoas ambicionam uma vida cheia de propósitos e trazer isso para o expediente todos os dias é essencial para estabelecer a felicidade no trabalho.

Nesse contexto corporativo, é crucial que os líderes ajam de modo a encorajar os funcionários a compreender que o trabalho que estão a desempenhar não é apenas um negócio (trabalho em troca de remuneração), mas que existe ali um propósito, um significado – que é benéfico para a empresa e para a sociedade como um todo.

O alinhamento e a cultura de valores são um importante passo que os líderes podem usar para orientar os trabalhadores para que estabeleçam vínculos com as suas funções.

3. Alinhamento de valores

Numa sociedade de diferenças e adversidades, trabalhar numa empresa com iniciativa, que abrace causas sociais e englobe valores morais na sua metodologia e propósito faz toda a diferença.

Socialmente falando, os funcionários sentem-se mais úteis para a comunidade como um todo, além de conseguirem ver um propósito social na função que exercem, determinando a cultura da felicidade no trabalho.

Estabelecer valores no ambiente profissional é permitir que os trabalhadores se sintam realizados tanto numa esfera profissional, quanto pessoal.

4. Autonomia

Embora a hierarquia seja essencial para o bom funcionamento de qualquer organização, estimular a autonomia dos colaboradores para que estes possam, por conta própria, tomar decisões e propor novas ideais, é algo extremamente eficaz.

5. Fomentar o equilíbrio

E por fim, o aspeto mais significativo e o segredo para ser feliz no trabalho é o equilíbrio entre a vida profissional e a vida pessoal.

Quando a empresa se propõe a providenciar um ambiente de trabalho que encoraje a equipa e que não seja uma fonte de stress e preocupação, permite também que os trabalhadores tenham uma vida mais equilibrada, com menos preocupação e com maior aproveitamento dos momentos de lazer.

Isso porque quando a carreira não é motivo de frustração, mas sim de satisfação, cria-se assim maior liberdade, criando-se assim maior liberdade para desfrutar das relações pessoais, dos momentos com a família ou de eventuais hobbies.

Em suma, torna-se necessário os gestores e líderes empresariais incentivem as respetivas equipas a viverem os momentos pessoais com mais intensidade, deixando o trabalho de lado no momento que cruzarem a porta de saída.

A redação do trabalhador.pt