Vegetarianismo: moda ou tendência necessária?

A dieta do vegetarianismo está a conquistar cada vez mais adeptos em todo o mundo. Mas o que leva realmente tanta gente a adotar esta dieta, que se torna para muitos um estilo de vida? O que leva alguém a mudar a sua dieta de forma tão radical? Será por motivos de saúde? Razões ambientais? Ou será uma mera preferência sem grandes motivações cientificamente elaboradas associadas?

Neste artigo, falamos um pouco sobre a dieta vegetariana / vegetarianismo e as possíveis razões que se tornaram o gatilho impulsionador para esta mudança na vida de tantas pessoas.

O que é o vegetarianismo?

Vamos começar por abordar o que é realmente o vegetarianismo. De acordo com a Associação Vegetariana Portuguesa, o vegetarianismo é o “estilo de alimentação de base vegetal, que exclui carne e peixe e pode ou não incluir derivados de origem animal.” Portanto, essencialmente, uma pessoa vegetariana não inclui na sua dieta nem peixe nem carne de nenhuma variedade.

Quais são os tipos de vegetarianismo?

O vegetarianismo apresenta algumas diferenciações mais específicas em relação ao consumo de derivados animais e é difundido em quatro grupos principais:

  • Ovolactovegetariano – Os ovolactovegetarianos não consomem carne, porém consomem alimentos de origem animal como leite e ovos. Além disso, são também consumidores de alimentos de origem vegetal.
  • Lactovegetariano – Consomem apenas laticínios e alimentos de origem vegetal. Não consomem carnes e ovos.
  • Ovovegetarianismo – Não consomem laticínios ou carnes. Incluem em sua dieta apenas ovos e alimentos de origem vegetal.
  • Vegetarianos estritos – Não consomem alimentos de origem animal nem derivados, optando por alimentos apenas de origem vegetal.
“Tipo de vegetarianismo”CarnesOvosLaticínios
Ovolactovegetariano  NãoSimSim
Lactovegetariano  NãoNãoSim
Ovovegetarianismo  NãoSimNão
Vegetarianos estritos  NãoNãoNão

Como é possível verificar, um vegetariano (uma pessoa que segue a dieta do vegetarianismo) pode ser facilmente definido como alguém que não come carne e peixe, no entanto, existem muitas outras variantes que influenciam a dieta dos vegetarianos.

Qual a diferença entre vegetarianos e veganos?

Esta é uma questão muito comum. Tal como os vegetarianos (vegetarianismo), os veganos não comem carne nem peixe mas, ao contrário do que acontece com alguns vegetarianos, também não comem nenhum derivado de animal, incluindo ovos, queijo e leite, por exemplo.

Além das restrições alimentares, os veganos (vegetarianismo) aplicam o estilo de vida “cruelty free” (livre de crueldade) essencialmente a tudo nas suas vidas, ou seja, não compram vestuário, produtos de higiene e beleza, entre outras coisas, que tenham sido testadas ou que provenham de animais. Por exemplo, itens que contêm couro, seda ou lã não são comprados por veganos, mas podem ser por vegetarianos.

A mudança deve ser acompanhada?

Sim, sem dúvida. Qualquer mudança dos hábitos alimentares, seja para o vegetarianismo ou não, deve ser acompanhada por um profisisonal.

A verdade é que o peixe, a carne e alguns derivados de animal são altamente ricos em proteína, ferro e vitaminas, portanto, ao aderir ao vegetarianismo e, consequentemente, ao deixar comer repentinamente estes alimentos, e não proceder à devida substituição com outros suplementos, irá prejudicar a sua saúde, pois não estará a receber a devida quantidade de nutrientes/substâncias que o seu corpo está habituado a receber para funcionar corretamente.

Um profissional, como um nutricionista, deverá recomendar-lhe uma substituição alimentar adequada nas porções de hidratos de carbono, proteínas e gorduras, assim como vitaminas e minerais. Em períodos de adaptação, o corpo pode carecer de substâncias encontradas maioritariamente em carnes vermelhas, como acontece com a B12 (vitamina do complexo B), e neste caso pode gerar necessidade de suplementação. Ter a ajuda de um profissional da área é de extrema importância para uma dieta vegetariana equilibrada e funcional.

O vegetarianismo é saudável?

Depende da dieta de cada um. À partida, o vegetarianismo pode ser visto como algo que traz benefícios à saúde, pois como já afirmado por vários médicos e especialistas, o consumo exagerado de carne está associado a várias doenças. No entanto, ao deixar a carne ou o peixe de lado não significa necessariamente que está a seguir uma dieta saudável. Existem vários produtos vegetarianos, principalmente fast food, que são altamente processados e incluem ingredientes artificiais.

Outra coisa a ter em conta é que ao abdicar da carne e peixe, estará a abdicar também de proteínas e nutrientes essenciais para o bom funcionamento do seu corpo. É por isso que se recomenda sempre consultar um nutricionista que lhe possa indicar produtos vegetarianos capazes de substituir a carne e o peixe a nível nutricional.

Portanto, sim, o vegetarianismo pode ser uma opção saudável, mas só se consumir alimentos saudáveis, não processados e artificiais, e apenas se estiver a receber os nutrientes necessários para que o seu corpo continue a funcionar adequadamente.

O que leva alguém a escolher o vegetarianismo?

São várias as razões que levam cada vez mais pessoas a adotar o vegetarianismo. Há pessoas que simplesmente nunca apreciaram significativamente carne ou peixe e que por isso não fazem grande questão em comer tais alimentos. Outras pessoas escolhem o vegetarianismo por questões de saúde ou ambientais, enquanto outras pessoas preferem não incutir dor e tortura aos animais, etc.

A verdade é que cada vez são mais os documentários que abordam a temática do vegetarianismo, o que aliado ao rápido e fácil acesso que qualquer um possui a informações ilimitadas, contribuiu para que cada um conseguisse educar-se mais e melhor sobre um assunto que era até há poucos anos ignorado pela maioria da sociedade. As razões mais comuns que levam as pessoas a adotar o vegetarianismo são:

1. Problemas de saúde

O consumo de carne excessivo, principalmente de carne vermelha, tem sido confirmado como um potencial agravante para doenças crónicas e degenerativas como diabetes, hipertensão e obesidade, de acordo com inúmeros estudos científicos. Principalmente no que toca a pessoas que sofrem com alguma destas doenças, é indicado o consumo de alimentos de origem vegetal, a restrição de carnes e até mesmo dos derivados.

No entanto, até mesmo para pessoas saudáveis, o consumo exagerado de carne é cada vez algo menos recomendado devido às suas mais recentes associações a variados problemas, incluindo doença cardíaca. Tudo isto leva a que muita gente transite para o vegetarianismo.

2. Agropecuária e o meio ambiente

O setor pecuário é o maior responsável pelo desmatamento, erosão dos solos e contaminação de meios aquíferos, segundo a Organização da Nações Unidas (ONU). Além disso, este setor também é responsável pela emissão de 14,5% dos gases de efeito estufa provenientes de atividades humanas. Apenas uma percentagem baixíssima de tudo o que é produzido é destinada ao consumo humano, enquanto a maior parte vira ração para quintas e vários setores industriais.

Além disso, a produção de alimentos na agropecuária também contribui para um desperdício alimentar em massa: são necessários entre 2 a 10kg de proteína vegetal para se obter em troca 1kg de proteína animal, sendo este um desperdício preocupante. Portanto, questões relacionadas com a poluição, desmatamento, contaminação e desperdício associadas à indústria agropecuária são grandes motivadores no que toca à transição para o vegetarianismo.

3. Informação sobre o vegetarianismo

Como já mencionado, vivemos na era da informação. Tudo o que queremos saber está à distância de um clique, portanto a partir do momento em que uma pessoa ganha curiosidade sobre um tema como este ou qualquer outro, ela consegue facilmente aceder a toda a informação que pretende. Aqui estão os meios mais comuns onde poderá encontrar informação sobre o vegetarianismo:

  • Blogosfera – Assim que alguém escreve no Google palavras como “vegetarianismo”, “veganismo” ou “dieta vegetariana”, a pessoa é imediatamente bombardeada com milhares e milhares de artigos que fornecem informação frequentemente valiosa sobre o tema. Assim, qualquer um interessado pode ler o número de artigos que quiser para obter quanta informação quiser. É rápido e acessível.
  • Netflix – A quantidade de documentários que abordam o vegetarianismo presentes na plataforma Netflix é avassaladora. Documentários como “What the Health”, “Earthlings” ou “Cowspiracy” são dos mais famosos entre o vasto leque de produções que permitem transmitir conteúdos educativos ao público. Além de contarem com a participação de médicos, cientistas e outros especialistas no assunto, mostram ainda imagens, muitas delas chocantes, sejam de animais em sofrimento ou da destruição do ambiente, o que facilita o envolvimento/empatia do público para com estas questões.
  • Youtube – Já no Youtube são também inúmeros os vídeos que se pode encontrar relacionados com o vegetarianismo. Desde profissionais de saúde, especialistas ambientais e cientistas a vegetarianos propriamente ditos que partilham os seus testemunhos, não falta informação para consumir.

Se pretende tornar-se vegetariano, aconselhamos acima de tudo a informar-se sobre o vegetarianismo. Perceba se essa é realmente uma escolha com a qual se identifica e que faz sentido para si. Há muita informação disponível online, mas nem toda ela é fidedigna, por isso certifique-se de que recolhe informação partilhada por especialistas e profissionais na área.

Depois, se decidir seguir em frente com a sua decisão, aconselhamos a contactar um nutricionista para ajudá-lo a adaptar-se aos hábitos alimentar que o vegetarianismo implicará. Esperamos ter ajudado!

A redação do trabalhador.pt