Filtro de partículas: o que é, regeneração e cuidados

Sabe qual a função de um filtro de partículas num automóvel? Esta pequena peça pode não receber muita atenção por parte dos condutores, mas a verdade é que desempenha um papel importante no que toca a proteger o meio ambiente. Neste artigo, entre outros, explicamos-lhe em que consiste o filtro de partículas, o seu funcionamento e qual a sua importância, abordando ainda outras questões relacionadas. Boa leitura!

O que é um filtro de partículas?

Tal como o nome indica, trata-se de um filtro colocado no sistema de escape dos automóveis. Este é um componente automóvel produzido em cerâmica porosa de cordierite ou carboneto de silício, e tem como função reter os resíduos nocivos no seu interior, impedindo o lançamento dos mesmos para a atmosfera. Um filtro de partículas em boas condições consegue reter até 80% de elementos nocivos.

Em 2009, tornou-se obrigatória a introdução de filtros de partículas nos escapes dos automóveis a gasóleo, muito embora, na altura, já eram vários os fabricantes que tinham adotado esta medida. No que toca aos automóveis a gasolina, a obrigatoriedade chegou apenas anos mais tarde, mais concretamente em 2017. Atualmente, é ilegal circular com um automóvel que não possua um filtro de partículas.

Como funciona o filtro de partículas?

O filtro de partículas é formado por uma variedade de canais, por onde passam os gases e ficam retidos os seus elementos mais nocivos para o ambiente e para o ser humano. À medida que o tempo passa, é importante fazer a manutenção deste filtro, limpando-o devidamente, pois caso contrário a retenção de partículas nocivas começa a ser menos eficaz. 

A falta de manutenção leva as partículas a acumularem-se no filtro, o que não só resulta na libertação dos gases nocivos para a atmosfera, como também faz com que o próprio automóvel passe a consumir mais.

Qual a duração do filtro de partículas?

Em princípio, esta peça não precisará de ser substituída, pois o objetivo é durar a vida útil do próprio automóvel. Contudo, tudo depende da utilização do filtro, e mais concretamente da sua manutenção. Se limpar devidamente esta peça e desobstruir os seus canais para a retenção correta de gases, maiores as chances de aumentar a sua duração.

A manutenção do filtro de partículas deve ser feita a cada cem mil quilómetros e pode custar entre 100€ e 150€ na generalidade dos centros de reparação auto.

Regeneração ativa e passiva do filtro

Como já mencionado, o filtro de partículas deve ser limpo e esvaziado regularmente para manter um desempenho elevado. Este esvaziamento é chamado “regeneração”, e consiste na queima de partículas pesadas que se acumulam nos canais do filtro. Para tal acontecer, o condutor deve apenas deixar o motor trabalhar, não precisando de fazer mais nada. Existem dois tipos de regeneração: passiva e ativa. Em seguida abordamos as duas de forma mais pormenorizada.

Regeneração passiva do filtro

Dá-se quando a temperatura do escape alcance níveis elevados, normalmente nas autoestradas, locais onde os automóveis alcançam velocidades mais altas. Para quem não conduz vários quilómetros, é preferível recorrer à regeneração ativa. Na regeneração passiva do filtro de partículas normalmente recorre-se a um aditivo que permite queimar a fuligem.

Não ignore a luz de aviso indicando que este aditivo precisa de reabastecimento, pois se o fizer, o mais provável é que a regeneração não seja bem feita.

Regeneração ativa do filtro

Acontece quando a capacidade de carga de fuligem no filtro alcança dado limite, que normalmente corresponde aos 45%. O veículo faz com que a injeção de combustível aumente, subindo assim a temperatura dos gases de escape dentro do filtro de partículas, consequentemente queimando a fuligem.

Contudo, se o condutor parar o carro enquanto este processo estiver a decorrer, a luz de aviso do filtro de partículas irá certamente acender como forma de chamar à atenção para o bloqueio parcial do mesmo.

De modo a terminar um ciclo de regeneração e para a luz apagar, conduza durante aproximadamente 10 minutos, a uma velocidade igual ou superior a 70km/h e com as rotações acima das 2500 rpm.

Sinais de que a regeneração ativa está a ocorrer:

  • Se verificar que os ventiladores de arrefecimento estão a funcionar;
  • Se a velocidade do relantim aumentar;
  • Se o sistema Start/Stop se desligar automaticamente;
  • Se o consumo de combustível aumentar;
  • Se o escape começar a emitir um cheiro fora do comum;
  • Se o ruído do motor for diferente do habitual.

Que cuidados ter com o filtro de partículas?

Além dos cuidados de manutenção já mencionados anteriormente, é importante ter em conta algo mais. De modo a utilizar o filtro de partículas corretamente, preservando-o e permitindo os ciclos de regeneração necessários, é importante percorrer muitos quilómetros. Portanto, se usar o seu automóvel raramente ou durante pouco tempo de cada vez, o seu filtro de partículas não estará a receber o melhor tratamento.

Isto é explicado pelo facto de os ciclos de regeneração apenas funcionarem bem quando o automóvel alcança a temperatura ideal. Só chegando a essa etapa é que as partículas retidas serão queimadas apropriadamente, ou seja, só assim os gases nocivos serão filtrados e a qualidade do filtro será mantida. Tudo isto acontece apenas quando percorre muitos quilómetros de forma contínua.

Caso não o faça, é natural que com o tempo, o painel de instrumentos indique sinal de avaria. Se for esse o caso, dirija-se a uma oficina para resolver rapidamente o problema.

Assim, conclui-se que é importante ter em conta os quilómetros que percorre, de modo a manter o bom desempenho do seu filtro de partículas.

Catarina Fonseca

Desde cedo uma curiosa nata, decidiu seguir Ciências da Comunicação para desenvolver a sua paixão pelo jornalismo e pela escrita. Agora formada, gosta de se aventurar pelo mundo, conhecer novas pessoas e culturas, e leva sempre um caderno e câmara fotográfica às costas para eternizar as suas experiências.