O dinheiro traz felicidade? Saiba o que diz a ciência!

Pessoa em êxtase com o dinheiro que ganhou

Afinal, o dinheiro traz felicidade? Esta é certamente uma questão muito comum, principalmente entre aqueles que ainda não alcançaram a prosperidade financeira. No entanto, entre os que já experimentam os privilégios de uma vida abastada, há quem defenda que não, que o dinheiro não traz felicidade, que não existe relação entre as duas coisas e que é preciso muito mais para se ser plenamente feliz.

Bem, como em toda e qualquer polémica, uma resposta negativa à questão não deixa de gerar controvérsias, pois, se o dinheiro não traz felicidade, pelo menos permite comprar bens materiais – algo desejado pela generalidade das pessoas.

Facto é que, apesar das brincadeiras, este é um tema que tem gerado cada vez mais discussões, sobretudo entre os profissionais da área da psicologia, ciência que trata da mente, do estudo e análise dos seus processos e comportamento de indivíduos e grupos humanos em diferentes situações.

São os psicólogos quem se debruçam sobre este interessante assunto, promovendo estudos e pesquisas cuja finalidade é responder à famigerada pergunta que abre este artigo. Quer saber se já encontraram a resposta para esta imperiosa dúvida? Então não deixe de ler este artigo!

O dinheiro traz felicidade?

Estudioso da felicidade humana, Matthew Killingsworth, psicólogo e membro da Universidade da Pensilvânia nos Estados Unidos da América, publicou recentemente na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) o resultado das suas investigações sobre o tema.

Numa das suas publicações conseguiu, através da análise de dados obtidos entre voluntários, estabelecer uma ligação direta entre o dinheiro e a felicidade, confirmando aquilo que todos suspeitávamos desde o princípio: sim, o dinheiro influencia na felicidade e no bem-estar muito mais do que imaginamos.

Ao todo, 33.000 pessoas, de 18 a 65 anos, participaram do estudo, todos residentes nos EUA. Através de uma aplicação que Killingsworth criou, chamada de «Track Your Happiness», as pessoas respondiam perguntas algumas vezes ao dia que mediam a sua felicidade.

Com os dados obtidos, Matthew calculou o nível médio de felicidade de cada pessoa e analisou a sua relação com o rendimento financeiro. Ao analisar uma ampla faixa de níveis de rendimento, descobriu que todas as formas de bem-estar aumentavam à medida que o rendimento também aumentava, sem que houvesse qualquer ponto de inflexão em que o dinheiro deixasse de ter importância.

Ademais, através do referido estudo constatou também que quem ganha mais é mais feliz porque consegue ter uma maior sensação de controlo sobre a sua vida. Pessoas com um fundo de emergência têm mais liberdade para aceitar ou rejeitar propostas de emprego, ao contrário daquelas que não possuem qualquer reserva financeira, por exemplo.

Estas últimas tendem a aceitar a primeira vaga disponível para se manter, mesmo que seja para executar uma função que não gostam. Importa referir que, independentemente da importância da decisão, ter mais dinheiro dá à pessoa mais opções e uma maior sensação de autonomia.

Não obstante, apesar das constatações do estudo (isto é, o rendimento de uma pessoa incide sobre os seus níveis de felicidade), Killingsworth não quer que a pesquise reforce a ideia de que as pessoas devem concentrar-se mais no dinheiro. Em vez disso, reforça o seu desejo de que o estudo contribuía para ajudar que as pessoas se debrucem mais sobre aquilo a que chama de “equação da felicidade humana”.

Afinal, a felicidade depende de vários fatores, e o rendimento financeiro é apenas um deles, havendo também aspetos culturais e comportamentais que não podem deixar de ser tidos em conta.

Que felicidade é essa que o dinheiro traz?

De acordo com a pesquisa World Database of Happiness, que realiza estudos relacionados com a felicidade, os países ricos são considerados mais “felizes” quando comparados àqueles que atravessam crises e dificuldades financeiras. Todavia, são nestes mesmos países que os índices de depressão e suicídios são mais elevados – o que enfraquece a tese de que dinheiro traz felicidade.

Outro estudo, conduzido por Angus Deaton, economista e investigador da Universidade de Princeton, nos EUA, demonstra que o dinheiro influencia os índices de felicidade do ser humano e a sua falta provoca sofrimento emocional – corroborando com as conclusões da pesquisa guiada por Matthew Killingsworth.

No entanto, Deaton pondera sobre os dados, afirmando que a relação entre dinheiro e felicidade é bem mais complexa e não está diretamente relacionada com os níveis de riqueza de um indivíduo, mas sim, com a possibilidade deste se realizar pessoalmente.

Finaliza explicando que ter mais dinheiro não significa ser mais feliz desde que tenhamos o dinheiro o suficiente para fazer as coisas de que gostamos. Isto é, o dinheiro traz felicidade se a pessoa consegue colocar em prática seus sonhos ou realizar seus desejos de consumo.

E o que compra o dinheiro?

É óbvio que o dinheiro é um facilitador, pois liberta-nos de preocupações, ajuda no dia a dia, proporciona-nos a possibilidade de fazermos viagens, de nos divertirmos e de adquirirmos bens materiais que garantem uma certa alegria; todavia, isso não significa necessariamente ter felicidade.

É o que afirma a psicologia positiva, estudo científico “daquilo que faz a vida valer a pena”. A sua abordagem a pensamentos, sentimentos e comportamentos possui um foco nas forças de uma pessoa — em vez de se focar nas suas fraquezas.

De acordo com essa perspetiva, o dinheiro compra uma casa, mas não compra um lar. Compra um medicamento, mas não a saúde. Compra um livro, mas não a sabedoria. Compra um relógio, mas não o tempo. E a verdade é que tudo o que citamos – lar, tempo, sabedoria, saúde – é imprescindível para a qualidade de vida de qualquer pessoa, não obstante não possam ser adquiridos com dinheiro.

Assim, é possível dizer que não se pode atribuir ao dinheiro todo o conceito de felicidade, visto que essa relação é limitada. No entanto, também é possível afirmar que ter dinheiro afasta muitas agruras provocadas pela sua falta.

Concluindo…

Considerando os mais recentes estudos que relacionam felicidade e dinheiro, podemos dizer que a resposta para a pergunta “o dinheiro traz felicidade?” é: sim, mas com algumas ressalvas. Este é um tema demasiado complexo, pois não há como dissociar o rendimento de bem-estar emocional. Ao mesmo tempo, existem outros fatores mais importantes do que o dinheiro nessa equação. Ademais, para efetivamente comprar felicidade, é preciso saber usar a conta bancária a seu favor.

Luana Castro Alves

Licenciada em Letras e Pedagogia, redatora e revisora, entusiasta do universo da literatura, sempre à procura das palavras. "Não se pode escrever nada com indiferença." (Simone de Beauvoir)