Amor de Perdição: resumo da obra de Camilo Castelo Branco

“Não há baliza racional para as belas, nem para as horrorosas ilusões, quando o amor as inventa.”

(Amor de Perdição – Camilo Castelo Branco)

O trecho acima pertence à novela Amor de Perdição, do escritor português Camilo Castelo Branco. Considerado o seu livro mais importante, e um dos mais importantes do Romantismo em Portugal, Amor de Perdição narra a história do amor proibido entre Simão Botelho e Teresa de Albuquerque, enredo que em muito se assemelhava às situações vividas pelo autor e Ana Plácido, a sua grande paixão. Com ela, Camilo viveu uma relação amorosa infeliz, que seguramente serviu de inspiração para os seus livros.

Durante quase quarenta anos, de 1851 a 1890, Camilo Castelo Branco escreveu mais de 260 obras – ritmo que não diminuiu a qualidade da sua literatura, que prezava pelo refinado uso do idioma e pelo amplo aproveitamento da língua portuguesa. De entre todas as suas obras, Amor de Perdição foi a que alcançou maior êxito – o que em parte se deve ao seu tom passional e ultrarromântico, bem ao estilo Romeu e Julieta, obra-prima de Shakespeare.

Embora não seja considerado o melhor livro de Camilo Castelo Branco, Amor de Perdição é, inegavelmente, aquele que foi escrito com mais paixão em toda a sua obra literária. Figura como um ponto marcante na carreira deste autor, que contribuiu imensamente para a nossa literatura, deixando para a posteridade os seus romances e um legado enorme de textos inéditos, comédias, folhetins, poemas, ensaios, prefácios, traduções e cartas.

Conheça agora um resumo de Amor de Perdição (1861), livro que já foi diversas vezes traduzido e adaptado ao teatro e cinema, facto que comprova a sua enorme relevância não só para a literatura portuguesa, mas também para a literatura universal. Boa leitura!

Amor de Perdição: resumo

“Orgulho ou insaciabilidade do coração humano, seja o que for, no amor que nos dão é que nós graduamos o que valemos em nossa consciência.”

(Amor de Perdição – Camilo Castelo Branco)

O enredo de Amor de Perdição passa-se em Viseu, cidade localizada na região Centro de Portugal, no século XIX. Conta a história de Simão Botelho e Teresa de Albuquerque, dois jovens pertencentes a famílias nobres e rivais.

Pelo seu temperamento irascível, Simão está sempre envolvido em confusões – por este motivo, o seu pai mandou-o para Coimbra estudar, onde acaba por se meter em novas brigas, sendo detido. Já em liberdade, regressa a Viseu, onde conhece Teresa Albuquerque, a vizinha por quem se apaixona perdidamente. É este o evento que provoca no rapaz uma série de transformações positivas: regenera-se, torna-se estudioso, passa a compreender a importância do amor – sentimento que passará a conduzir todos os seus atos a partir de então.

Quando descobrem o namoro do filho com uma das integrantes da família Albuquerque, os Botelho ordenam que Simão regresse a Coimbra. A Teresa são oferecidas duas opções: ou se casa com o seu primo Baltazar, ou vai para um convento. Proibidos de viver a paixão fulminante que os acometeu, com a ajuda de uma mendiga e de Mariana, filha do ferreiro João da Cruz, os jovens enamorados passam a trocar correspondência. Mariana sucumbe à paixão por Simão, embora saiba que o seu amor jamais será correspondido; todavia, sente-se satisfeita ao ver a felicidade do amado.

Após sofrer diversos atentados e ameaças, Teresa recusa o casamento, facto que a levará ao convento de Monchique, no Porto. Ao descobrir o exílio da amada, Simão decide raptá-la, matar o seu rival e entregar-se à polícia. João da Cruz, o ferreiro, oferece ajuda a Simão, propondo que fuja; contudo, Simão recusa, comprovando assim o típico comportamento de um herói romântico.

Ao matar por amor a Teresa, Simão assume o seu gesto desesperado e faz questão de pagar por este; por isso, vai preso. O destino de Teresa é o convento, enquanto Mariana segue firme ao lado de Simão, oferecendo sempre ajuda ao homem que ama. Condenado à forca, a sentença é atenuada e Simão é degredado para a Índia.

No momento da sua partida, Teresa, padecendo de uma doença grave, pede que a coloquem no mirante do convento, para que assim possa assistir à partida do navio que levará o seu amor para longe. Depois do último adeus, morre, condenada pelo amor exagerado que a levou à perdição.

Durante a viagem, Mariana, companheira inseparável, mostra a Simão a última carta de Teresa e, ao saber da morte da mulher amada, Simão tem uma febre inexplicável, acabando por morrer. Tal e qual Teresa, o amor de Simão levou-o à perdição. Na manhã seguinte, o seu corpo é lançado ao mar. Mariana, por não suportar tal infortúnio, atira-se ao mar, abraçada ao cadáver de Simão. Os três personagens são, portanto, vítimas de um amor inexequível, um amor de perdição.

História de Amor de Perdição: resumo

Quando Amor de Perdição foi escrito, Camilo Castelo Branco encontrava-se detido na Cadeia da Relação, no Porto, acusado de adultério, crime praticado contra Ana Plácido, a sua companheira, com quem viveu uma relação conturbada. O autor escreveu a sua obra mais célebre no curto período de quinze dias, quando redigiu também as obras O Romance de Um Homem Rico e parte de Doze Casamentos Felizes.

A primeira edição de Amor de Perdição foi lançada em 1862; em 1864, foi publicado aquele que seria o contraponto a esta obra, o livro Amor de Salvação. Camilo Castelo Branco cometeu suicídio em 1890, aos 65 anos. Afetado por uma cegueira gerada por sífilis crónica, o fim da sua vida foi tão melancólico quanto as suas narrativas, marcadas pela dor de existir, infelicidade e falta de condições económicas.

Ficha de Amor de Perdição

  • Estilo: pertence à época romântica;
  • Género literário: novela passional;
  • Foco Narrativo: Embora na “Introdução” narrador e autor se confundam, os factos são narrados na 3.ª pessoa;
  • Tempo e Espaço: Portugal (Viseu, Coimbra e Porto), século XIX;
  • Personagens: Simão Botelho, Teresa Albuquerque, Mariana, Baltasar, Domingos Botelho, Tadeu Albuquerque, João da Cruz, D. Rita Castelo Branco.

Luana Castro Alves

Licenciada em Letras e Pedagogia, redatora e revisora, entusiasta do universo da literatura, sempre à procura das palavras. "Não se pode escrever nada com indiferença." (Simone de Beauvoir)