Descubra o tipo de cliché a evitar nas entrevistas de emprego

É muito comum os candidatos a uma vaga de emprego cometam certos deslizes no decorrer da entrevista de emprego, muitas vezes, dizendo ou fazendo algo que não joga a seu favor. Um bom exemplo são as respostas que alguns candidatos dão às perguntas que lhes são colocadas, sendo algumas consideradas um verdadeiro cliché, tal é o número de vezes que são repetidas.

Respostas cliché nas entrevistas

Por entendermos serem erros que, embora facilmente identificáveis, são repetidos inúmeras vezes, serve o presente artigo para o ajudar a identificar e evitar alguns dos principais clichés nas entrevistas de emprego.

Cliché #1 – “Preciso de um novo desafio”

Este cliché é dos mais comuns numa entrevista de emprego e, por essa razão, deve ser evitado ao máximo. Por ser demasiado genérico, dizer que precisa de um novo desafio profissional, mesmo sendo verdade, tende a não o ajudar a despertar curiosidade no entrevistador.

Na verdade, o entrevistador, na maior parte das vezes, nem saberá propriamente o que é isto de “um novo desafio profissional”. Logo aí será difícil perceber a razão por estar À procura de um. Em vez de optar por um cliché tão genérico quanto este, opte por apontar efetivamente o que o motiva, bem como o que entende com isto de um novo desafio? É o facto de ter de lidar com o cliente? É o facto de ter de trabalhar em equipa?

Se perceber com exatidão o que quer para a sua carreira, será muito mais fácil ser objetivo durante a entrevista de emprego, evitando respostas cliché. Não conseguir demonstrar “o caminho que pretende seguir” terá como consequência muito provável uma pergunta pouco positiva por parte do entrevistador: “mas afinal o que quer fazer?”.

Cliché #2 – “O meu maior defeito é ser perfecionista”

Questionados sobre quais os seus maiores defeitos como profissionais, muitos candidatos apontam ser demasiado perfecionistas. Isto não é propriamente mau, todavia é a, par do cliché anterior, repetido inúmeras vezes. Esta resposta é, muitas vezes, usada como improviso e visa passar a ideia ao recrutador que o seu maior defeito pode até ser entidade como uma virtude.

Coloque-se na pele do recrutador. Imagine que trabalha no departamento de recursos humanos de uma empresa e uma das suas funções é entrevistar os candidatos às vagas em aberto. Agora imagine fazer isto todos os dias, sendo que uma grande parte dos candidatos lhe vai dar respostas cliché, como confessar ser demasiado perfecionista, quando questionada sobre defeitos. Como encararia este tipo de resposta? É precisamente nesta situação que não o queremos colocar.

Digamos até que realmente é extremamente perfecionista e que essa característica já atrapalhou a sua carreira, em algum momento. Caso pretenda mencionar isso, então não deixe de dar exemplos concretos do seu excesso de perfecionismo, sob pena de não se diferenciar dos restantes candidatos.

Cliché #3 – “Sou uma pessoa muito dinâmica”

Qual a razão desta frase ser um cliché tão referido nas entrevistas de emprego? É simples: basicamente porque toda e qualquer atividade profissional, hoje em dia realizada, é altamente dinâmica. Aliás, na generalidade dos anúncios de emprego é muito comum ver referências, nos requisitos, a “candidatos dinâmicos e com resistência ao stress”.

Além disso, o ser dinâmico (ou não) é, na prática, algo difícil de medir, já que um candidato, pode ser extremamente produtivo numa determinada função/empresa e menos em outras (há um conjunto de fatores que pode contribuir para isso).

Em vez de se limitar a referir o cliché do dinamismo, procure demonstrar que de facto é dinâmico, apontando situações concretas do seu percurso profissional onde tenha conseguido dar resposta, em tempo útil, a desafios complicados e sem solução óbvia.

É bem mais importante trazer números e resultados para que o entrevistador o possa avaliar de uma forma mais objetiva e assim determinar se é (ou não) a pessoa indicada para ingressar naquela vaga.

Cliché #4 – “Eu tenho facilidade em adaptar-me”

Assim como os outros clichés ditos numa entrevista de emprego que abordamos até agora, este cliché também parece ser uma inverdade. Afinal de contas, terá uma determinada formação profissional e, muito provavelmente, exercerá a sua formação na área.

Ao dizer que tem facilidade em se adaptar a qualquer área profissional, poderá passar a ideia que não tem propriamente um área profissional fixa. Isto pouco contribuirá para chamar a atenção do entrevistador.

Quer uma dica? Diga ao entrevistador aquilo que está à procura no mercado de trabalho (seja uma nova experiência dentro da sua área profissional ou uma aposta numa mudança de carreira), procurando evidenciar a utilidade das suas competências para a sua nova empresa.

Cliché #5 – “Cheguei a acordo com a empresa para sair”

Este cliché também o pode colocar numa posição desfavorável perante o entrevistador.

Ter de justificar a razão para ter sido despedido do seu emprego anterior, bem com justificar o porquê de ter saído em litígio com a empresa anterior podem ser tópicos complicados de abordar numa entrevista. Não o vamos aconselhar a referir isso por sua própria iniciativa, todavia não podemos deixar de referir que, se questionado, não deve mentir.

Lembre-se que, por algum motivo, o recrutador poderá ter obtido informações (mesmo que informalmente) sob a sua prestação no trabalho anterior e caso dê uma resposta que possa não corresponder à verdade (por exemplo referir clichés como: “saí a bem da última empresa”, “cheguei a acordo com a empresa” ou outro) o entrevistador saberá que está a mentir. Isto poderá determinar a sua exclusão do processo de recrutamento.

Claro que, se tiver realmente feito um acordo para a sua saída, não há problema nenhum em referir isso. No entanto, ainda assim, seria bom evitar falar de tópicos potencialmente desconfortáveis como este.

Cliché #6 – “Daqui a cinco anos vejo-me…”

É muito frequente os entrevistadores perguntarem onde é que o candidato se vê daqui a 5, 10 ou 15 anos. A tentação é dar uma resposta cliché a uma pergunta cliché, designadamente mostrando comprometimento com a empresa em questão e/ou respostas extremamente vagas (por exemplo: “gostaria de ser melhor profissional do que sou hoje”). Embora isto até possa ser verdade, não deixa de ser a resposta que todos os outros candidatos, muito provavelmente, irão dar.

Também aqui não existem respostas perfeitas, todavia poderá tentar mencionar que é a área profissional em que gosta de estar envolvido, pelo que encararia como muito positiva (e até como forma de validação do seu trabalho) que dentro de 5 anos viesse a assumir funções de maior responsabilidade na empresa.

Conclusão

Numa entrevista de emprego, o que o avaliador terá de determinar é a aptidão do candidato (ou a falta dela) para a vaga de emprego à qual se está a candidatar.

Às perguntas mais básicas (que nada mais são que perguntas cliché) não deverão ser dadas respostas igualmente básicas, em grande medida por aquelas não serem colocadas de forma inocente. Na realidade servem para avaliar se o candidato se limita a responder de forma simplicista, recorrendo a um cliché ou outro, ou se, de alguma forma, a sua resposta se destaca comparativamente às dos outros candidatos.

Ao longo deste artigo referimos várias vezes que não existem respostas perfeitas, e isso é um facto. Todavia há respostas que são demonstradoras de pouco esforço (respostas cliché) por parte do candidato, sendo precisamente estas que deve procurar evitar. Seja sincero e não recorra a respostas simplicistas e genéricas que pouco ou nada dizem sobre si e sobre o que conquistou até ao momento.

A redação do trabalhador.pt