Lei do retorno: o que diz a biologia, psicologia e física?

Lei do retorno

Certamente já ouviu o provérbio que diz: “tudo o que faz um dia volta para si”, não é mesmo? Facto é que muitas pessoas acreditam que para cada ação há uma reação, movimento que alimenta um ciclo infinito, capaz de construir uma balança equilibrista universal.

O que talvez não saiba é que a tal lei do retorno, nome dado a este fenómeno, não é apenas uma crença popular, uma vez que pode ser explicada sob os pontos de vista da psicologia e da ciência.

Ficou interessado e quer saber mais sobre este curioso assunto? Então não deixe de ler este artigo, cujo propósito é explicar-lhe todos os “mistérios” que circundam esse “efeito boomerang”. Acompanhe!

O que é a lei do retorno?

Cada ação que fazemos reflete-se em nós mesmos. Assim pode ser explicada, de forma bastante resumida, a lei do retorno, uma espécie de mecanismo compensatório capaz de equilibrar as nossas ações em sociedade e no universo.

Exemplificando de maneira simples, corresponde a dizer que, se somos pessoas más, sofreremos as consequências do nosso comportamento, no entanto, o contrário também pode acontecer.

Embora esse conceito seja interpretado de forma superficial pela generalidade das pessoas, podemos afirmar que “nós colhemos aquilo que plantamos”; não obstante, a biologia, bem como a psicanálise, apresenta explicações mais robustas para a lei do retorno.

A lei do retorno sob a perspetiva da biologia

Para a Neurociência, existe uma estrutura chamada neurónio-espelho, que faz com que os seres humanos repitam tudo aquilo que veem na rotina, possibilitando uma aprendizagem contínua – o que é de salutar para o nosso amadurecimento.

A existência dessa estrutura fica ainda mais evidente quando observamos o comportamento das crianças em fase de crescimento, visto que estas acabam por se tornar reflexo direto dos pais ao copiarem os seus hábitos e posturas. Por sua vez, os pais, ao responderem com estímulos quando os filhos sorriem, falam, brincam, entre outras ações, acabando por favorecer ainda mais o seu desenvolvimento.

Por isso, um dos conceitos da lei do retorno diz que recebemos de volta tudo aquilo que damos ao mundo. Ou seja, se os pais são amorosos e cuidadosos com a sua prole, possivelmente os filhos devolverão esse amor na mesma medida.

Isso vale para todas as relações humanas, pois ao agirmos com boa fé e positividade, receberemos dos nossos pares tratamento semelhante; ao passo que, quem caminha na direção contrária, receberá, consequentemente, um tratamento equivalente.

As religiões e a lei do retorno

A lei do retorno é base para muitas linhas de pensamento e religiões, vide o Karma, uma das ferramentas mais difundidas dentro e fora do budismo.

Para o budismo, as ações voluntárias geram consequências equivalentes ou igualitárias, por isso, quando se fala em “mau Karma”, referimo-nos à penalidade existencial que alguém sofre.

Portanto, somos instados a repensar a nossa conduta diária, não para sermos recompensados pelo universo, mas para alcançar paz interior e tranquilidade, pois trilhar o caminho do bem traz satisfação e alegria para as nossas mentes.

A lei do retorno para a psicologia e física

A Psicologia observa a lei do retorno em ação através das aprendizagens e interações. Tudo é feito de forma associativa, o que trará um pensamento ou lembrança a partir do momento atual.

Por exemplo, ao sorrirmos para uma pessoa mal-humorada, as probabilidades de devolver o sorriso são exponenciadas; ao praticarmos uma boa ação, como ajudar quem precisa num momento de dificuldade, estamos também a contribuir para aumentarmos as chances de seremos socorridos quando estivermos numa situação similar.

A lei do retorno pode também ser explicada sob a perspetiva da Física, mais especificamente, com as propostas de Isaac Newton. Para o físico, amplamente reconhecido como um dos cientistas mais influentes de todos os tempos e como uma figura-chave na Revolução Científica, cada ação gera uma reação equivalente e oposta, de forma a criar um equilíbrio.

Além disso, há indícios de que temos e recebemos do mundo tudo o que a ele entregamos.

Como ser mais equilibrado?

Como pôde perceber, a lei do retorno parece mesmo infalível, cobrando-nos uma postura ética perante a vida e as pessoas, para que as consequências das nossas ações sejam benéficas. Não se trata de agir bem e esperar algo em troca, mas sim de viver e agir com sabedoria. Para isso, é preciso:

  • Avaliar os seus pensamentos: Nem todos os nossos pensamentos e ações são produtivos, o que nos pode prejudicar em algum momento da vida. Sabendo disso, tente fazer com que as suas ideias fluam de uma maneira moderada e positiva. Ter equilíbrio é fundamental, sempre.
  • Estude as suas emoções: As nossas emoções são responsáveis por fomentar a nossa energia interna, então, por mais difícil que seja o momento, é preciso fazer o exercício de tentar ver algo de positivo nas situações adversas, fazendo com que os bons sentimentos sobressaiam. Sabe aquela velha história do “copo meio cheio” e do “copo meio vazio”? Então, tente lembrar-se dessa forma de sabedoria popular e a colocar em prática sempre que a vida parecer demasiado confusa.
  • Reflita sobre as suas ações: Ações mecânicas podem trazer consequências negativas para a nossa vida, por isso, sempre que estiver prestes a agir por impulso, respire e tente manter a calma. Lembre-se que tudo o que fazemos e dizemos reflete-se na vida dos outros, portanto, seja responsável e cuidadoso com aqueles que estão a sua volta.

Resumindo…

A lei do retorno é um convite para avaliarmos, diariamente, as nossas ações e as nossas vidas. Por meio dela, é possível refletir sobre nosso comportamento e avaliar se estamos a agir de acordo com nosso bem-estar e, claro, com o bem-estar da comunidade, afinal,  somos seres sociais, portanto, as nossas atitudes podem impactar a vida de outros indivíduos.

Portanto, tente atentar-se aos próprios pensamentos, à forma como organiza as suas ideias, age e sente em relação ao que lhe acontece e em relação às outras pessoas. Uma postura empática permite-nos ver diferentes ângulos, além de nos ajudar a quebrar alguns paradigmas e conceitos cristalizados. Seja melhor consigo e, consequentemente, todos sentirão essa mudança para melhor. Cuide-se e cuide de quem ama!

Luana Castro Alves

Licenciada em Letras e Pedagogia, redatora e revisora, entusiasta do universo da literatura, sempre à procura das palavras. "Não se pode escrever nada com indiferença." (Simone de Beauvoir)