Pronomes: o que são, funções e tipos

Considera que escreve bem? Que tem facilidade com a língua portuguesa, conhece as regras e até mesmo as exceções? Se quer aprender mais sobre o seu próprio idioma, saiba que, para dominar a língua portuguesa, é indispensável conhecer os seus intrincados mecanismos, característica que faz da nossa língua uma das mais complexas do mundo!

Não tem medo, tampouco preguiça de enfrentar a nossa gramática? Então não deixe de ler este artigo, através do qual aprenderá mais sobre os pronomes, classe gramatical que desempenha uma importante função tanto na linguagem oral quanto na linguagem escrita.

O que são pronomes?

Pode estar-se a perguntar porque é que os pronomes são assim tão importantes. Pois bem, dizer que são essenciais na construção sintática e semântica de um texto não é exagero, pois, além de acompanharem os substantivos, podem também os retomar e até mesmo substituir, o que evitará repetições em excesso na escrita, um erro grave que pode tornar a leitura uma atividade cansativa e desinteressante.

Funções gramaticais de um pronome

Como referido, os pronomes existem para retomar, remeter ou qualificar outras palavras expressas no texto. Na ausência destes, as orações e frases podem ficar demasiado longas e, consequentemente, confusas. Veja só um exemplo.

A Mariana é filha de Beatriz. A Mariana é uma boa filha.

Percebeu a repetição? Isto poderia ser facilmente resolvido se, no lugar da Mariana, na segunda oração, fosse empregado o pronome pessoal “ela”. Veja:

A Mariana é filha de Beatriz. Ela é uma boa filha.

Notou como usar esse tipo de estratégia pode deixar o texto bem mais simples?

Quando pronomes atuam como substantivos, como no exemplo acima, estes são conhecidos como pronomes substantivos. Já os pronomes adjetivos, outra função que esta classe gramatical desempenha, qualificam ou especificam os substantivos que acompanham. Veja o exemplo:

A Mariana é minha filha. Ela é uma boa filha.

Nesta situação, o substantivo “filha” foi modificado com o acréscimo do pronome possessivo “minha”. Assim, não se trata de uma qualquer filha, mas sim da filha de alguém.

No entanto, além dessa classificação principal, existem muitas outras determinações que caracterizam os tipos de pronomes existentes na língua portuguesa. Que tal conhecê-los?

Tipos de pronomes

De acordo com a gramática da língua portuguesa, existem sete tipos de pronomes:

  1. Pronomes pessoais;
  2. Pronomes demonstrativos;
  3. Pronomes interrogativos;
  4. Pronomes possessivos;
  5. Pronomes relativos;
  6. Pronomes indefinidos;
  7. Pronomes de tratamento.

A partir de agora, vamos abordar cada um destes tipos detalhadamente, para que eventuais dúvidas que tenha sejam definitivamente esclarecidas.

1. Pronomes pessoais

Os pronomes pessoais são importantíssimos para a construção de um discurso ou diálogo. São estes que vão designar diretamente as pessoas na conversa:

  • O locutor (ou quem fala): 1.ª pessoa, que seria “eu” (no singular) ou “nós” (plural);
  • O interlocutor (com quem se fala): 2.ª pessoa, que seria “tu/você” (singular) ou “vós/vocês” (plural);
  • O assunto (de quem ou do que se fala): 3.ª pessoa. que seria “ela/ele” (singular) ou “elas/eles” (plural).

Portanto, os pronomes pessoais são responsáveis por indicar as três pessoas do discurso (eu, tu, ele, nós, vós, eles). Importante referir que todos os pronomes pessoais são também pronomes substantivos.

Além disso, são classificados como retos e oblíquos, a depender da função que desempenharem na oração. Os pronomes do caso reto cumprem o papel de sujeito, isto é, na afirmação “ela é minha filha” a palavra “ela” é um pronome pessoal do caso reto. Quanto aos pronomes pessoais do caso oblíquo, estes exercem função de objeto de um verbo, tal qual um complemento. Para todo pronome reto, há um correspondente no caso oblíquo. Confira:

  • Eu → mim, me, comigo;
  • Tu → te, ti, contigo;
  • Ele → se, o, a, lhe, si, consigo;
  • Nós → nos, conosco;
  • Vós → vos, convosco;
  • Eles → si, os, as, lhes, se, consigo.

Assim, quando diz “conversei com a Beatriz e ela disse-me que a Mariana é uma boa filha”, é possível inferir que, nessa afirmação, a palavra “ela” é um pronome pessoal reto, e “me” é um pronome pessoal oblíquo.

2. Pronomes possessivos

Os pronomes possessivos, como a própria nomenclatura denuncia, são empregues para falar de algo que indica posse em relação a alguém do diálogo ou texto escrito. Um exemplo está na afirmação “A Mariana é minha filha”. Simples, não é verdade?

Podem ser utilizados sempre que for necessário falar de algo que você ou outra pessoa têm. Pode ser um sentimento, um objeto, uma relação, etc. Confira infra a relação de cada pessoa do discurso com seus pronomes possessivos correspondentes:

  • Eu → meu, minha, meus, minhas.
  • Tu → teu, tua, teus, tuas.
  • Ele → seu, seus sua, suas.
  • Nós → nosso, nossos, nossa, nossas.
  • Vós → vossa, vosso, vossos, vossas.
  • Eles → seu, sua, seus, suas.

3. Pronomes demonstrativos

Os pronomes demonstrativos devem ser utilizados para indicar a localização de seres ou objetos, seja no tempo ou no espaço. É simples: os pronomes demonstrativos servem para situar algo na conversa. Quando o assunto está situado próximo ao locutor ou interlocutor, os pronomes demonstrativos empregues podem ser os seguintes:

  • 1.ª pessoa → isto, este, esta, estes, estas.
  • 2.ª pessoa → isso, esse, essa, esses, essas.

Se o assunto estiver distante do locutor ou interlocutor, pode-se usar os seguintes pronomes:

  • 3.ª pessoa → aquilo, aquele, aquela, aqueles, aquelas.

4. Pronomes interrogativos

Quando pergunta que dia é hoje, qual o melhor tipo de vinho, quem vai ao cinema ou quando vai conseguir tirar férias, por exemplo, está a fazer uso de pronomes interrogativos. Os pronomes interrogativos são essenciais na elaboração de perguntas, sejam elas diretas ou indiretas. Entre as palavras que fazem parte desse grupo estão: que, quem, qual, quais, quanta, quanto, quantas e quantos.

5. Pronomes relativos

No início deste artigo mencionamos que os pronomes, via de regra, têm a função de substituir ou remeter uma palavra à outra, não é mesmo? Os pronomes relativos são essenciais para a coesão e coerência de um texto, ao evitarem repetições desnecessárias que empobrecem uma composição. Confira alguns exemplos:

  • O vestido que comprei é branco.
  • Este é o rapaz de quem te falei.
  • A escola onde ele estuda fica perto da estação de metro.

São eles: onde, que, quem, o qual, a qual, os quais, as quais, quanto, quantos, cujo, cuja, cujos, cujas, quantas, etc. Os pronomes relativos retomam substantivos, substituindo-os na oração seguinte. Mesmo que nunca tenha ouvido falar em pronomes relativos, certamente faz uso constante deste tipo de pronome, seja em textos escritos ou na fala.

6. Pronomes indefinidos

Os pronomes indefinidos referem-se a substantivos de um modo genérico, inespecífico, daí o nome: indefinidos. Veja alguns exemplos:

  • Certas pessoas não têm medo do ridículo.
  • Alguns homens comportam-se como crianças.
  • Tantos destinos para escolher, mas ela escolheu viajar para aquele lugar sem piada.
  • É com cada pessoa a querer aparecer…

Os principais pronomes indefinidos são: algum, nenhum, todo, outro, muito, pouco, certo, vários, tanto, quanto, qualquer, alguém, ninguém, tudo, nada, cada, demais, algo. Ademais, eles também podem aparecer na forma de locuções, a saber: cada um, cada qual, qualquer um, seja qual for, seja quem for, todo aquele que, etc.).

7. Pronomes de tratamento

Os pronomes de tratamento são axiónimos, isto é, nomes que constituem formas polidas e corteses de tratamento, expressões de reverência, títulos honoríficos, etc. São utilizados da mesma forma que os pronomes pessoais, entretanto, devem ser empregues em circunstâncias de comunicação mais formais, antecedendo determinadas palavras que designam cargos ou posições sociais de prestígio. Embora designem a pessoa a quem se fala, isto é, a segunda pessoa, exigem o verbo na terceira pessoa.

Exemplos:

  • Precisa de ajuda?
  • Agradeço que Vossa Senhoria analise o assunto assim que possível.
  • V. Excelência gostaria de assinar os diplomas agora?
  • Sua Magnificência gostaria de assinar os diplomas agora. Dê-me a pasta, por favor.

Para a lista completa dos pronomes de tratamento, clique aqui.

Agora que já conhece as funções dos pronomes, bem como os seus tipos, que tal conhecer algumas curiosidades e erros comuns envolvendo o uso desta classe gramatical tão importante? Acompanhe.

Ambiguidades com os pronomes possessivos

Algumas formas flexionadas dos pronomes possessivos podem deixar o interlocutor ou o leitor um tanto confuso. Observe infra alguns exemplos do que não fazer:

Vi a minha mãe perto do trabalho ontem. (o trabalho do interlocutor ou da mãe?)

Melhor seria:

Vi a minha mãe perto do seu trabalho ontem.

Mais um exemplo:

O professor proibiu que a aluna utilizasse o seu dicionário. (o dicionário é do professor ou do aluno?)

Melhor seria:

O professor proibiu que a aluna utilizasse o dicionário dela.

Além disso, os pronomes possessivos também podem exprimir uma ideia de respeito, afeto, ofensa ou cálculo aproximado:

Não se preocupe, meu senhor, nós entregaremos a encomenda no prazo. (respeito)
Minha filha, por favor, não chegue tarde. (afeto)
Sua inconsequente, podias-te ter magoado! (ofensa)
Aquele carro já deve ter uns 12 anos. (cálculo aproximado)

Utilização do “eu” e “mim”

Depois da leitura deste artigo ficou claro que o pronome pessoal “eu” desempenha a função de sujeito. O mesmo não acontece com “mim”, que exerce a função de objeto indireto. Desta forma, a palavra “eu”, via de regra, é utilizada seguida de uma ação, enquanto “mim” é sempre acompanhado de uma preposição. Observe:

Eu devo chegar ao teatro pelas 20h00.
Essa joia foi um presente para mim.

Por isso, nunca utilize “mim” para acompanhar verbos, o que evitará frases do tipo “tinham muitos livros para mim ler” ou “preciso de férias para mim viajar!. Apenas o “eu”, “tu”, “ele/ela”, “nós”, “vós” e “eles” conjugam verbos.

Agora que já sabe a importância dos pronomes para as interações verbais, bem como para o processo de construção da coerência e coesão de um texto, não deixe de colocar em prática tudo o que aprendeu. Lembre-se que não há nada melhor que a prática!

Luana Castro Alves

Licenciada em Letras e Pedagogia, redatora e revisora, entusiasta do universo da literatura, sempre à procura das palavras. "Não se pode escrever nada com indiferença." (Simone de Beauvoir)