Medo: o que é, causas, sintomas e benefícios

Certamente que, ao longo da sua vida, já terá sentido medo, seja medo de alturas, medo do escuro ou medo de falar em público. Embora o medo seja um tema que desperta bastante curiosidade, não é propriamente algo muito falado.

Cientes disso, redigimos o presente artigo onde, entre outros, procuramos dar resposta a algumas perguntas mais frequentes sobre o medo, nomeadamente em que consiste, quais as suas causas, os seus sintomas e, pasme-se, quais os seus benefícios. Sim, o medo tem benefícios!

O que é o medo?

Lembra-se daquele dia que sentiu um “friozinho na barriga” antes de começar uma apresentação em público? Ou quando era criança e sentia medo de dormir sozinho no quarto escuro? O medo acompanha-nos em todas as fases da nossa vida. Não importa se é forte e corajoso, em algum momento, todos nós já sentimos medo.

O medo é algo involuntário e natural, estando longe de ser considerado um sinal de fraqueza ou de cobardia. O medo trata-se de uma reação a uma situação que é percebida como potencialmente ameaçadora, é um mecanismo de defesa que nos faz pensar racionalmente perante uma situação.

O medo tem benefícios?

Embora possa parecer estranho, a resposta é sim. Por um momento, imagine se não existisse o medo. Sem esta emoção, poderíamos colocar a nossa vida em risco nas mais diversas situações do dia a dia: ficaríamos ao lado de animais perigosos, andaríamos de carro a alta velocidade, saltariamos de prédios ou andaríamos sozinhos à noite em locais considerados perigosos.

O medo real está associado diretamente a situações que podem realmente oferecer algum tipo de perigo, é uma sensação de que algo de mau pode acontecer e nos magoar, tanto física quanto psicologicamente.

Este tipo de medo é bem-vindo, contribuindo com o nosso bem estar físico, proteção ou até mesmo para garantir a nossa sobrevivência. Este tipo de medo faz-nos pensar nas consequências das nossas ações.

Já o medo excessivo ou “fantasioso” faz acaba por nos ser prejudicial. Em grande medida por ter um efeito inibidor, muitas vezes sem razão ou meramente irracional. É aqui que entram as fobias.

Qual a diferença entre medo e fobia?

O medo é uma emoção completamente natural que surge em diversas situações ao longo da vida. É uma espécie de “boia que nos mantém à tona”. No entanto, quando esse estado evolui e passa a ser algo extremo, passa a ser prejudicial, até para as nossas interações sociais, tornando-se assim um fobia.

A fobia é um medo extremo, desproporcional e acima do normal. Pode surgir por vários motivos, nomeadamente ao sermos confrontandos com determinados objetos, pessoas ou até animais. As podem fobias desencadear um conjunto de reações físicas e psicológicas, como por exemplo transpiração em excesso, taquicardia, falta de ar, pânico e ansiedade.

Entre as fobias mais conhecidas estão o:

  • Medo de obras (zoofobia);
  • Medo de aranhas (aracnofobia);
  • Medo de alturas (acrofobia);
  • Medo do escuro ou da noite (nictofobia);
  • Medo de trovões (astrofobia);
  • Medo de aviões (aerofobia);
  • Medo de lugares fechados (claustrofobia);
  • Medo de multidões (enoclofobia);
  • Medo de palhaços (coulrofobia);
  • Medo de sangue, seringas e injeções (hematofobia).

Quais as causas do medo?

O medo tem sido um assunto muito estudado pela psicologia. Sabe-se que o medo tem uma ligação direta com traumas e situações do passado. Existem acontecimentos que traumatizam e geram reações involuntárias que, podem, ao longo do tempo, evoluir para um quadro de medo.

Antes de sentir qualquer tipo de medo, o indivíduo sente ansiedade, que é, de certa forma, uma antecipação do estado de alerta. Após esta sensação, ocorre a libertação de hormonas como a adrenalina, que causa acelera os batimentos cardíacos, causando suor e a dilatação das pupilas.

Quais os tipos de medo?

Os medos podem ser classificados em três tipos:

  • Medo real – Este tipo de medo está associado a situações que realmente podem oferecer algum risco para o indivíduo, como cair, acidentar-se ou magoar-se, fazendo-nos pensar antes de agir. Funciona com um “agente protetor”.
  • Medo emocional – Relaciona-se com um sentimento de incapacidade e inferioridade. Está intrinsecamente relacionado com o lado emocional do indivíduo, nomeadamente com o receio de prejuízos emocionais, como por exemplo, o medo de fracassar, o medo da solidão, do abandono, entre outros.
  • Fobia – Refere-se ao medo num estágio crónico. A fobia é um medo de nível excessivo, extremo, involuntário e fora do normal. Exemplo: claustrofobia, aracnofobia, aerofobia, acrofobia, entre outros.

Quais os sintomas do medo?

Perante uma situação que nos causa medo, o nosso corpo pode apresentar sinais físicos e psicológicos de insegurança e temor.

Sintomas físicos do medo:

  • Palpitações e taquicardia;
  • Suores frio;
  • Tonturas;
  • Dormência e formigamento nas mãos, pés e rosto;
  • Falta de ar e sensação de sufocamento;
  • Tremor por todo o corpo;
  • Náuseas;
  • Desmaio (em alguns casos).

Sintomas psicológicos do medo:

  • Ansiedade;
  • Nervosismo e irritabilidade;
  • Sentimento de fuga;
  • Sentimento de estar fora da realidade.

Como enfrentar o medo?

O medo, em estágios não crónicos, pode ser trabalhado por meio do autoconhecimento e da prudência, por exemplo, sendo a terapia a melhor alternativa para controlar o medo.

Não obstante, existem algumas “dicas” que o poderão ajudar, no dia a dia, a controlar e enfrentar os seus medos:

  1. Aceite que tem medo – Tudo começa pela aceitação. Aceite os seus medos, encare-os de frente e comece a partilhe-os com outras pessoas. A partir do momento que aceita e expõe o seu medo a outras pessoas, fica bem mais fácil superar e enfrentá-lo.
  2. Cultive bons pensamentos – Confie em si mesmo e procure o suporte necessário para superar o seus medos. Cultive bons pensamentos sobre si mesmo e repita frases positivas: “vou superar isso, vou vencer este medo”. “sou maior do que este medo, isso vai passar”.
  3. Respire melhor – A respiração tem uma ligação direta com o nosso estado emocional. Respirar fundo e ter o controlo sobre o ar que entra e que sai dos nossos pulmões pode ajudar muito em momentos de aflição e tensão. A meditação é uma ótima opção para trabalhar a respiração e silenciar a mente. Experimente praticá-la em alguns momentos do seu dia.
  4. Procure um especialista – Geralmente o medo está associado a algo mais profundo e um profissional poderá ajudá-lo a trabalhar. Não hesite em procurar ajuda e saiba que, qualquer tipo de medo poderá ser tratado e curado.

Como tratar o medo?

Se passa frequentemente por uma crise de medo e percebe os sinais físicos e psicológicos já descritos neste artigo, poderá fazer alguns exercícios respiratórios para aliviar os sintomas e melhorar o nervosismo.

A técnica da respiração quadrada é uma ótima opção para acalmar e diminuir a ansiedade. Neste tipo de respiração, a cada inspiração e expiração deve exister uma pausa de quatro segundos:

  1. Inspire pelo nariz, contando lentamente até quatro;
  2. Depois segure o ar nos pulmões e conte novamente até quatro;
  3. Expire lentamente pela boca contando quatro segundos e, e após esvaziar os pulmões, repita novamente.

É como se estivesse formar um quadrado respiratório, com quatro segundos em cada passo, daí o nome da técnica (respiração quadrada).

O tratamento para os diversos tipos de medo deve ser individual e adequado a cada pessoa. Cada indivíduo possui uma bagagem própria, que podem podem estar na origem do medo e da insegurança.

Como já referimos a psicoterapia é o tratamento mais eficaz para lidar com esse patologias ligadas ao medo. É expetável que algumas técnicas de relaxamento e hierarquização do medo sejam trabalhadas de maneira profunda durante as sessões de terapia.

Antes de começar qualquer tratamento, saiba que o bom resultado começa a partir do momento que passa a reconhecer e aceitar os seus medos e limitações como ser humano. Ao identificar episódios frequentes de medo ou fobias, procure ajuda profissional.

A redação do trabalhador.pt