Literacia financeira: o que é e quais os seus benefícios?

Qual é a sua relação com o dinheiro? De amor ou de ódio? Sim, os dois sentimentos permeiam este assunto tão delicado, mas que faz parte da vida de todos nós, afinal de contas, o “dinheiro” é um tema recorrente no nosso dia a dia.

Quando falta, todo o orçamento entra em colapso, o caos instaura-se nas nossas finanças e abre as portas para que outras áreas de nossa vida sejam afetadas. Todavia, quando bem gerido, é possível ter mais tranquilidade e até mesmo investir ou constituir um plano poupança reforma (PPR), e isto vai depender do quanto conhece o tema deste artigo: literacia financeira.

Aliás, sabe o que é a literacia financeira? Caso seja novato no assunto, encontrará neste artigo algumas definições e dicas importantes para que aprenda a ter uma relação mais saudável com o seu dinheiro, o que certamente lhe trará mais segurança e felicidade. Boa leitura!

O que é a literacia financeira?

A literacia financeira está relacionada com a forma como lidamos com as finanças no nosso dia a dia. Esta competência não diz respeito apenas ao controlo dos gastos, visto que envolve também a elaboração do orçamento familiar, investimentos e aplicações, isto é, tudo que nos pode proporcionar estabilidade financeira no presente e no futuro.

Por ser uma competência tão útil, é fundamental que a literacia financeira seja ensinada ainda durante a escolaridade primário, básico e secundário, pois elucida questões importantes com as quais a criança ou o adolescente lidará durante a sua vida adulta. Entre os princípios e conceitos abordados estão:

Orçamento

O orçamento está entre os principais elementos abordados pela literacia financeira. É uma espécie de “guia”, capaz de mostrar o caminho certo para que não se perca nas suas finanças. Com este é possível padronizar hábitos ao longo do tempo, o que certamente trará estabilidade financeira. Deverá sempre colocar os seus gastos na ponta do lápis e anotar as saídas de capital (débitos), pois assim evitará que no fim do mês tenha gasto do que ganha. Além disso, no orçamento deve constar as metas do mês, os rendimentos obtidos e os objetivos de poupança a longo prazo.

Poupança

Se deseja alcançar estabilidade financeira, tenha em mente que poupar é fundamental. A poupança é o resultado dos nossos rendimentos que ficaram acima dos gastos, isto é, aquilo que não foi consumido, mas que foi guardado para uma outra ocasião, esteja esta num futuro próximo ou distante.

Quando pensamos num período próximo, a poupança tem como objetivos criar um fundo de emergência ou servir para a compra de um determinado produto, por exemplo. Já a poupança feita a longo prazo visa à aquisição de bens duradouros, como uma casa ou um carro, por exemplo, podendo ser útil também durante a reforma. Facto é que uma poupança promove sempre estabilidade financeira, pois é um indicativo de que está a gastar menos do que ganha, o que é, sem sombra de dúvidas, altamente recomendável.

Taxas de juros

Se está a fazer uma poupança para o futuro, precisa de entender que esse dinheiro não pode ficar parado, ensinamento fundamental da literacia financeira. Esses recursos devem ser investidos onde serão apropriadamente remunerados, pois só assim será feita a recomposição da inflação desse período. E como isso é possível? Uma boa opção é investir em algum ativo do mercado financeiro, como depósitos a prazo, certificados de aforro, títulos do tesouro, ETF (Exchange Traded Fund) e até ações, por exemplo, que estão entre os investimentos mais conhecidos e também são chamados de “ativos de papel”. A lógica é simples: quem possui recursos em excesso empresta a quem precisa deles hoje. Por sua vez, o devedor devolverá os valores emprestados com uma quantia adicional, nomeadamente, os juros.

Quem entende o conceito e funcionamento das taxas de juros consegue investir melhor e aprende também a consumir de uma forma mais racional. Quando financiamos uma casa, por exemplo, as taxas de juros estão embutidas no valor do imóvel, e levar este fator em consideração é primordial para uma boa tomada de decisão.

Crédito

Caso decida consumir com recursos emprestados, um empréstimo, por exemplo, precisará de recorrer ao crédito bancário. Neste âmbito, referir que a sua reputação como consumidor será avaliada pelo mercado, através de algo conhecido como central de responsabilidades de crédito, uma base de dados na qual consta informação sobre os créditos que detêm. Caso os seus compromissos estejam em dia, muito provavelmente, para além da concessão de crédito, poderá ainda beneficiar de taxas de juros mais acessíveis. Por esta razão, é importante pensar bem antes de contrair dívidas, sobretudo aquelas que estão além das suas reais possibilidades.

Lembramos que o recurso ao crédito bancário deverá constituir uma exceção e não a regra, devendo apenas ser usado para situações que o justifiquem, nomeadamente para a aquisição de bens duradouros, como imoveis.

Impostos

Os impostos devem fazer parte das nossas decisões de consumo, visto que estão incluídos em praticamente tudo o que pagamos, atingindo até mesmo os nossos investimentos. Todavia, existem algumas aplicações financeiras isentas de imposto, bem como alguns bens que adquirimos, o que poderá ser usado em seu favor.

Quais os benefícios da literacia financeira?

Quando a literacia financeira faz parte da sua vida, desfruta de inúmeros benefícios. Entre eles, destacamos os mais importantes:

  • Melhoria da qualidade do consumo: Graças à literacia financeira é possível ter um melhor controlo do orçamento doméstico, o que acontecerá com o corte de despesas desnecessárias. A minimização de despesas faz com que no final do mês acabe por sobrar dinheiro, podendo este valor ser usado em produtos financeiros que visem a poupança. Assim, você consumirá com mais qualidade, sendo mais seletivo em suas decisões.
  • Valorizar bens imateriais: O controlo de despesas e os investimentos, princípios da literacia financeira, proporcionam uma relação mais saudável com as finanças, o que acarretará em menos preocupações em relação a dívidas, aplicações financeiras, cartões de crédito, etc. Quando a literacia financeira faz parte da sua vida, consegue ter mais tranquilidade e assim dar mais valor para as coisas que não têm preço, como os momentos em família, uma conversa descontraída com os amigos, uma noite de sono relaxante, uma caminhada no parque, entre outros momentos que poderão ser gozados sem que precise de se lembrar a todo o tempo do seu extrato bancário.
  • A vida fica mais equilibrada: Pessoas que não tiveram acesso à literacia financeira dificilmente saberão controlar os seus gastos, o que fatalmente acarretará num ciclo de consumo desenfreado. E, como já sabemos, o consumo desenfreado é um dos principais motivos do sobre-endividamento das famílias portuguesas, situação que gera um enorme transtorno e stress para aqueles que se vêm “mergulhados” em dívidas impagáveis. A literacia financeira é importante porque proporciona qualidade de vida, auxiliando as pessoas a consumirem de uma forma mais consciente, evitando assim as dores de cabeça provenientes de um saldo bancário no vermelho.
  • Com a literacia financeira é possível planear melhor o futuro: Todos nós possuímos metas e planos de vida, todavia, poucos conseguem realizá-los. Muitas vezes, isso acontece por falta de informação ou mesmo de literacia financeira. Não obstante, aqueles que conseguiram estabelecer uma relação mais racional com os seus rendimentos poderão também concretizar planos para o futuro e realizar os seus sonhos pessoais. Isso é possível porque estas pessoas consomem e investem melhor, logo, sobra mais dinheiro e também mais tempo para se prepararem para o dia de amanhã. Por outras palavras, a vida passa a ter senso de direção, pois estará no comando.
  • Será uma pessoa mais feliz: Adeus preocupação com contas vencidas, plafond do cartão de crédito “estourado”, nome na lista negra do Banco de Portugal. Com as contas equilibradas é possível “respirar” e aproveitar mais a vida, o que certamente fará de si uma pessoa mais satisfeita e mais feliz.

Nunca é demais lembrar que a literacia financeira contribui significativamente para que a relação com o dinheiro seja mais saudável, equilibrada e rentável. Por isso, comece hoje mesmo a educar-se para que, em breve, possa desfrutar de todos os ensinamentos e assim ter uma vida financeira mais tranquila.

Luana Castro Alves

Graduada em Letras e Pedagogia, redatora e revisora, entusiasta do universo da literatura, sempre à procura das palavras. "Não se pode escrever nada com indiferença." (Simone de Beauvoir)