O que são ETFs? Características, vantagens e rentabilidade

O termo investimento está cada vez mais no vocabulário dos portugueses. Segundo um estudo sobre literacia relativa ao mercado de capitais divulgado pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o conhecimento financeiro dos portugueses tem vindo a aumentar, refletindo-se na poupança e, por consequência, nos investimentos financeiros.

De acordo com o referido estudo, aproximadamente um terço (⅓) da população adulta portuguesa investe em ativos financeiros. Embora se registe uma evolução significativa face aos anos anteriores, os números são ainda inferiores a países com maior literacia financeira.

Umas das inúmeras opções de investimento disponíveis são os ETFs. Neste artigo abordamos estes fundos de investimento, procurando dar resposta a algumas das perguntas mais frequentes sobre estes fundos de investimento, nomeadamente em que consistem, características, vantagens e desvantagens. Boa leitura!

O que é um Exchange Traded Fund (ETF)?

Os ETFs (Exchange Traded Funds) nada mais são que um tipo de fundo de investimento que, como os demais, não garantem rentabilidade, nem tampouco o retorno do capital investido, envolvendo portanto riscos significativos, ao contrário de outras opções de investimento como os depósitos a prazo – tidos como seguros, embora de baixa rentabilidade.

Também por essa razão, é importante que antes de investir o seu capital, seja num ETF ou num outro investimento, estabeleça os objetivos, pondere os riscos que está disposto a correr e, não menos importante, considere a rentabilidade pretendida. Além disso, deverá obter o máximo de informação sobre o produto financeiro no qual pretende investir.

Uma das principais características dos ETFs reside no facto de, regra geral, estarem indexados ao valor de um ativo, como por exemplo: matérias primas como são exemplo o ouro ou o crude, ou de um índice, como o S&P 500, Nasdaq ou o Dow Jones.

De forma simples e simplicista, podemos dizer que um ETF indexado a um índice da bolsa de valores, como o PSI 20 (Portuguese Stock Index), por exemplo, corresponde a uma “cesta de ações”, na qual, ao investir, está a dividir o seu investimento pelas empresas que compõem esse índice e não apenas uma, sendo, portanto, uma alternativa para quem pretende diversificar o investimento.

A verdade é que existem milhares de ETFs, englobando diferentes geografias, setores económicos e classes de ativos. A título de exemplo, referir que enquanto alguns ETFs cobrem apenas mercados emergentes, outros cobrem exclusivamente setores da economia ou determinadas classes de ativos (matérias primas, ações, criptomoedas, etc.).

Que tipos de ETFs existem?

Como já referimos, existem vários tipos de ETFs disponíveis para investir, nomeadamente:

  • ETFs de títulos do tesouro – tratam-se de ETFs que poderão, entre outros, incluir títulos do tesouro governamentais e títulos do tesouros empresariais;
  • ETFs de setores da economia – seguem um determinado setor económico ou indústria, como por exemplo as tecnologias da informática e comunicação, a banca ou o setor energético;
  • ETFs de matérias primas – tratam-se de Exchange Traded Funds que seguem o valor de matérias primas (commodities) como o ouro, a prata, o crude, o gás, entre outros;
  • ETFs de moedas estrangeiras – acompanham o valor cambial (currency) de uma moeda estrangeira, como por exemplo o dólar americano, o real brasileiro, a libra britânica ou o iene japonês;

A quem se destinam os ETFs?

Como já referido, por não garantirem rentabilidade nem retorno do capital investido, investir em ETFs implica riscos que não podem ser ignorados. Desta forma, podemos dizer que são produtos financeiros que se destinam a investidores menos conservadores, ou seja, investidores não aversos ao risco, nomeadamente aqueles que:

  • pretendam investir a longo prazo;
  • pretendam negociar diariamente sobre a valorização ativo.

Quais as vantagens de um ETF?

Os Exchange Traded Funds (ETFs) são produto financeiros com características muito especificas que os tornam investimentos mais atrativos para alguns investidores. Entre as suas várias vantagens, destacamos:

1. Diversificação

Uma das grandes vantagens dos ETFs prende-se com o facto de permitirem uma exposição a um grupo de ações ou a setores da economia, por exemplo, permitindo uma diversificação da carteira de investimentos. Isto é, um ETF pode estar indexado a uma bolsa de valores um determinado país, procurando replicar o comportamento de todo o mercado, ou apenas de um grupo de empresas. Não obstante, nunca estará a “apostar apenas num cavalo”.

2. Fácil transação e elevada liquidez

Os ETFs transacionam-se como qualquer ação, podendo, para quem assim o pretender, serem negociados diariamente, com valor mínimos e máximos de cotação, como também de stop loss. Em grande medida devido à sua fácil transação são também produtos financeiros com uma elevada liquidez.

3. Custos de transação reduzidos

Ao contrário de outros produtos financeiros que apresentam custos de transação muito elevados, a generalidade dos ETFs podem ser transacionadas a taxas muito reduzidas, sendo esta uma das suas maiores vantagens face a fundos de investimento tradicionais. Ainda neste âmbito, referir que existem vários intermediários financeiros online que permitem investimento numa seleção de ETFs de forma gratuita.

4. Dividendos

Por, regra geral, se tratarem de conjuntos de ações, os ETFs permitem obter rendimentos adicionais provenientes da distribuição de dividendos (partilha lucros obtidos da empresa pelos seus acionistas). Ainda neste âmbito, referir que existem ETFs de acumulação, isto é, nos quais os dividendos são automaticamente reinvestidos, ou ETFs de distribuição, nos quais os dividendos vão para a carteira dos acionistas.

Quais as desvantagens dos ETFs?

Nem tudo é cor de rosa. Os Exchange Traded Funds, como outro qualquer produto financeiro, têm um conjunto desvantagens que não podem ser menosprezadas. A saber:

1. Ausência de garantias de retorno do capital investido

Por se tratarem de fundos de investimento, os ETFs não garantem o retorno do capital investido, queremos com isto dizer que, se pretender vender poderá não receber a totalidade do montante que aplicou em ETFs.

2. Incertezas quanto à rentabilidade do ETF

Como já referimos, uma das grandes vantagens dos ETFs quando comparados com os depósitos a prazo ou os empréstimos obrigacionistas, por exemplo, prende-se com o facto de não estar garantida a rentabilidade do investimento. Tudo dependerá do comportamento do mercado.

3. Investimento em ativos que não conhece

Como enunciado, os ETFs são uma espécie de “cesto de ativos”, isto é, são compostos por uma diversidade de ativos. Embora isto permita a diversificação da carteira de investimentos, aumentando a exposição do investidor, o ETF poderá contemplar ativos (ações, por exemplo) de setores ou empresas que não conhece e/ou não acredita.

É rentável investir em ETFs?

O valor dos ETFs está intrinsecamente dependente da cotação dos ativos que os compõem, sejam estes ações, matérias primas, moedas, entre outros, estando portanto dependente do comportamentos do mercado.

De forma simples, podemos dizer que caso os ativos que compõem o ETF estejam em alta, o valor do ETF irá aumentar, podendo até serem realizadas mais valias (lucros resultantes da diferença entre o valor de venda e o valor de compra). No entanto caso, o mercado esteja em baixa e isso se reflita nos ativos que compõem o exchange traded fund, o seu valor irá descer.

Em que ETFs devo investir?

Embora esta seja uma questão muitas vezes colocada, trata-se de algo para o qual não temos uma resposta. Uma decisão de investimento é algo pessoal e que deve estar devidamente sustentada em informação fidedigna.

Embora seja possível encontrar pela internet conteúdo onde são recomendados produtos financeiros, nomeadamente em inúmeros vídeos do YouTube de conhecidos influencers, importa referir que o aconselhamento financeiro ou a recomendação de compra ou venda, seja em ETFs ou noutros produtos financeiros, está legalmente reservada a profissionais devidamente acreditados junto da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários.

Como investir em ETFs?

Para investir em ETFs é necessário um conta numa entidade bancária ou corretora online que disponham destes produtos. No caso dos bancos, recomendamos que consulte o seu gestor de conta de forma a aferir a disponibilidade destes produtos financeiros.

No que concerne às corretoras online (DEGIRO, XTB, eToro, Interactive Brokers, entre outras) o procedimento é relativamente simples:

  1. Inicia-se com a criação da conta de investidor e com a confirmação da identidade do mesmo, através do envio de documentos de identificação pessoal;
  2. Assim que for confirmada a conta, deverá carregar a conta na corretora através de transferência bancária (procedimento que demora 2 a 3 dias úteis.);
  3. Rececionada a transferência, basta selecionar o ETF pretendido e criar uma ordem de compra.

Por fim, alertamos para o facto de que o presente artigo tem propósitos meramente pedagógicos, pretendendo contribuir para o aumento da literacia financeira, não podendo ser considerado aconselhamento financeiro ou recomendação de compra ou venda.

A redação do trabalhador.pt