Podem as máquinas roubar-nos o emprego?

Desde a Revolução Industrial que são colocadas questões quanto à possibilidade de virmos a ser substituídos por máquinas. As inovações tecnológicas dos nossos dias, disruptivas por vezes, parecem indicar que sim. Mas será que é mesmo assim?

O relatório para o desenvolvimento global de 2019, do Banco Mundial, coloca os receios dos trabalhadores como o tema central de uma análise que pretende, não só responder à questão da substituição das pessoas pelas máquinas, como também determinar de que forma os avanços tecnológicos contribuem para a alteração do mercado de trabalho.

Já estamos a ser substituídos por máquinas?

Sim, as máquinas já começaram a substituir o humano em tarefas industriais, nomeadamente nas que são facilmente automatizadas (linhas de montagem, por exemplo). As máquinas são mais produtivas que o ser humano, em particular em tarefas que exigem soluções simples e padronizadas (atividades associadas a trabalhadores com menores qualificações).

Não obstante, o relatório menciona que as máquinas não vão substituir as pessoas na sua totalidade, procedendo a uma alteração do paradigma das competências necessárias para singrar no mercado de trabalho. O valor acrescentado da criatividade, raciocínio, adaptabilidade e empatia – competências associadas a humanos e não a máquinas – serão determinantes no novo mercado de trabalho.

Dar nota que a automatização parece ter um impacto diferente consoante o nível de desenvolvimento dos países. O relatório do Banco Mundial alerta para uma maior exposição dos países desenvolvidos à automatização, em virtude do acesso generalizado à tecnologia, em oposição aos países em desenvolvimento onde a base tecnológica do trabalho é menor.

Disrupções no mercado de trabalho

A maior disrupção das inovações tecnológicas está a acontecer no mercado de trabalho, exemplos:

  • Rápida expansão das empresas – as novas tecnologias e o uso das plataformas digitais ajudam a transformar PME e startups em gigantes globais de forma rápida e a custos reduzidos;
  • Criação de um modelo multilateral – Possibilitam a criação de um modelo em que, através das tecnologias e das plataformas digitais, as empresas estão mais próximas dos clientes; 
  • As tecnologias afetam a perceção de desigualdade – a exposição a diferentes estilos de vida (através das redes sociais, por exemplo) permite-nos ter uma perceção da qualidade de vida do outro, fazendo com que aspiremos a melhores condições de vida.

O relatório expressa a urgência dos países se adaptarem às alterações a ocorrer no mercado de trabalho, em particular no que concerne ao investimento no capital humano. Para os países em desenvolvimentos se os governos não tomarem medidas urgentes e assertivas pode levar a um aumento da desigualdade em relação aos países desenvolvidos.

Podem as máquinas roubar-nos o emprego?

Em suma, referir que as preocupações com a substituição das pessoas por máquinas são legítimas, sendo já uma realidade, sobretudo em atividades onde o trabalho não requer especiais qualificações e as possibilidades de automatização são quase imediatas.

Referir também que as atividades profissionais especializadas, onde o grau de formação exigido aos trabalhadores é maior, bem como atividades onde o trabalho é, sobretudo intelectual, apresentam menor probabilidade de serem substituídas, pelo menos a curto prazo.

Ana Amaral

Licenciada em Estudos Europeus e pós-graduada em Relações Internacionais e Marketing digital.

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