Café: culto, origens e benefícios

Para muitos de nós, o dia só tem início após o primeiro café. Seja curto, longo, com leite, com natas ou com gelo, são muitas as opções, mas tudo se resume a um simples grão de café.

Mas afinal o que é o café?

O surgimento do café remete-nos para uma história bastante curiosa e cujas personagens principais são ovelhas. Um pastor etíope, de nome Kaldi, descobriu que as suas ovelhas ficavam agitadas e enérgicas depois de consumirem uma determinada planta. Kaldi levou uma amostra desta planta aos monges que a provaram em infusão e, apercebendo-se das qualidades da bebida, começaram a ingeri-la em noites de reza.  

O início do consumo de café aponta para 575 d.C. e, embora tenha origem africana, foi na Arábia que começou a ser cultivada. Denominaram esta planta de “cahue”, cujo significado é “força”.

Na Turquia nasceu a primeira cafetaria em 1475 e na Europa, o aroma a café surgiu em Veneza com a abertura do “Café Florian” em 1645. Em pouco tempo, toda a Europa usufruia desta bebida.

Portugal, por altura dos descobrimentos, conseguiu introduzir o café no Brasil, o que fez deste país o maior produtor mundial de café. Ao Brasil seguiram-se todas as ex-colónias portuguesas. No nosso país os primeiros cafés públicos surgiram no século XVIII, que rapidamente se tornaram em espaços de animação cultural e artística. E desde então, os portugueses nunca mais deixaram de consumir café.

Quais as origens do café?

O café é factor fundamental para a economia de mais de 50 países e somente o petróleo supera o valor comercial do café.

Existem dois tipos de café: o arábico e o robusto. O café arábico corresponde a 60% da produção de café mundial e é cultivado em vários países da América Central, no Brasil e também no Quénia. Este café tem um travo aromático, mais suave e tem cerca de 1,7% de cafeína. O café robusto é produzido em vários países africanos como Angola, Costa do Marfim, Camarões e Uganda, bem como na Índia e Vietnam. O seu travo é mais amargo e a dose de caféina é o dobro do café arábico.  

Quais os benefícios do café?

O Programa “Café e Saúde” chegou a Portugal, depois de já estar implementado por toda a Europa e tem como objetivo promover a informação científica acerca dos benefícios do café na saúde:

  • O café melhora a concentração e deixa-o em estado de alerta;
  • O café pode reduzir as probabilidades de desenvolver diabetes Tipo 2;
  • Pode reduzir o risco de demência e está associado a uma menor incidência de doenças como Parkinson e Alzheimer;
  • Beber cerca de 4 cafés por dia reduz em cerca de 40% as possibilidades de desenvolver gota;
  • O consume de café inibe a absorção de glicose no intestino, pelo que pode ajudar no controlo do peso.

Deve, no entanto, ser consumido com moderação, um máximo de quatro cafés por dia e somente a partir dos 15 anos é que se deve iniciar o consumo da caféina, não ultrapassando a quantidade de um café pontualmente. 

Como bebe o seu café?

Antes de mais, vamos desmistificar uma ideia sobre o café: o café curto não tem mais cafeína. O café creio (leia-se, longo) é mais forte, uma vez que a quantidade de cafeína é maior à medida que o café vai sendo tirado.  O café curto tem um sabor mais concentrado a café, o que pode induzir em erro, mas se o objetivo é despertar pela manhã, aconselhamos o café cheio.

Para além do café curto ou longo, bica, ou cimbalino, pode consumir o seu café das mais variadas formas: com leite, num café pingado (ou pingo mais para o norte), um galão, ou meia de leite.

Se dispensa o leite junto com o café mas lhe apetece algo quentinho, pode optar pelo abatanado, que é um género de “balde de café”, ou se prefere o sabor a café mas com menos cafeína, pode decidir-se por um carioca de café o que lhe permitirá uma boa noite de sono.

Aqueles que apreciam o ambiente de café, seja para estudar ou trabalhar, consomem muito o capupuccino (com desenhos ou sem desenhos) e este pedido é desde logo indicativo de que tencionam “cafezar” durante algum tempo. Quem diz cappuccino diz latte, seja de matcha, de caramelo ou outro. São cada vez mais as opções para se sentir aconchegado no “coffee house”.

Alguns espanhóis já são capazes de dizer a um português que “os espanhóis não sabem fazer café” e isto porque eles bebem o café americano. Basicamente é um expresso duplo mas com uma maior concentração de água. Se tiver vontade de um café mais disfarçado, já sabe o que pedir. 

O café mexido com um pau de canela ou mesmo com canela em pó, é duplamente benéfico, não só pelo café em si, mas também pela canela que é conhecida por ajudar a acelerar o metabolismo, por ser antioxidante, estabilizar níveis de açúcar no sangue e por reduzir compulsão por doces.

E quem diz que o café no verão não sabe tão bem é porque nunca experimentou o café com gelo, ou ice coffee, ou um granizado de café.

Se conseguir evitar o açúcar é o ideal, aí conseguirá extrair todos os benefícios do café. E para um consumidor purista, é a única maneira correta de beber o seu café.

Equipa cafeteira vs. equipa máquina

As máquinas de cápsulas vieram revolucionar a maneira de fazer café uma vez que são muito práticas. Coloca a cápsula, pressiona o botão e voilá. Mas para além de não ser assim barato, estas cápsulas trouxeram consigo problemas ambientais, uma vez que são constituídas por plástico e difíceis de reciclar, uma vez que fica no seu interior a borra de café. Felizmente, hoje em dia, já existem cápsulas de alumínio, cápsulas reutilizáveis e algumas empresas de café já aceitam recolher as cápsulas velhas.

Existe ainda quem prefira as máquinas manuais, uma vez que podem escolher a quantidade de café que pretendem e acaba por ser mais económico (apesar da máquina em si ser dispendiosa). Alguns ainda não se renderam a estas máquinas mais modernas e fazem o seu café nas velhas cafeteiras e que, sejamos francos, aromatizam a casa como nenhuma outra cosnegue.  

O café como pretexto

Para além de utilizado para despertar logo pela manhã, para relaxar junto ao mar enquanto vislumbra o pôr do sol ou até para quebrar o gelo antes de uma reunião de trabalho, o café é maioritariamente utilizado como pretexto. Pretexto para comer uma nata ou um doce húngaro, pretexto para estar com a família, para estar com um amigo que não via há muito tempo, pretexto para sair de casa e “ir beber um cafezinho”. Para alguns, é também um pretexto para fumar um cigarro, mas aqui deixamos o conselho para que tente parar. E nunca um jantar de amigos ou em família termina sem uma boa dose de café.

O café faz parte da nossa cultura, como grandes amantes deste pequeno grão que somos. E se está a terminar de ler este texto, aproveite e faça uma pausa. Encoste-se na cadeira do escritório ou no sofá e relaxe na companhia de um belo café.

Mariana Ledo

Uma eterna namorada da literatura, vibra com as pequenas notas que encontra nas páginas dos livros da biblioteca. Decidiu viver das palavras e por isso formou-se em Estudos Portugueses e Lusófonos, pela Universidade do Minho.