Candidatura espontânea: um desperdício de tempo?

Regra geral, o processo de admissão de novos colaboradores numa empresa começa pela publicação de um anúncio de emprego, onde é especificado a posição em aberto, bem como os requisitos do candidato ideal. No entanto, em algumas ocasiões, a contratação de um trabalhador poderá ter na sua origem uma candidatura espontânea, sendo esta uma forma adicional de se candidatar a uma empresa onde gostasse de trabalhar.

Mesmo nas situações em que é colocada uma oferta de emprego, não impede as empresas de fazerem contactarem os candidatos que tenham demonstrando o seu interesse através de uma candidatura espontânea.

Neste artigo procuramos demonstrar que nem sempre as candidaturas espontâneas “vão parar ao lixo”, podendo (e devendo) serem encaradas com uma boa forma de submeter uma candidatura de emprego, mesmo que a empresa não esteja a recrutar naquele momento. Partilhamos também uma minuta de um email / texto de apresentação.

O que é uma candidatura espontânea?

Como o próprio nome sugere, uma candidatura espontânea não é mais do que uma manifestação de vontade que está disponível e gostaria de trabalhar numa determinada empresa. Em traços simples, pode ser encarada como uma candidatura de emprego genérica, não estando alicerçada em nenhuma oferta de emprego em particular.

A candidatura espontânea processa-se de uma forma muito semelhante às candidaturas normais a uma vaga de emprego, sendo também necessário que o candidato forneça, através de email ou de plataforma própria, os seus dados pessoais, o seu currículo e, quando aplicável, uma carta de apresentação.

É importante destacar que muitas empresas de grande dimensão recorrem cada vez menos a anúncios para preencher o seu quadro de funcionários, optando por candidatos que tenham submetido uma candidatura espontânea de emprego. Isto é muito comum. por exemplo, em empresas de consultoria (PwC, Deloitte, Ernst & Young, KPMG, etc.), onde existem períodos de recrutamento anual.

Exemplos de empresas com formulário para candidaturas espontâneas:

  • Altice;
  • Bosch;
  • BNP Paribas;
  • Continente;
  • CTT Correios;
  • Delta Cafés;
  • EDP;
  • Metro de Lisboa;
  • Rede Elétrica Nacional (REN);
  • Nestle;
  • NOS;
  • Pingo Doce;
  • IKEA;
  • Novo Banco;
  • Vodafone.

Exemplos de empresas de recrutamento abertas a candidaturas espontâneas:

  • Adecco;
  • Randstad;
  • Michael Page;
  • Multitempo.

Quais as vantagens da candidatura espontânea?

Antes de mais, importa referir que a apresentação de uma candidatura espontânea não invalida que não se possa candidatar a vagas de emprego em concreto. Aliás, é até recomendável que o faça para aumentar as suas hipóteses de ser chamada para uma entrevista de emprego.

Não obstante, apresentar uma candidatura espontânea pode ter algumas vantagens face a uma candidatura a um anúncio de emprego concreto.

Ao submeter uma candidatura espontânea as suas informações (currículo, carta de apresentação, etc.) ficam acessíveis à empresa durante um determinado período de tempo, enquanto que numa candidatura a um anúncio específico, não sendo o candidato selecionado, os seus dados poderão ser eliminados.

Outra vantagem da candidatura espontânea prende-se com o facto de esta permitir ao recrutador perceber a qual vaga/posição de emprego mais se adequa o seu perfil, após análise da mesma. Já se enviar candidatura a um anúncio de emprego concreto, à partida, o recrutador só o considerará para aquela.

O que deve constar numa candidatura espontânea?

Como já referido, muito dependerá de onde a candidatura espontânea é realizada. Uma coisa é submetê-la através de uma plataforma própria, por exemplo no site da empresa, onde à partida o formulário indicará quais os dados e documentos necessários (currículo e carta de apresentação, por exemplo), outra é enviar a candidatura espontânea para o email da empresa.

No caso das candidaturas espontâneas através de email, o “segredo” poderá estar na forma como se dirige à empresa. No meio de muitas candidaturas será importante diferenciar-se dos demais candidatos a emprego. Uma excelente forma de conseguir sobressair será, por exemplo, colocar o conteúdo da sua carta de apresentação no corpo do email (porventura numa versão mais resumida) e não como anexo.

Estrutura base de uma carta para candidatura espontânea

A estrutura base de uma carta de apresentação para uma candidatura espontânea deverá conter elementos que permitam identificar o candidato, as suas principais competências (e a forma como estas poderá beneficiar a empresa) e o motivo pela qual gostaria de trabalhar naquela empresa em concreto.

A carta de apresentação não deverá ser genérica, isto é deverá evitar a lógica do “one size fits all”. Procure personalizar a carta de apresentação, não apenas no seu conteúdo, como também na informação que coloca relativa à empresa em questão, por exemplo o nome da empresa, o nome e cargo do nome do destinatário (se souber quem a pessoa responsável), etc.

Estrutura base de uma carta de apresentação para uma candidatura espontânea:

  1. Identificação – pelo menos o nome, morada, telemóvel e endereço de email (isto se não constar do curriculum vitae).
  2. Competências – explicar como é que as suas competências (sejam elas académicas, profissionais ou até pessoas – softskils) poderão contribuir para a empresa. Não deverá colocar demasiada informação sobre o seu percurso profissional, dado que o seu currículo serve precisamente para isso.
  3. Motivação – é muito importante explicar quais o motivos que o levam a submeter a candidatura espontânea aquela empresa em concreto e não a outra. No fundo qual o motivo de querer ali trabalhar.

Ao enviar uma candidatura espontânea certifique-se que o faz para o endereço de correio eletrónico que a empresa disponibiliza no seu site e não para o email do recrutador. Isto para além de ser considerado pouco profissional e intrusivo, tenderá a não sortir resultado nenhum, dado que, como já mencionamos, regra geral, havendo necessidades de contratação os recrutadores consultam a base de dados das candidaturas espontâneas e não o seu endereço de email.

Exemplo de texto de apresentação para uma candidatura espontânea

É importante destacar que não existe propriamente um modelo a ser seguido quando for submeter uma candidatura espontânea. No entanto, disponibilizamos de seguida uma minuta que poderá servir de base a um carta ou email de apresentação para uma candidatura espontânea.

Roberto Costa
Rua Conde de Almoster, n.º 85
1500-194 Lisboa


Exm.º Sr. Diretor do Departamento de Recursos Humanos
Empresa Tecnologia e Equipamentos Eletrônicos
Parque Industrial M
2600-900 Lisboa

Lisboa, 06 de agosto de 2021

O meu nome é Roberto Costa e sou licenciado em Ciências da Computação, pelo Instituto Superior Técnico. Estou a contatá-lo em virtude de conhecer o histórico da vossa empresa em apostar em novos talentos.

Tenho acompanhado os excelentes resultados que têm conquistado no âmbito das Tecnologias de Informação e Comunicação e, sendo essa uma das minhas áreas de interesse, gostaria de submeter uma candidatura espontânea para um futuro processo de recrutamento que venham a iniciar.

Estou disponível para qualquer esclarecimento adicional que possam necessitar quanto ao meu percuso profissional, estando igualmente disponível para uma entrevista de emprego, em horário da vossa conveniência.

Aproveito para anexar ao presente email o meu currículo.

Muito agradeço a atenção dispensada para o presnte assunto, reiterando o meu entusiasmo por poder, uma dia, vir a execer funções na vossa empresa.

Com os melhores cumprimentos,

Roberto Costa

Esperamos que algumas das dicas que constam do presente artigo tenham servido para perceber que as candidaturas espontâneas poderão ser uma boa forma se candidatar a um emprego numa empresa, sem prejuízo de também se candidatar a um anúncio de emprego específico. Boa sorte!

A redação do trabalhador.pt