Faz o que gostas e não terás de trabalhar: será mesmo assim?

Ao longo da história o trabalho tem vindo a evoluir. A introdução de tecnologia permitiu auxiliar o homem em muitas tarefas essencialmente manuais, fazendo com que o trabalho físico se tornasse um pouco menos pesado. Uma prova disso é que hoje, em pleno século XXI, é possível estarmos a trabalhar no conforto das nossas casas, algo impensável há alguns anos.

Se nas gerações que nos antecederam o trabalho e os títulos profissionais e académicos pareciam ser a única forma de afirmação do ser humano, numa lógica de “diz-me o que fazes, digo-te que o que és”, hoje as coisas não são bem assim.

Atualmente, parece ser a qualidade de vida que norteia a vida do homem. Aliás, parece ser crescente a preocupação em torno da conciliação da vida profissional e da vida familiar, afinal de contas estaremos “aqui” só para trabalhar ou também para viver?

“Faz o que gostas e não terás de trabalhar”

Ouvimos muitas vezes a frase “escolhe um trabalho de que gostes e não terás que trabalhar nem um dia na tua vida”. A autoria desta é atribuída a Confúcio, um pensador e filósofo chinês que tinha como base uma forte ideia de moralidade, correção no trato social, generosidade e sinceridade. Se por um lado esta frase pode parecer não ser mais do que um mero cliché, por outro, pode albergar em si uma verdade irrefutável.

Parece-nos que a ideia por detrás da frase “faz o que gostas e não terás de trabalhar” passa por transmitir que o trabalho não tem de ser algo penoso. A verdade é que quando fazemos algo que gostamos, mesmo que isso implique tempo, esforço e dedicação, não o encaramos como desagradável.

Mas verdade é que isso nem sempre é possível. Ao longo da vida passamos por um conjunto de escolhas que nos obrigam a conciliar “razão e coração”. Se no momento de escolher um curso superior, por exemplo, é importante não esquecer a nossa inclinação e vocação pessoal, por outro, não podemos deixar de tentar aferir a empregabilidade do curso em concerto.

Caso este tipo de decisão não seja pautada por algum equilíbrio, poderemos estar a fazer más escolhas. Afinal de contas de que vale a pena escolher o curso A se o mercado não precisa de profissionais dessa área? O inverso também se aplica: de que vale a pena escolher o curso B, com uma taxa de empregabilidade de 100%, se a profissão nunca nos vai realizar profissionalmente?

O mesmo se passa quando já estamos no mercado laboral. Basta imaginar uma família monoparental (um pai e dois filhos). Sendo o trabalho do pai a única fonte de rendimento da família, fará sentido este trocar um trabalho que não gosta mas é muito bem remunerado mas que, ao mesmo tempo, lhe consume muito tempo, impossibilitando que esteja com os seus filhos tanto tempo como gostaria, por um onde recebe menos mas que gostaria mais?

Sim e não. A verdade é que não existe propriamente uma “resposta correta”. Se por um lado, os rendimentos auferidos permitem ao pai dar excelentes condições de vida aos seus filhos, por outro também lhe “rouba” duas coisas importantes: a sua realização profissional e tempo com os filhos. Trata-se portanto de uma decisão difícil.

Em abono da verdade parece que tudo se resume a uma palavra: equilíbrio. Em muitas circunstâncias da nossa vida somos confrontados com a necessidade de tomar decisões que por vezes não são fáceis. E, embora se tratem de algo muito pessoal, o nosso conselho é apenas um: procure conciliar a razão e o coração, só assim estará mais perto de tomar a decisão certa. Não obstante, mesmo que se venha a relevar uma má decisão, a sua consciência deverá estar tranquila, afinal de contas procurou ser ponderado e equilibrado.

Encare a vida com positividade e confiança! E já sabe, em tudo o que puder, procure guiar a sua vida pela frase “faz o que gostas e não terás de trabalhar“, mas sempre com equilibro e bom senso. Apenas depende de si!

Esperamos que este artigo lhe tenha sido útil!

A redação do trabalhador.pt