Tipos de vagina: desmistificar a genitália feminina

Infelizmente, existem alguns assuntos relacionados com o universo feminino que ainda são considerados tabus em pleno século XXI. Entre eles, o corpo da mulher, especialmente, a genitália feminina, parte íntima do corpo que, nem por isso, deixa de ser vítima de um padrão de beleza imposto socioculturalmente.

A verdade é que não existe um tipo de vagina mais bonito do que o outro, porque todas possuem as suas particularidades, isto é, cada uma é bonita independentemente da sua forma. Queremos com isto dizer que uma cirurgia íntima apenas para adequar a vagina a um determinado padrão estético é, a nosso ver, desnecessária – padrão este, regra geral, definido pelos homens.

Assim sendo, está na hora de derrubar mais um tabu e abrir espaço para uma conversa franca sobre os tipos de vagina, os seus formatos e algumas curiosidades sobre esta parte do corpo das mulheres que ainda é alvo de tantos estereótipos. Boa leitura!

Que tipos de vagina existem?

Cada pessoa é única: umas são mais baixas, outros são mais altas; existem diferentes tons de pele, cores de olhos, tipos de cabelo, etc., não sendo diferente em relação à genitália feminina, que pode ter diferentes formas e tamanhos. Isto acontece em razão de um conjunto de características genéticas, bem como por mudanças na formação do corpo.

Desta forma, a vagina pode ter cores e formatos diversos, existindo inúmeros tipos de vagina que importa conhecer de forma a aprimorar o autoconhecimento, aceitação e prazer próprio.

The Great Wall of Vagina – Jamie McCartney

As principais diferenças dos tipos de vagina, no que diz respeito aos seus formatos, acontecem nos lábios externos e internos, característica que mais incomoda as mulheres devido aos padrões de beleza da estética íntima, amplamente difundidos pela indústria pornográfica, que muitas vezes presta um péssimo serviço ao subjugar o corpo feminino para agradar ao público masculino. Queremos com isto dizer que, como é óbvio, a sua vagina não precisa de ser parecida com os tipos de vagina das atrizes de filmes eróticos, afinal de contas não há nada de errado com a aparência da sua genitália.

Conheça agora os diferentes formatos e tipos de vagina:

1. Formato de coração ou beijo

Existem vulvas em que os lábios externos encobrem os internos e o clitóris, e este tipo de vagina tem um formato que se assemelha à figura de um beijo ou de um coração. Este tipo de vagina costuma ser o mais “apreciado”, aquele que é considerado o mais belo entre os demais. E sim, o formato é realmente bonito, mas é importante referir que todos os outros também o são! Além do mais, este nem é o formato mais comum.

2. Formato de borboleta

Uma vulva do tipo borboleta é aquela em que os lábios internos aparecem para “fora” dos grandes. Os lábios podem ser de diferentes tamanhos, algo que é muito comum. Tal como todos os outros tipos de vagina, este também nada têm de errado.

3. Clitóris aparente

Neste tipo de vagina, o clitóris é mais comprido, ficando, portanto, exposto. Isto não significa que sofra de uma disfunção, pois este formato é tão normal como os outros. Ademais, o clitóris exposto pode significar mais facilidade em sentir prazer – uma clara vantagem, não?

4. Monte de vênus alto

Este é o nome que se dá quando a púbis é mais alta, e em alguns casos, os lábios externos podem ser mais compridos ou levemente flácidos, o que é algo genético, não tendo, portanto, nenhuma relação com a idade da pele. Este tipo de vagina é bastante comum, e não está relacionado com o peso corporal da mulher – um mito que se criou e que importa desconstruir.

Seja qual for o seu tipo de vagina, mais especificamente o formato de vulva, vale referir que cada corpo é único, visto que cada mulher possui a sua própria anatomia e particularidades. Isto quer dizer que nenhum formato é melhor ou mais bonito que o outro. Certo?

Vagina ou vulva? Entenda as diferenças

Deve-se ter apercebido que utilizamos as duas formas, “tipos de vagina” e “tipos de vulva”, e deve-se estar a perguntar se existe diferença entre os termos, não é mesmo? Fique atento à explicação. Acompanhe!

A vagina é a parte interna da genitália feminina, que vai até ao colo do útero. Esta parte, onde se dá a penetração durante as relações sexuais, costuma ser bastante parecida em todas as mulheres, e as variações resumem-se ao seu tamanho, que pode aumentar de acordo com o nível de excitação e durante a hora do parto.

Já a parte externa é chamada de vulva, nomeadamente, lábios externos, lábios internos, clitóris, orifício da uretra e o da vagina – ou seja, tudo o que podemos ver.

Apesar das diferenças, a generalidade das pessoas designa todo o conjunto por vagina, por este motivo empregamos o termo em alguns trechos (e até mesmo no título deste texto). Questão esclarecida, vamos adiante!

Curiosidades sobre vagina e vulva

Existem coisas sobre a sua região íntima que deverá conhecer pouco, e provavelmente existem alguns detalhes dos quais nem sequer faz ideia! Confira:

  • A vulva pode ter várias cores: a vulva pode ser castanha, rosa ou vermelha. Durante a idade fértil pode apresentar tons mais escuros;
  • Pode ter um odor diferente: não é só a cor que muda, o cheiro também pode mudar discretamente de acordo com o ciclo menstrual. No período fértil pode ficar um pouco mais acentuado – e esta característica pode ser constante a depender do tipo de alimentação que adota;
  • É bastante elástica: a vagina é a parte mais elástica do corpo, característica que facilita bastante a passagem do bebé por ali;
  • O pH da região vaginal é parecido com o do vinho: geralmente é inferior a 4,5. São as bactérias próprias da região as responsáveis por controlar estes níveis, e quando estão altos, é sinal de que algo não vai bem, e que pode estar a sofrer de uma infeção;
  • A vagina é autolimpante: isto significa que não precisa de usar sabonetes normais ou perfumados nas partes íntimas, tampouco os famosos “sabonetes íntimos”. Inclusive, estes produtos podem prejudicar a flora vaginal. A vulva é capaz de se higienizar sozinha, por isso, basta que a limpe suavemente com água durante o banho. Lembrando que a limpeza se deve resumir à parte externa, jamais tente limpar a parte interna, nomeadamente, a vagina;
  • Pode exercitar a vagina: Já ouviu falar em pompoarismo? Trata-se de uma antiga técnica oriental derivada do tantra que consiste na contração e relaxamento do músculo pubococcígeo, procurando alcançar como resultado o prazer sexual. Além disso, o pompoarismo fortalece a musculatura da área, o que auxilia no combate da incontinência urinária.

Procedimentos femininos: a cirurgia íntima

Como viu, existem diferentes tipos de vagina e está tudo bem, nenhum é melhor ou mais bonito do que o outro. Contudo, ainda existe um padrão imposto pela sociedade, o que leva muitas mulheres a procurarem procedimentos como as cirurgias plásticas na vulva ou vagina.

Nestes casos, o que se procura é a adequação ao tipo “padrão”, aquele que é considerado o tipo de vagina mais bonito. Todavia, existem mulheres que procuram procedimentos íntimos por questões de saúde, pois pode acontecer que o formato da vulva ou da vagina prejudique a autoestima ou até mesmo as relações sexuais.

Entre as cirurgias mais comuns estão:

  • Ninfoplastia ou labioplastia: o seu objetivo é reduzir os pequenos lábios. Muitas mulheres optam por este procedimento para melhorar a vida sexual, visto que os lábios internos sobressalentes podem causar algum desconforto durante o sexo;
  • Redução dos lábios externos: os lábios externos podem causar incómodos, seja por serem grandes ou por serem flácidos. Neste procedimento, é feito um enxerto de gordura para os deixar menos flácidos. Caso prefira ou seja o tratamento mais indicado pelo médico, a mulher pode fazer também retirar a pele em excesso;
  • Clitoriplastia: cirurgia realizada para reconstituir o clitóris ou remover o excesso de pele. O seu principal objetivo é esconder o clitóris quando este é muito aparente entre os lábios externos;
  • Vaginoplastia ou perineoplastia: este procedimento consiste em estreitar o canal vaginal, que pode ter sofrido alterações em razão de partos que passaram por intercorrências, ou pelo facto de o bebé ser demasiado grande. Além disso, a bexiga caída também é uma condição que leva ao alargamento do canal. Esta cirurgia não é considerada estética, podendo melhorar muito a saúde sexual da mulher;
  • Redução do monte de vênus: a redução dá-se por meio de uma lipoaspiração, que elimina a gordura acumulada na região. Este tipo de vagina costuma causar bastante insegurança, dado o seu volume. Como já referimos, é apenas uma característica, não há motivo do que se envergonhar, contudo, se acredita que a mudança pode lhe trazer mais autoestima, vá em frente!
  • Himenoplastia: esta cirurgia costuma ser realizada para reconstruir o hímen quando este se rompe e ainda fica no canal vaginal. Desta forma, as partes são novamente unidas, por isso muitas pessoas referem-se ao procedimento como uma “retoma da virgindade”. Embora seja um procedimento controverso, é procurado por algumas mulheres.

Atenção, mulheres! É importante referir que todos os procedimentos descritos acima sejam realizados por médicos especializados em cirurgia plástica íntima. Ademais, referir que as informações que partilhamos neste artigo têm um caráter meramente informativo, por isso, não substituem o devido aconselhamento e acompanhamento médico. Cuide-se!

Luana Castro Alves

Licenciada em Letras e Pedagogia, redatora e revisora, entusiasta do universo da literatura, sempre à procura das palavras. "Não se pode escrever nada com indiferença." (Simone de Beauvoir)