Candidatei-me a um emprego e não recebi resposta. Porquê?

Quando nos vemos envolvidos no processo de procura ativa de emprego, a cada candidatura surge a expectativa e aguardamos ansiosamente pensando “será desta vez?”. Quando a resposta é nula, surge a frustração e uma série de questões e incertezas: será que receberam a minha candidatura? Será que me enganei no envio? Será que deveria contactar novamente? As questões multiplicam-se e a incerteza também.

Este artigo pretende ajudar a lidar com a frustração e a compreender porque é que por vezes as respostas não surgem, bem como saber o que fazer para evitar que as candidaturas que faz não surtam efeito.

Porque é que os recrutadores não dão resposta?

Idealmente em qualquer processo de recrutamento o candidato deve receber uma resposta após a candidatura e/ou o encerramento do processo de análise de candidaturas por parte do recrutador. No entanto, nem sempre isto acontece, e poderão existir algumas razões que o justifiquem:

Departamento de recursos humanos pequeno

Nem todas as empresas têm um departamento de recursos humanos alargado e eficiente que dê resposta a todos os candidatos. Isto significa que, dado o número elevado de candidatos, é difícil que exista uma capacidade alargada de responder a todos. Imagine uma empresa em que há apenas um profissional responsável pelo recrutamento, e que tem de dar resposta a centenas de candidatos.

Muitas vezes os profissionais responsáveis pelo recrutamento e seleção têm várias vagas sob a sua responsabilidade e prazos para cumprir. Mesmo com a melhor das intenções e sabendo que devem dar resposta aos candidatos, mesmo que esta seja negativa, nem sempre isto é possível. Assim, a ausência de resposta pode relacionar-se meramente com questões internas. Não sendo selecionado, pode ser natural que não receba resposta.

O seu perfil não se adequa ao pretendido

As candidaturas podem não se adequar ao perfil pretendido. Frequentemente os recrutadores recebem currículos com perfis totalmente distintos da função pretendida. O facto de não serem cumpridos os requisitos pedidos na candidatura (por exemplo em termos de formação, qualificações, experiência profissional, entre outros) pode levar a que a candidatura não seja válida e que, portanto, não seja dada resposta aos candidatos.

Optaram por outro candidato mas este ainda não aceitou

As empresas podem não responder pelo menos até ao candidato aprovado ser contratado. Isto acontece para deixar em aberto a possibilidade de, caso o candidato aprovado acabe por desistir ou não poder ser contratado, terem outras possibilidades. É uma espécie de repescagem, em que a empresa deixa em aberto a possibilidade de poder contratar outro candidato que tenha sido bem-sucedido no processo de recrutamento, caso exista algum obstáculo na contratação do primeiro selecionado.

A vaga foi suspensa ou adiada

A vaga anunciada pode, por alguma razão e imprevisto, ser suspensa ou adiada por motivos inerentes à própria empresa. Os recrutadores podem manter as candidaturas recebidas e retomar o contacto com os candidatos ou, no futuro, fazer um novo processo de recrutamento para garantir que as candidaturas estão atualizadas.

O que fazer após enviar a candidatura?

Depois de entender melhor o processo de recrutamento e as razões que podem justificar a ausência ou demora na resposta, é importante que adote algumas estratégias após o envio da candidatura.

Não queira tudo no momento

É importante lidar com a ansiedade e entender que o processo de recrutamento é, muitas vezes, demorado e que a resposta não é imediata. Existem muitas candidaturas para analisar, por isso é natural que o processo demore algum tempo. Assim, não se precipite a contactar a empresa passado dois dias, sob pena de causar uma má impressão. Se tiver intenção de estabelecer este contacto, aguarde pelo menos 15 dias. Caso tenha recebido informação direta do recrutador acerca do prazo de encerramento do processo de seleção ou de uma data na qual é esperado receber feedback, aguarde até esse momento.

Mantenha um registo das candidaturas que faz

Se está num processo de procura ativa de emprego é natural que envie várias candidaturas por dia para diferentes empresas. Pode acontecer que a dada altura já não se recorde de todas as candidaturas que fez nem as datas concretas em que o fez. Para conseguir fazer uma gestão mais adequada do processo e saber exatamente para onde fez a candidatura e em que dia, mantenha um registo, por exemplo em Excel, colocando: nome da empresa, vaga anunciada, forma de envio da candidatura, data em que fez o envio, pessoa com quem falou, entre outros aspetos relevantes.

Ter esta informação presente e atualizada irá ajudá-lo a perceber quando será adequado contactar a empresa, se necessário, bem como que tipo de respostas está ou não está a receber.

Se contactar a empresa, faço-o adequadamente

Se aguardou pelo menos duas semanas, não recebeu resposta e quer entrar em contacto com o recrutador, faça-o de forma adequada. Por um lado, não contacte todas as empresas para as quais enviou candidatura. Contacte aquelas nas quais tinha mais interesse e para as vagas que considerava ter um perfil mais adequado. Ao fazê-lo, não telefone ou envie e-mail para um contacto geral da empresa, opte por enviar diretamente para o recrutador ou para o e-mail disponibilizado para efeitos de recrutamento.

Ao enviar e-mail para o recrutador, seja subtil e evite parecer “desesperado”. Opte por reiterar que mantém o interesse e a disponibilidade na vaga em questão. Ou seja, informe que continua disponível para ocupar a vaga e que gostaria de saber se ela ainda está aberta. Não diga, no e-mail, que se candidatou para determinada vaga e não obteve resposta, pois isso poderá dar a impressão de que está a acusar o recrutador de não ter feito bem o seu trabalho. Por último, envie apenas um e-mail. Se receber resposta ótimo, se não receber avance. Não encha a caixa de e-mails do recrutador, pois causará uma má impressão e irá anular quaisquer possibilidades de obtenção do emprego, agora ou no futuro.

De um modo geral, lembre-se que o modo como se comporta durante o processo de recrutamento irá dar informações ao recrutador sobre si e a suas características, nomeadamente a sua capacidade de lidar com a pressão, de comunicar, de se adaptar às circunstâncias, entre outras. Faça os possíveis para transmitir a imagem certa. Lembre-se que agir de forma inapropriada num processo de recrutamento poderá ter implicações numa eventual possibilidade no futuro com aquela ou até outras empresas – porque os recrutadores comunicam entre si.

Quais poderão ser as razões do meu insucesso nas candidaturas?

Se fez várias candidaturas e não obteve resposta de nenhuma, é fundamental que faça uma análise do seu processo de procura ativa de emprego e identifique alguns erros que podem estar a acontecer.

Não cumprir os requisitos ou instruções da candidatura

Muitas vezes devido à ansiedade que sentimos em conseguir o emprego e ao realizar inúmeras candidaturas por dia, acabamos por não dar o tempo ou a atenção devida a cada uma delas. Podemos ainda acabar por ceder à exasperação e candidatarmo-nos a “tudo”, sem verificar se facto nos adequamos à vaga e se a função se adequa a nós e aos nossos objetivos. Por isso, é muito importante ter em conta os seguintes aspetos:

  • Verificar se cumpre as exigências e requisitos para a vaga em questão, incluindo qualificações, experiência prévia, entre outros;
  • Analisar os elementos que são pedidos pela empresa e enviar todos eles devidamente, tais como CV, certificados, carta de recomendação, formulários de candidatura, etc. Não se esqueça de nenhum nem envie elementos desnecessários que não foram pedidos pelo recrutador;
  • Garantir o cumprimento de prazos da candidatura;
  • Enviar a candidatura pela via certa, isto é, se é pedido por correio não enviar por e-mail, e vice-versa;
  • Disponibilizar um contacto que mantenha disponível, quer em termos de e-mail quer em termos de contacto telefónico.

Desadequação do currículo

Se considera que preenche todos os requisitos para a vaga em questão, e que cumpriu as exigências colocadas pelo recrutador, poderá acontecer que o seu currículo não reflita de forma eficaz o seu perfil. O currículo é o primeiro contacto que o recrutador tem com o perfil do candidato, e esta primeira impressão será determinante. Por isso, se o seu currículo for desadequado ou não destacar de forma clara as suas competências para a vaga em questão, poderá levar a que seja excluído.

Para evitar que isto aconteça, é fundamental que analise o seu currículo antes de cada candidatura que faz. Adapte-o e não envie um currículo igual para todas as empresas. Assegure-se de que no CV existem referências frequentes àquilo que é procurado para a função ou vaga em questão. Um exercício que pode ajudar a verificar se isto é cumprido é imprimir o seu CV e, usando um marcador, sublinhar todas as palavras que surgem no seu currículo e que estão presentes no anúncio ou publicação do recrutador. Se não há correspondência, é provável que tenha de adaptar melhor o seu currículo.

Veja como construir um currículo eficaz.

Carta de apresentação desadequada ou demasiado vaga

A forma como se apresenta e como introduz a sua candidatura também é fundamental, sobretudo para se contextualizar perante o recrutador. É importante que na sua apresentação o recrutador compreenda a sua situação atual e porque é que é importante para si aquela candidatura, bem como a razão pela qual se adequa à posição em questão.

Assim, na sua carta de apresentação (que pode ser o texto do e-mail), verifique o que foi pedido pelo recrutador, bem como a cultura da própria empresa, e procure estabelecer uma ligação com quem está do outro lado. Aproveite também a sua apresentação para esclarecer eventuais aspetos que possam não estar tão claros no currículo e que sejam relevantes referir.

Por fim, seja específico, indique claramente na sua apresentação o seu objetivo e a adequação do seu perfil à função anunciada, para que se torne explícito para o recrutador a razão pela qual deve considerar a sua candidatura.

Redes sociais (linkedin, facebook, etc)

Em determinadas situações os recrutadores podem pesquisá-lo nas redes sociais. Por isso, é fundamental que tenha em atenção, por um lado, às suas redes pessoais: facebook, instagram, entre outras. Mantenha estes perfis privados para evitar que os recrutadores possam aceder a aspetos mais privados e potencialmente embaraçosos. Por outro lado, tenha atenção às redes sociais profissionais, como o Linkedin, e mantenha o seu perfil atualizado, completo e sem incongruências face ao que enviou no seu CV ou candidatura.

Atitude positiva é a chave do sucesso

A capacidade de seguir as estratégias acima mencionadas e de lidar com este processo eficazmente estará diretamente relacionada com a sua capacidade de gestão emocional. Procurar emprego é um processo por vezes árduo e que faz emergir emoções diversas, desde a expectativa à frustração e à ansiedade. Por isso, ser capaz de gerir as emoções e manter uma atitude positiva será fundamental para conseguir lidar de forma saudável e adaptativa com este processo.

Aprenda a gerir a ansiedade

Aguardar respostas a candidaturas e passar o dia numa roda-viva de envio de e-mails, procura de contactos, pesquisa de ofertas de emprego, gera uma ansiedade que é natural e esperada. Por isso, é fundamental que consiga gerir essa ansiedade, fazendo uso de algumas estratégias:

  • Use o relaxamento respiratório: antes de ir dormir ou quando se sente mais ansioso, faça várias respirações profundas, pois isto ajudará o corpo a sentir-se mais relaxado e menos tenso;
  • Use a visualização: feche os olhos, respire fundo e visualize um resultado positivo para aquilo que pretende. Por exemplo, imagine-se a receber uma chamada do recrutador para aquela vaga que pretende. Imagine a conversa, veja-se a responder, procure sentir as emoções que o dominarão no momento;
  • Pratique exercício físico, pois este funciona como um antídoto natural para a ansiedade;
  • Alimente-se e descanse;
  • Alterne as tarefas de procura de emprego com atividades e hobbies que lhe proporcionem prazer.

Confie nas suas capacidades

O processo de procura de emprego é naturalmente um processo pautado por algumas rejeições e frustrações. Por isso, é fundamental que não permita que isso mine a sua autoconfiança. Lembre-se que existem centenas de candidatos para a mesma vaga, e que é perfeitamente natural que algum deles possa ser mais adequado, não porque é melhor do que você, mas porque tem algum aspeto específico no seu perfil que o torna mais apropriado. Quando trabalha nalguma empresa também é natural, por exemplo, que goste mais de umas pessoas do que outras, e isso não as torna melhores ou piores, é uma questão de perspetiva e subjetividade.

Para manter a sua autoconfiança, faça uma lista das suas principais qualidades, competências e pontos fortes. Ao realizar este balanço não só terá uma perceção mais adequada dos seus pontos positivos, como também conseguirá transmitir de forma mais eficaz o seu potencial.

Aposte no desenvolvimento pessoal e profissional

Nenhum ser-humano ou profissional é um projeto inacabado. Existem sempre aspetos que podemos melhorar e desenvolver, e este processo de procura de emprego pode ser uma excelente oportunidade de desenvolvimento pessoal e profissional.

É muito importante que no decorrer deste processo seja capaz de refletir acerca dos aspetos que deve desenvolver e aprimorar para conseguir atingir os seus objetivos. Se está à procura de emprego, tem certamente algum tempo livre, e poderá aproveitá-lo para ir desenvolvendo alguns destes aspetos, por exemplo através da realização de formações, workshops, participação em eventos ou em ações de voluntariado. Tudo isso são formas de aquisição de experiência que pode ser fundamental para o seu desenvolvimento e crescimento enquanto profissional, e que o poderão fazer com que se destaque no processo de recrutamento.

Procure feedback e aceite críticas

É difícil termos uma visão neutra de nós próprios, e nem sempre conseguimos ter total consciência dos nossos aspetos positivos e negativos. Por isso, é fundamental que procure feedback para que outras pessoas lhe possam dizer o que está a fazer bem, o que está a fazer mal e o que pode fazer de diferente. Seja capaz de aceitar críticas e veja-as como um importante impulso para o seu sucesso.

Pode por exemplo pedir a colegas ou profissionais da área que lhe falem das suas experiências e que lhe digam o que consideram que poderia desenvolver para conseguir o emprego pretendido. Se receber o contacto por parte de recrutadores com resposta negativa à sua candidatura, pode também aproveitar para pedir feedback, de forma a compreender que aspeto fez com que não fosse selecionado, podendo posteriormente apostar no seu aperfeiçoamento e melhoramento contínuo.

Diana Pereira

Amante de histórias, gosta de as ouvir e de as contar. Tornou-se Mestre em Psicologia Clínica e da Saúde, pela Universidade do Porto, mas trouxe sempre consigo a escrita no percurso. Preocupada com histórias com finais menos felizes, tirou pós-graduação em Intervenção em Crise, Emergência e Catástrofe. Tornou-se também Formadora certificada, e trabalha como Psicóloga Clínica, com o objetivo de ajudar a construir histórias felizes, promovendo a saúde mental. Alimenta-se de projetos, objetivos e metas. No fundo, sonhos com um plano.

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