Claustrofobia: entenda as causas, sintomas e possíveis tratamentos

Sente um medo fora do comum, quase irracional, de ficar confinado em espaços fechados? Se a sua resposta for sim, é provável que sofra de uma fobia bastante comum, que afeta entre 20% a 25% da população mundial. Estamos a falar da claustrofobia, cuja gravidade pode variar de pessoa para pessoa.

Quem sofre deste transtorno sente-se extremamente mal em espaços pequenos, multidões e outras situações em diferentes níveis.

A claustrofobia pode trazer sérios problemas para o dia a dia, limitando a rotina e prejudicando o convívio com família e amigos. Não obstante, esta fobia tem cura, basta que se procure o aconselhamento médico de forma a minimizar os seus efeitos e sintomas.

Quer saber mais sobre a claustrofobia, as suas causas e tratamento? Acompanhe!

O que é claustrofobia?

As fobias são consideradas medos extremos, capazes de paralisar quem sofre destes problemas. Vão muito além de medos comuns e desenvolvem-se em pessoas cuja sensação de perigo é exagerada ou desproporcional em relação a uma situação ou a um objeto.

Contudo, quando não exposta com frequência à causa da fobia, é possível que a pessoa leve uma vida relativamente normal. Não obstante, quem tem de lidar diariamente com a situação que desencadeia a claustrofobia, certamente terá a sua qualidade de vida severamente prejudicada.

Há também pessoas que sofrem de ansiedade antecipatória, isto é, sentindo-se ansiosas antes mesmo da experiência/situação que desencadeia à fobia. Quando o quadro de claustrofobia se agrava, podem ocorrer ataques de pânico, por isso é fundamental que se procure rapidamente o acompanhamento de um profissional de saúde mental.

Como é ser claustrofóbico?

Ser claustrofóbico afeta consideravelmente a rotina, bem como as relações pessoais e profissionais. As crises de claustrofobia geralmente vêm acompanhadas de uma sensação de desorientação, flutuação e desequilíbrio.

A pessoa que sofre com claustrofobia pode também sentir vertigens, uma sensação de morte iminente e perda da razão. Ambientes como teatros, cinemas, elevadores e auditórios fechados provocam um intenso mal estar, bem como espaços onde há uma significativa aglomeração de pessoas. Neste último caso, o claustrofóbico pode começar a evitar compromissos que o coloquem nessa situação, o que pode vir a afetar sua vida social e até mesmo amorosa.

Mas, engana-se quem pensa que a claustrofobia está relacionada apenas a espaços físicos: há pessoas que sofrem desta condição ao utilizar máscaras, roupas apertadas, joias, óculos de proteção entre outros itens que possam limitar os seus movimentos, dando uma sensação de sufocamento.

Uma crise de claustrofobia pode acontecer em situações corriqueiras, como no meio do trânsito, por exemplo. O que produz a ansiedade é a sensação de sentir-se preso, por isso a condição não se manifesta apenas quando o claustrofóbico entra em espaços fechados ou se vê no meio de uma multidão.

Qual a origem da claustrofobia?

Muitos distúrbios emocionais, entre eles a claustrofobia, podem ter origem na infância, em decorrência de algum acontecimento traumático naquela época.

Além disso, processos biológicos e químicos no cérebro também podem ter relação com o surgimento do problema. De acordo com um estudo as pessoas que sofrem de claustrofobia têm uma visão distorcida da realidade, visto que sentem que o perigo está mais próximo do que o normal. É justamente essa distorção que leva o organismo a apresentar mecanismos exagerados de defesa.

Quais os sintomas da claustrofobia?

Ataques de ansiedade ou ataques de pânico podem acontecer se o claustrofóbico se sentir numa situação de perigo. Nestes casos, os sintomas mais comuns da claustrofobia são:

Quanto mais o claustrofóbico for exposto à causa do transtorno, mais medo sentirá de experimentar a situação desconfortável (e até mesmo desesperadora) novamente. Por isso é comum que o claustrofóbico se comece a privar de contatos sociais, evitando situações que provocam o ataque.

Não obstante, esta é uma “técnica” que não resolve o problema, pelo contrário, apenas intensifica os sentimentos de medo e ansiedade.

Como atenuar um ataque claustrofóbico?

Como referimos anteriormente, evitar situações que possam vir a desencadear um ataque de claustrofobia não é, definitivamente, a melhor forma de enfrentar o distúrbio. Isto porque nem sempre será possível fugir do problema, contudo, é possível lidar com um ataque de pânico devido à claustrofobia adotando alguns comportamentos:

  • Respire devagar e profundamente. Conte até três a cada respiração;
  • Observe o seu relógio e concentre-se no tempo. Esta técnica pode passar uma sensação de segurança;
  • Não se esqueça de que o seu medo e ansiedade passarão;
  • Repita consigo mesmo: “o meu medo é irracional, não há motivo para entrar em pânico”;
  • Foque-se numa ideia que lhe transmita calma.

Outra dica importante: não sufoque os seus sentimentos. Enfrente a situação, aceite o que está acontecendo e entenda que as sensações desagradáveis são passageiras.

Existe tratamento para a claustrofobia?

Assim como outros transtornos de ansiedade, a claustrofobia tem sim tratamento. O tratamento adequado vai depender da gravidade do problema, podendo ser aplicadas diferentes terapias, que vão desde a terapia cognitivo-comportamental ao uso de medicação.

A terapia cognitivo-comportamental encoraja o paciente a enfrentar os seus medos e a mudar os pensamentos em relação às situações que levam às crises de claustrofobia. Isto acontece graças a dessensibilização sistemática, cuja técnica é baseada em manter a pessoa tranquila, preparada para imaginar os componentes da claustrofobia.

A hipnoterapia também pode ser eficaz no tratamento da claustrofobia, devendo ser realizada por um hipnoterapeuta clínico, que aplicará técnicas terapêuticas sob efeito de hipnose.

Medicamentos antiansiedade e antidepressivos podem também ser prescritos, pois ajudam a aliviar os sintomas relacionados com a claustrofobia. Atuam na regulação da função da serotonina, substância química do cérebro que ajuda a transmitir mensagens elétricas associadas ao humor.

Importante: os terapeutas são os profissionais responsáveis por cuidar de quem sofre de claustrofobia; apenas estes possuem o conhecimento de técnicas capazes de desenvolver “habilidades de enfrentamento” eficazes no controlo dos ataques de medo e ansiedade. São precisamente essas “habilidades” que trarão a confiança necessária ao paciente para lidar com situações potencialmente geradoras de uma crise de claustrofobia. 

A claustrofobia tem cura?

Sim, embora possa ser difícil alcançá-la. Quando o paciente é devidamente acompanhado por um terapeuta, é possível curar ou, pelo menos, minimizar os efeitos nocivos da claustrofobia na vida quotidiana.

Será necessária paciência e um controlo rígido do problema, por isso mesmo, é importante que não subestime os sintomas e não evite enfrentar o problema.

Procure um profissional da saúde o quanto antes, pois só assim conseguirá conter o agravamento da claustrofobia. O profissional certificar-se-á de que os sintomas manifestados durante a crise não têm uma relação com problemas físicos, podendo assim proceder com o tratamento deste distúrbio emocional.

Luana Castro Alves

Licenciada em Letras e Pedagogia, redatora e revisora, entusiasta do universo da literatura, sempre à procura das palavras. "Não se pode escrever nada com indiferença." (Simone de Beauvoir)