O que é o judaísmo? Saiba mais sobre esta religião milenar

O judaísmo é muito mais que uma religião: é uma filosofia e um modo de vida do povo judeu. É considerada uma religião bastante familiar, pois acredita que todos os judeus são, indiretamente, um membro da tribo de Judá, patriarca fundador de Israel. Ademais, as tradições do judaísmo concentram-se em redor da casa e da comunidade, por isso não possui intenção missionária, isto é, não tem como intuito a conversão de novos fiéis.

Atualmente, estima-se que existam cerca de 14 milhões de judeus no mundo, número que representa 0,2% da população mundial. Metade vive na “terra prometida”, Israel, e a restante na Europa, no Canadá e nos Estados Unidos.

De acordo com investigadores, não fosse a tragédia do Holocausto (extermínio em massa de judeus entre as décadas de 30 e 40), o número de judeus no mundo seria significativamente maior, muito provavelmente, entre 25 a 35 milhões em todo o mundo, e a maioria deles viveria na Europa.

Embora o judaísmo seja uma das menores religiões em número de fiéis, é uma das grandes religiões abraâmicas (religiões com origem ou tradição espiritual relacionadas a Abraão), ao lado do cristianismo e do islamismo.

Se quer saber mais sobre o judaísmo, sobre a sua história, práticas, costumes e curiosidades, recomendamos que continue a leitura deste artigo. Nele encontrará todas as informações sobre esta que é considerada a religião monoteísta mais antiga do mundo.

Quais as origens do judaísmo?

Judaísmo é uma palavra de origem grega (Iudaïsmós) para o topónimo “Judá”.  A religião surgiu em Israel há cerca de 4 mil anos, e tanto o cristianismo como o islamismo derivam, até certo ponto, do judaísmo.  

De acordo com a tradição judaica, Deus realizou um pacto com os hebreus, fazendo deles o povo escolhido para desfrutar da terra prometida. Esse pacto foi firmado com Abraão e a sua descendência, e fortaleceu-se a partir da revelação das Leis divinas a Moisés, no Monte Sinai.

Como religião estruturada, o judaísmo tem início a partir da transformação dos judeus num povo influente por meio de reis como Saúl, Davi e Salomão, que construiu o primeiro templo em Jerusalém.

Todavia, por volta de 920 a.C, os judeus dividiram-se em grupos em virtude da dissolução do reino de Israel, época que é conhecida como Era dos Profetas. Por volta de 600 a.C, o templo é destruído e a liderança israelita assassinada. Após esse episódio, muitos judeus foram enviados, forçosamente, para a Babilónia, onde cumpriram o seu exílio, nomeadamente, a primeira Diáspora, palavra cujo significado é “viver afastado de Israel”.

Quais os pilares do judaísmo?

O judaísmo é uma religião monoteísta, ou seja, para os judeus, existe apenas um Deus, criador do universo e de todas as coisas. Para estes, existe uma relação especial entre o seu povo e Deus, cuja consolidação deu-se graças ao pacto firmado com Moisés, no Monte Sinai.

Revela o Midrash (coletânea das histórias bíblicas que as escrituras escondem entre as suas linhas) que “quando o Santo, Bendito Seja, ofereceu a Torá no Sinai, ave alguma piou nem voo levantou; boi algum mugiu; anjo algum ascendeu aos Céus e não se ouviu serafim proclamar louvores a Deus. Absoluto silêncio reinava no universo. Foi então que a Voz se adiantou, proclamando: ‘Eu sou o Senhor, teu Deus…” (Shemot Rabá 29:9).

E assim Deus chamou Moisés para que este subisse o Monte Sinai, onde permaneceria 40 dias e 40 noites para d’Ele aprender toda a Torá e os seus detalhes. A Moisés caberia transmitir ao povo os seus pormenores.

Torá: o livro sagrado do judaísmo

A Torá é a Bíblia hebraica, conhecida pelos cristãos como Velho Testamento. Nesta estão reunidos os cinco primeiros livros da Bíblia, nomeadamente, o Pentateuco, cuja autoria é atribuída a Moisés.

Os livros tratam acerca de Deus, da aliança e das suas regras com relação ao povo escolhido para exercer a função de representantes do caminho de Teshuvá. A Teshuvá é o componente central para que o ser humano alcance o mundo vindouro, sendo, portanto, necessário anunciar às nações que duas coisas caminham juntas: Teshuvá e perdão dos pecados.

Na sinagoga, o templo do judaísmo, os judeus realizam os seus cultos e fazem a prática da leitura dos textos sagrados, sob a orientação do rabino. Ao contrário de outras religiões, este líder não dispõe de um status religioso especial, tampouco é considerado um sacerdote.

Quais as várias correntes do judaísmo?

É importante referir que o judaísmo não é uma religião homogénea, por esse motivo, é possível dividir os seus praticantes em:

  • Ortodoxos: aqueles que veem a Torá como uma fonte imutável do saber divino, todavia, não seguem as leis rigidamente. Formam o maior grupo na maioria dos países, com exceção dos Estados Unidos da América, onde a maioria é composta por judeus reformados.
  • Ultraortodoxos: seguem à risca as leis sagradas, respeitando as suas tradições com fervor. Vivem em comunidades separadas e seguem os seus próprios costumes.
  • Conservadores: situam-se a meio termo entre os ortodoxos e os judeus renovados ou reformados,  e possuem atitudes e interpretações moderadas.
  • Judeus reformados: a maioria reside nos EUA, onde se encontra a segunda maior comunidade de judeus no mundo. Os judeus reformados acreditam que os textos sagrados do judaísmo podem ser reinterpretados a fim de os adaptar aos novos tempos. Por isso, nas suas sinagogas, os homens e as mulheres podem sentar-se juntos, o que não acontece nas sinagogas ortodoxas, que segrega os fiéis de acordo com seu género. Para os judeus reformados, a justiça social é um preceito básico, por esse motivo, muitos membros dessa fação lideram movimentos ativistas políticos.

Quais os costumes e práticas do judaísmo?

Conheça os principais sacramentos do judaísmo:

  • Circuncisão: Realizada no 8.° dia de nascimento, a circuncisão (Brit milá) tem o sentido de um sinal da aliança entre Deus e Abraão e os seus descendentes, bem como de um rito de inserção do povo eleito. Consiste na remoção do prepúcio do pénis humano.
  • Bar Mitzvah: Trata-se de um ritual de passagem para a maioridade, uma cerimónia que marca a passagem de um rapaz para a vida adulta, aos 13 anos. A partir de então, este assume a sua maioridade religiosa e passa a ter responsabilidades com a sua comunidade e com as tradições do judaísmo.
  • Casamento: trata-se do vínculo contratual entre um homem e uma mulher, através do qual estes se unem para criar uma família.
  • Luto (Shivá): período de 7 dias de luto em respeito à morte de uma pessoa próxima. Durante esse momento, é obrigatória a permanência em casa, sendo terminantemente proibido participar em eventos comemorativos e viagens.
  • O sábado, ou shabat: considerado sagrado para os judeus, é o dia de descanso semanal, que simboliza o 7.º dia da criação, quando Deus descansou. Durante o shabat não é permitido, aos judeus ortodoxos tradicionais, trabalhar.

Curiosidades sobre o judaísmo

Partilhamos algumas curiosidades sobre o judaísmo:

  • O maior pecado no judaísmo é a idolatria (culto prestado ao que não é um deus);
  • A “Cabala”, sistema filosófico-religioso judaico de origem medieval, reúne todo conhecimento místico do judaísmo;
  • São considerados judeus todos aqueles que nasceram de mãe judaica, bem como aqueles que se converteram ao judaísmo;
  • O “Kipá”, chapéu típico utilizado pelos judeus nas sinagogas, representa o respeito a Deus;
  • O judaísmo não é uma religião missionária, por isso, não procura a conversão de pessoas, como acontece no cristianismo, por exemplo.

Luana Castro Alves

Graduada em Letras e Pedagogia, redatora e revisora, entusiasta do universo da literatura, sempre à procura das palavras. "Não se pode escrever nada com indiferença." (Simone de Beauvoir)