Trabalho remoto: quais os seus benefícios e desvantagens?

Os millennials querem ter o controlo da sua vida. Esta vontade de ter liberdade de escolha, tem-se espalhado por todos os domínios: seja trocar os horários restritos da televisão por serviços de streaming, programas de rádio por podcasts, imprensa escrita por jornais online ou trocar um trabalho de 8 horas fechado num escritório por um trabalho remoto.

O surgimento de novas formas de trabalho desperta algumas controvérsias, pois representa uma disrupção face ao tradicional modelo de trabalho, obrigando os empregadores e trabalhadores a adaptarem-se a novas necessidades/realidades. Mas afinal, o que é isto do trabalho remoto?

O que é o trabalho remoto? 

O trabalho remoto – também conhecido como teletrabalho ou trabalho à distância – refere-se à atividade laboral que é prestada fora das instalações da entidade empregadora. Em muitas situações o trabalhador e o empregador estão em países diferentes, algo muito comum em profissões ligadas ao desenvolvimento de software, por exemplo.

Que tipos de trabalho remoto existem?

  • Periódico – o empregador permite ao funcionário trabalhar fora do escritório, uma vez por semana ou uma vez por mês, por exemplo;
  • A tempo inteiro – o trabalhador executa as suas funções fora do escritório da empresa, sem necessidade de deslocações regulares ao escritório;
  • Trabalho flexível – a entidade empregadora permite alguma flexibilidade quanto ao local e horário de trabalho, quando se justifique, nomeadamente em caso de doença, greve dos transportes, necessidade de ficar em casa por causa de um filho, etc.;
  • Freelancers – a empresa recorrer a profissionais liberais (leia-se prestadores de serviços) para executar um conjunto de tarefas. Muitas vezes, estes profissionais trabalham para várias empresas.

Vantagens e desvantagens para o trabalhador

Benefícios para o trabalhador:

  • Menos stress e ansiedade – várias são as causas associadas ao stress no trabalho, sejam as deslocações demoradas, escritórios despersonalizados e ruidosos, mau ambiente de trabalho, roupas formais e desconfortáveis, políticas de escritório e mexericos, etc.;
  • Menos tempo perdido em deslocações – já se questionou sobre quanto tempo perde diariamente em transportes? As horas relacionadas com o trabalho raramente são apenas aquelas passadas no escritório;
  • Maior produtividade – os níveis de produtividades estão intrinsecamente relacionados com o bem-estar do trabalhador, eliminando todos os pontos negativos associados ao local de trabalho o trabalhador tem todas as condições para ser mais produtivo;
  • Redução de custos – poupança nos custos associados ao trabalho, designadamente com transportes públicos, manutenção do carro, estacionamento, refeições ou vestuário formal;
  • Maior autonomia – estar longe do controlo das chefias (por vezes exagerado…) permite ao trabalhador ser mais autónomo e criativo nas suas tarefas, contribuindo para uma maior satisfação no trabalho;
  • Melhores hábitos – Trabalhar a partir de casa está associado a um estilo de vida mais saudável, permitindo ao trabalhador cozinhar (menos tentação por comida rápida) e praticar exercício;
  • Conciliação entre a vida profissional e familiar.

Aspetos negativos (o trabalho remoto não é um mar de rosas!):

  • Isolamento – trabalhar remotamente pode gerar um sentimento de alguma solidão fruto da ausência de interações sociais;
  • Limites de horário – em algumas situações poderá haver alguma dificuldade em separar a vida profissional e a vida pessoal, sendo importante ao trabalhador colocar limites;
  • Deterioração das relações profissionais – estar afastado fisicamente dos seus colegas pode tornar as relações profissionais mais complicadas de manter – “longe da vista, longe do coração”;
  • Maior dificuldade de networking – a ausência de contacto direto com colegas, chefias e clientes poderá colocar dificuldades na criação de uma rede de contactos (p.ex.: em caso de promoção, as chefias poderão privilegiar “quem conhecem”).

Prós e contras para a entidade empregadora

Motivos para o empregador permitir trabalho remoto:

  • Retenção de funcionários – a possibilidade de trabalhar remotamente foi positivamente associada a um maior compromisso com a empresa e uma vontade menor de rotatividade pelo trabalhador;
  • Maior produtividade do trabalhador – em virtude de menores níveis de stress, fruto da ausência de deslocações para o trabalho, políticas rígidas de escritório e de ruído, o trabalho torna-se mais produtivo;
  • Menos custos com imobiliário – uma empresa com vários trabalhadores em regime de trabalho remoto precisa de menos espaço. A poupança gerada pode ser alocada à contratação de recursos humanos mais qualificados ou investida em inovação;
  • Menos despesas com a manutenção do escritório – menos espaço implica menores custos com eletricidade, água e mobiliário (mesas, cadeiras, etc.);
  • Menos faltas, baixas e atrasos – os trabalhadores têm menor probabilidade de faltar ao trabalho ou de chegar atrasados. É igualmente maior a probabilidade de as mulheres continuarem a trabalhar até mais tarde na gestação, bem como regressarem mais rápido no pós-parto, ainda que com horário reduzido;
  • Contratação de talento – as empresas deixaram de estar limitadas geograficamente no que aos recursos humanos diz respeito, podendo contratar trabalhadores de outras geografias, evitando necessidade de deslocalizações.

Desvantagens:

  • Sinergias;
  • Monitorização e medição de desempenho dos funcionários;
  • Cultura e valores da organização;
  • Comunicação e coordenação do trabalho.

Independentemente da sua opinião acerca do trabalhador remoto, o mercado de trabalho mudou. A flexibilidade laboral é, cada vez mais, um argumento das empresas para o recrutamento de novos quadros, em resposta a um anseio, cada vez mais comum, de muitos trabalhadores, um emprego que lhes dê a liberdade de escolha.

Ana Amaral

Licenciada em Estudos Europeus e pós-graduada em Relações Internacionais e Marketing digital.

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