Febre: temperaturas, sintomas, causas e tratamento

O corpo humano é perfeito! Tão perfeito que costuma emitir sinais quando algo não vai bem, sendo a febre um desses sinais mais conhecidos. Em virtude das muitas dúvidas sobre este tema, redigimos o presente artigo onde procuramos dar resposta a algumas das questões mais frequentes, nomeadamente: o que é, como medir a temperatura corporal, quais os seus tipos, causas e sintomas. Afinal de contas, nada melhor que saber o que fazer assim que for afetado por esta condição.

O que é a febre?

A febre consiste num aumento temporário da temperatura do corpo, sendo considerada quando a temperatura corporal é igual ou superior a 37,5° C. Na maioria das vezes, esta alteração está associada a alguma doença, por isso mesmo, a febre é considerada um fenómeno de defesa do organismo, visto ajudar-nos a perceber o surgimento de enfermidades. A febre é, portanto, entendida como um sintoma e não uma doença.

O aumento da temperatura não é por acaso. Em virtude da subida da temperatura corporal o tempo de resposta das células do organismo aumenta, consequência de um processo interno que tem como objetivo destruir os “invasores”, como os vírus e as bactérias. É importante referir também que a febre não escolhe idades, afetando pessoas de todas as faixas etárias, desde crianças, adultos e até idosos.

Contudo, nem sempre este mecanismo de defesa funciona. Nestes casos, poderá dar-se início  uma infeção, que poderá ser leve ou grave, a depender da força dos microrganismos invasores, bem como do sistema imunitário de cada pessoa.

O que é considerado febre?

Afinal de contas, quando é possível afirmar que uma pessoa está com febre? Como diferenciar estado febril, febre alta e hipertermia? É simples, nós explicamos:

  • Estado febril: a temperatura eleva-se um pouco acima do que é considerado normal, todavia, ainda não se caracteriza como febre. O melhor a fazer é ir medindo a temperatura corporal para compreender se esta evoluirá ou não para um estado de febre. Nos bebés, por exemplo, considera-se estado febril entre 37,1° C e 37,5° C; em crianças e adultos, entre 37,4° C e 38° C.
  • Febre: A febre vai além do estado febril, por isso, a temperatura fica mais alta. Neste estágio, é preciso monitorar a condição e procurar ajuda médica caso persista. Nos bebés, por exemplo, considera-se febre a temperatura anal por volta dos 37,8° C; em crianças e adultos, entre 38,1° C e 38,9° C.
  • Hipertermia: Aqui, a febre atingiu temperaturas altíssimas, portanto, não hesite em procurar ajuda médica de forma receber atendimento adequado. Nos bebés, por exemplo, considera-se hipertermia uma temperatura corporal acima dos 38° C; em crianças e adultos, a partir de 40° C.

Como medir a temperatura?

O termómetro é um aparelho simples de se usar e fundamental para medir a temperatura corporal. Existem no mercado pelo menos três tipos bastante comuns. São eles:

  • Termómetro de mercúrio: para utilizá-lo adequadamente, basta que se coloque sua ponta metálica sob a axila, proporcionando assim contato direto com a pele. Espere até 3 minutos, retire-o e verifique a temperatura indicada pelo traço colorido. Caso sinta dificuldade para identificar este traço, coloque o termómetro contra a luz que logo o observará.
  • Termómetro digital: para utilizá-lo adequadamente, basta que se coloque sua ponta metálica sob a axila, proporcionando assim contato direto com a pele. Espere até surgir um sinal sonoro, devendo então retirá-lo para verficar a temperatura indicada na tela.
  • Termómetro de infravermelhos: mais moderno, o termómetro de infravermelhos pode ser apontado para a testa e, caso seja de uso individual, introduzido no ouvido. Depois de alguns segundos fará o barulho de um “bip”, mostrando a temperatura corporal no ecrã.
  • Termómetro de ponta mole: este tipo de termómetro deve ter a sua ponta metálica introduzida no ânus e deverá lá permanecer por, pelo menos, 3 minutos. Embora muitas pessoas o considerem desconfortável, é o termómetro mais eficiente, visto que a temperatura do ânus é mais precisa do que as temperaturas da axila e testa.

Quais os tipos de febre?

É preciso entender que neste caso não estamos a falar das enfermidades que têm na sua designação o termo “febre”, como a febre reumática, por exemplo, pois esta não é um tipo de febre quando falamos especificamente do sintoma temperatura alta.

Entenda quais são os tipos de febre:

  • Febre contínua: esta não oscila, permanece durante o tempo todo acima da temperatura corporal habitual da pessoa; quando há alguma oscilação, esta é pequena, variando apenas 1 grau.
  • Febre irregular: aqui temos altos picos de temperatura corporal intercalados com baixas temperaturas. Esta variação radical não costuma avisar quando vai acontecer;
  • Febre remitente: este tipo de febre é diária, variando 1 grau para cima ou para baixo da temperatura constante, sem cessar;
  • Febre intermitente: caracteriza-se pela oscilação entre temperaturas altas e temperaturas normais do corpo, sendo a mais comum;
  • Febre recorrente: manifesta-se durante dias ou semanas, apresentando interrupção abruta das altas temperaturas. O período entre a temperatura normal e a anormal é bem espaçado.

Quais as causas da febre?

O responsável por provocar a febre é o hipotálamo, área do nosso cérebro que cumpre a função de elevar a temperatura do corpo quando deteta a “invasão” de microrganismos. Esta temperatura costuma variar, sendo mais baixa na parte da manhã e mais alta no fim de tarde e início da noite.

São diversas as causas da febre, porém, as mais comuns, são:

  • Infeção bacteriana;
  • Vírus;
  • Desidratação;
  • Queimaduras solares;
  • Insolação;
  • Condições inflamatórias;
  • Cancro;
  • Reações medicamentosas, especialmente após a ingestão de antibióticos administrados no uso da hipertensão e convulsão;
  • Reação a vacinas.

Embora estas sejam as causas mais prováveis da febre, nem sempre é possível identificá-la. Geralmente, estes casos podem estar associados a alguma infeção crónica incomum ou até mesmo ao cancro.

Quais os fatores de risco da febre?

Algumas pessoas são mais vulneráveis à febre, sobretudo aquelas que apresentam as seguintes condições:

  • Sistema imunitário fragilizado;
  • Bebés e idosos, grupo etário mais propenso à febre;
  • Pessoas que realizaram procedimentos médicos recentemente;
  • Uso de determinados medicamentos;
  • Pessoas que estão expostas a infeções durante viagens ou depois de terem tido contato com alguém contaminado.

Quais os principais sintomas de febre?

Os sintomas são diferentes de acordo com a intensidade da febre e também do grupo etário. Nas crianças e bebés, os sintomas podem manifestar-se da seguinte maneira:

  • Prostração;
  • Dificuldade para dormir ou falta de sono;
  • Dificuldade em se alimentar;
  • Convulsão.

Nos adultos, observa-se os seguintes sintomas (estado febril):

  • Dor muscular;
  • Temperatura elevada;
  • Dor de cabeça;
  • Letargia;
  • Tremores;
  • Desidratação;
  • Sudorese.

Nos casos de hipertermia (Febres altas entre 39,4°C e os 41,1°C) os sintomas são:

  • Convulsão;
  • Desidratação;
  • Alucinações;
  • Irritabilidade.

Quais as formas seguras para baixar a febre?

Durante a febre, é possível adotar algumas medidas que proporcionem um maior bem-estar para si ou para as suas crianças. Conheça as principais:

1. Compressas frias no tronco e membros

Esta é uma medida eficaz para baixar a temperatura corporal. Pode utilizar uma toalha húmida ou uma bolsa térmica, colocando-a no tronco e nos membros. Para saber se a temperatura é ideal, coloque a sua mão na água e observe se é tolerável o contato desta com o corpo, caso contrário, poderá ferir a sua pele ou a das suas crianças. Todavia, evite compressas frias caso a pessoa esteja a sentir muito frio, o que poderia ser agravado com a humidade. Além disso, não deixe a compressa em contato com a pele durante muito tempo, sob pena de provocar queimaduras e até mesmo necrose do local onde foi aplicada.

2. Faça repouso

Evite sobrecarregar o seu organismo, permita que este descanse. A febre pode acelerar os batimentos cardíacos e provocar um intenso desconforto, por isso, é fundamental que se faça repouso, evitando assim quedas e outras intercorrências.

3. Tome um banho morno

O banho de água morna é importante para ajudar na recuperação da temperatura corporal ideal. Nada de tomar banho em água fria, pois a temperatura poderá causar vasoconstrição, processo que impede a perda de água do organismo e mantém a temperatura do corpo elevada.

4. Hidrate-se

Ingira bastante líquidos, principalmente água, o que ajudará na diminuição da temperatura corporal e evitará a desidratação. Durante a febre, o nosso corpo perde bastante líquidos através do suor, que costuma ser intenso, por isso, é fundamental que reponha os líquidos que for perdendo.

5. Alimente-se adequadamente

Nada de abusar de alimentos pesados. Invista numa alimentação leve, de fácil digestão. Não comer pode comprometer a sua saúde, visto que o consumo calórico aumenta consideravelmente durante a febre.

Tratamento de febre

Conhecer a causa da febre é um determinante no seu tratamento. Geralmente, os tratamentos mais comuns incluem medicamentos como paracetamol, anti-inflamatórios não esteroides (AINE) e naproxeno. O ácido acetilsalicílico não deve ser administrado no tratamento de crianças e adolescentes, pois o seu consumo aumenta as probabilidades de desenvolvimento da síndrome de Reye, doença rara e grave que causa confusão mental, inchaço no cérebro e danos ao fígado.

Lembre-se: nem sempre é necessário procurar ajuda médica quando se apresenta um quadro de febre. Contudo, existem algumas situações em que é fundamental a orientação de um especialista, principalmente quando a pessoa apresentar febres muito altas (hipertermia), febre persistente (mais de dois dias) e em casos de crianças que possuem tendência a convulsões. Nestes casos, evite a automedicação, prática que pode piorar as suas condições de saúde ou da pessoa afetada. Cuide-se!

Luana Castro Alves

Graduada em Letras e Pedagogia, redatora e revisora, entusiasta do universo da literatura, sempre à procura das palavras. "Não se pode escrever nada com indiferença." (Simone de Beauvoir)