Médico de família: qual a sua importância e para que serve?

O médico de família, mais do que um profissional de saúde, pode ser um amigo que visita ou telefona sempre que necessário. É ele quem melhor conhece o seu histórico médico e quem mais depressa consegue detetar possíveis problemas de saúde.

Há quem tenha o mesmo médico família durante décadas a fio e quem o partilhe com os restantes membros da família, no entanto, há também milhares de pessoas que não possuem este acompanhamento.

Neste artigo, iremos explicar a importância que este profissional de saúde tem na vida de qualquer utente, bem como as vantagens que poderá oferecer.

O que é um médico de família?

O médico de família, e a Medicina Geral e Familiar, têm como objetivo a prevenção, através do acompanhamento contínuo do utente. Um médico de família pode acompanhar o paciente desde o nascimento até à fase adulta, por exemplo, estando sobretudo encarregue de vigiar e aconselhar o paciente ao longo dos anos, respondendo às suas dúvidas e detetando patologias.

O médico de família distingue-se assim dos restantes por possuir uma relação duradoura com os seus pacientes, marcada pela confiança e proximidade, e por se focar mais na parte de prevenção em detrimento do tratamento propriamente dito.

Qual a importância de um médico de família?

Como já mencionado, o médico de família é aquele que acompanha e vigia os seus pacientes a longo-prazo, presenciando muitas vezes o crescimento e desenvolvimento dos mesmos ao longo das suas fases de vida.

É possível dizer que este profissional se compromete com os utentes e não com uma especialidade médica, pelo que está apto para identificar e ajudar a tratar qualquer problema de saúde, em qualquer idade, não estando apenas restrito a uma única especialidade ou problema definido.

Além do mais, um médico de família desenvolve inevitavelmente uma relação de proximidade com o paciente e vice-versa, passando a conhecer não só o seu histórico de saúde como um pouco sobre a sua vida pessoal, pelo que o doente confia e partilha as suas dúvidas e inquietações abertamente.

Normalmente, o paciente pode inclusive telefonar ao seu médico de família e questionar sobre determinado assunto de saúde, o que é útil no que toca a esclarecer dúvidas rapidamente e através de uma fonte fidedigna.

Quais os problemas de saúde que trata?

Sabia que 80% dos problemas de saúde dos portugueses são tratados por médicos de família? Basicamente, tudo o que não exija internamento pode ser tratado pelo médico de família.

Entre outros, o médico de família pode tratar os seguintes problemas:

Todos os médicos de família têm os seus próprios contactos, ou seja, colegas de outras especialidades que podem ajudar quando necessário. Só os casos mais graves são encaminhados para outro especialista. Além disso, o médico de família pode também diagnosticar problemas mais graves, como cancro da mama, reencaminhando a pessoa para um especialista ou para o Instituto Português de Oncologia (IPO).

Quais os benefícios de ter um médico de família?

  • Apto para tratar qualquer problema: o médico de família está disponível para ajudar a resolver qualquer problema de saúde, em qualquer pessoa, de qualquer idade ou sexo, sem se limitar a um problema de saúde definido.
  • Acompanhamento contínuo: como já mencionado, este profissional desenvolve uma relação de proximidade a longo-prazo com o paciente, podendo acompanhá-lo desde o nascimento até à fase adulta. Além disso, este tipo de relação deixa o paciente confortável o suficiente para colocar todas as dúvidas que possui e para consultar o seu médico sempre que necessário.
  • Flexibilidade no atendimento: o médico de família vê os seus doentes não só no típico consultório de um centro de saúde, como também no hospital e em domicílios, conforme necessário perante cada situação.
  • Procura entender o contexto da doença: várias doenças observadas pelo médico de família são apenas entendidas quando analisadas considerando o contexto pessoal, familiar e social da pessoa. Como o médico de família conhece o histórico de saúde dos seus pacientes melhor que ninguém, estando ainda informado quanto a partes das suas vidas pessoais, torna-se assim mais fácil detetar certas doenças.
  • Aposta na prevenção: um dos maiores objetivos do médico de família é prevenir as doenças e problemas de saúde que os seus pacientes podem vir a enfrentar. Assim, além de poder também ajudar a tratar um problema propriamente dito, este profissional costuma apostar mais em aconselhar métodos que os seus pacientes devem seguir em rumo a uma melhor qualidade de vida.

Como ter médico de família?

Desde 2016 que todas as crianças nascidas em Portugal têm automaticamente um médico de família, de acordo com uma medida do projeto “Nascer Cidadão”.

Os bebés são inscritos no Registo Nacional de Utentes, e passam a possuir um número de utente e o respetivo médico de família (normalmente, o mesmo médico da mãe ou do pai).

Para as restantes pessoas, quem quiser ter um médico de família deve, antes de mais, estar inscrito no centro de saúde da sua área de residência. A inscrição pode ser feita na unidade mais próxima, pelo que deve apresentar os seus documentos de identificação e comprovativo de residência. Caso já esteja inscrito, precisa apenas de escolher o seu médico de família entre os profissionais do centro de saúde em questão.

É possível toda a família ter o mesmo médico?

Sim. Para tal, é necessário que todos os membros estejam inscritos no mesmo centro de saúde e que solicitem esse mesmo pedido à unidade em questão. No entanto, o médico requisitado pode, por vezes, não possuir disponibilidade suficiente, e nesse caso, tal pedido não poderá ser respondido.

Como mudar de médico de família?

Se quiser mudar de médico de família, poderá fazê-lo através de um pedido por escrito, devidamente justificado, dirigido ao diretor ou coordenador do centro de saúde em causa.

Como foi possível verificar, um médico de família consegue oferecer inúmeros benefícios aos seus pacientes, pelo que cada cidadão deveria usufruir deste tipo de acompanhamento. Esperamos ter ajudado a esclarecer algumas dúvidas.

Catarina Fonseca

Desde cedo uma curiosa nata, decidiu seguir Ciências da Comunicação para desenvolver a sua paixão pelo jornalismo e pela escrita. Agora formada, gosta de se aventurar pelo mundo, conhecer novas pessoas e culturas, e leva sempre um caderno e câmara fotográfica às costas para eternizar as suas experiências.