Dor no peito: quais as possíveis causas?

De repente sente uma dor no peito e não faz a mínima ideia do que está a acontecer. É apanhado de surpresa e começar a imaginar tudo e mais alguma coisa, afinal de contas é algo que pode assustar qualquer um. Porém, é importante que saiba que a dor no peito nem sempre é um sinal de enfarte iminente.

A dor no peito pode estar associada a outras doenças e condições, das mais simples às mais complexas e graves. De qualquer modo, perante um qualquer sintoma, o mais sensato é procurar logo aconselhamento médico – trata-se de algo que não deve ser ignorado!

Pois bem, no presente artigo abordamos as dores no peito, procurando indicar as causas mais comuns que estão na sua origem. Fique atento às explicações e boa leitura!

Pode tratar-se de angina de peito ou enfarte?

Quando um paciente se queixa de dor no peito, é fundamental que se afaste, em primeiro lugar, uma causa cardíaca, sobretudo quando o sintoma se manifesta pela primeira vez.

Por isso, a primeira suspeita recai quase sempre numa angina de peito ou num enfarte, condições que provocam falta de irrigação sanguínea do músculo cardíaco. Regra geral, isto acontece em decorrência de uma obstrução da artéria em virtude de uma placa de gordura, formada principalmente por colesterol. Nestes casos, a dor no peito fica localizada na região central e é bastante parecida a uma pressão, um aperto, um ardor ou uma sensação de choque.

A dor no peito pode ser uma pericardite?

A pericardite é uma inflamação do pericárdio, tecido fibroso que envolve o coração. Neste quadro, a dor no peito é intensa e súbita, irradiando para o pescoço, ombros e costas.

Outros sintomas associados à pericardite são: sensação de fraqueza, falta de ar, febre e palpitações, podendo estes manifestar-se de maneira gradual. A pericardite pode ser aguda, quando a inflamação dura em média duas semanas, ou crónica, persistindo por um período maior.

Quanto mais cedo for realizado o diagnóstico da pericardite, maiores serão as probabilidades de recuperação. Portanto, procure sempre a ajudar de um especialista.

A dor no peito pode ser uma embolia pulmonar?

Sim. Nem todas as dores no peito estão relacionadas apenas a problemas cardíacos. É o caso da embolia pulmonar, uma doença que atinge os pulmões e, entre outros, provoca dor no peito ao respirar e uma sensação de falta de ar.

A embolia pulmonar ocorre quando o vaso sanguíneo do pulmão fica completamente obstruído, impedindo a circulação correta do sangue. Outros sintomas associados a esta condição são: tosse constante, febre baixa, inchaço nas pernas, transpiração excessiva, pele fria, pálida e azulada, tonturas e batimentos cardíacos irregulares.

Negligenciar estes sintomas pode ter consequências muito sérias, portanto, mais uma vez, procura ajuda médica imediatamente para ser devidamente tratado.

A dor no peito tem relação com a pneumonia?

Em alguns casos, sim. Todavia, é preciso que a dor no peito esteja associada a outros sintomas como calafrios, tosse com catarro, febre, falta de ar, vómitos, enfraquecimento extremo, dores no corpo e perda de apetite.

Nos casos mais graves, poderá haver sangue misturado ao escarro. A pneumonia é causada por uma infinidade de organismos, entre eles bactérias, fungos ou vírus.

Geralmente, é uma complicação que surge de uma gripe mal tratada, é por isso importante dar a devida atenção à gripe, evitando que ela evolua para doenças mais complicadas.

Crianças e pessoas idosas estão mais vulneráveis à pneumonia, portanto, fique atento aos sinais, pois nem sempre são identificados por quem padece desta doença.

Problemas digestivos causam dor no peito?

Sim. A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) tem a dor no peito entre os seus principais sintomas. A DRGE é causada por uma falha de funcionamento da válvula que separa o estômago do esófago, que se abre de forma inapropriada, libertando ácido gástrico diretamente no esófago, que sofre com o líquido corrosivo.

Neste caso, a dor no peito é bastante característica, provocando uma sensação de queimadura e ardor, como se se tratasse de uma cólica na região do peito. O sintoma é tão intenso que pode ser confundido com um ataque cardíaco, prejudicando consideravelmente a qualidade de vida de quem é diagnosticado com a doença.

O tratamento pode ser feito a partir do uso de medicamentos, alterações ao estilo de vida, entre eles, a reeducação alimentar e a redução do consumo de álcool e tabaco. Nos casos mais graves, a cirurgia para correção da falha na válvula pode ser a opção mais indicada.

As dores musculares provocam dor no peito?

Sim, especialmente depois da prática de exercício físico mais intenso. Há casos esporádicos e outros em que a dor se torna recorrente em virtude do excesso de atividades. Nestas situações, o organismo não consegue lutar contra a inflamação ocasionada pelos exercícios, e o resultado são dores intensas no peito e outras partes do corpo.

Desta forma, podemos concluir que existe um problema no sistema de movimento, isto é, dor muscular, que pode ser facilmente tratada.

A dor no peito pode tratar-se de ansiedade?

A dor no peito ocasionada pela ansiedade surge quando somos expostos a situações de stress no nosso dia a dia, como conflitos em ambiente laboral, familiar ou outros.

Antes dos sintomas físicos, é comum que a pessoa se sinta extremamente desanimada, preocupada, com dificuldades para dormir ou para abandonar pensamentos repetitivos sobre o problema que a afeta. Porém, a evolução do stress pode levar a crises de falta de ar, dores no peito, transpiração excessiva, tremores no corpo e náuseas.

Em Portugal, segundo um estudo recente da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental, entre as perturbações psiquiátricas, a ansiedade é aquela que apresenta uma prevalência mais elevada. Os números revelam os impactos das dificuldades financeiras, económicas e sociais na vida dos portugueses, causas que contribuem dramaticamente para condições como a ansiedade e outros distúrbios emocionais.

O que fazer em caso de dor peito?

Se sentir uma dor no peito, observe as suas principais características, como por exemplo: a sua localização (em que região do peito?), duração (quanto tempo durou?) e intensidade (na escala de 1 a 10), bem como se ao mover-se a dor se torna mais ou menos intensa.

Em virtude da multiplicidade de causas possíveis o mais indicado é que consulte um médico o quanto antes, sobretudo se sentir os seguintes sinais:

  • Aperto ou queimação na região do peito;
  • Dor aguda durante mais de 10 minutos;
  • Dor que irradia para o braço esquerdo, dorso, mandíbulas ou face;
  • Tonturas, suores frio e sensação de mal-estar.

Lembre-se: para todas as doenças abordadas neste artigo existe um tratamento adequado, a ser indicado por um médico especialista. Todas as informações aqui disponibilizadas são estritamente educativas, não substituindo, portanto, o aconselhamento de um médico. Cuide-se!

Luana Castro Alves

Licenciada em Letras e Pedagogia, redatora e revisora, entusiasta do universo da literatura, sempre à procura das palavras. "Não se pode escrever nada com indiferença." (Simone de Beauvoir)